terça-feira, 22 de novembro de 2016

ESSE SENTIMENTO CHAMADO AMOR


Na escola aprendemos que o amor é um sentimento abstrato, que não podemos pegar, apalpar, só sentir, vivenciar. A palavra amor tem sua origem no latim, amor, tal como conhecemos, e na língua portuguesa assume muitos outros significados, podendo ser um sinal de: compaixão, afeição, atração física que pode convergir em paixão ou um bem querer. Também ganha o significado de misericórdia, desejo sexual. Também pode ser entendido como no sentido familiar, amor de pai, amor de mãe, entre irmãos. Amor em latim tem mais duas variações que recebem o mesmo significado, dilectio e charitas. Uma palavra tão pequenina, mas tão rica e com tantos desdobramentos, é isso que ele significa, uma amplitude maior do que não podemos mensurar.
Os gregos também tinham palavras para definir amor: Eros, o amor expresso em uma forma física; Pragma, aquele que procura o lado prático da coisa, simbolizado por aquela pessoa que só entra em um relacionamento se tiver certeza que vai conseguir algum objetivo prático; Philia, cujo significado é generosidade, altruísmo, o contrário de pragma, aquele que pensa antes no outro.
Robert Stenberg (1998), psicólogo norte-americano, formulou uma teoria triangular do amor, a qual engloba três componentes distintos: a intimidade, a paixão e o compromisso. No que toca à intimidade, de caráter mais emocional, estamos diante de uma relação de confiança mútua que inclui a proteção e a necessidade de estarmos perto do outro. É através da intimidade que duas pessoas compartilham as suas experiências pessoais e o que mais íntimo há de si. A paixão, que se baseia essencialmente na atração sexual, envolve um sentimento irreprimível de estar com o outro. Por sua vez, o compromisso é a expectativa de que o relacionamento dure para sempre, numa intenção de comprometimento mútuo.
Na Psicologia, o amor é definido como sendo não simplesmente o gostar em maior quantidade, mas sim um estado psicológico qualitativamente diferente. Isto porque, ao contrário do gostar, o amor inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa.
Mais tarde, professores de psicologia da Texas Tech University Susan Hendrick e Clyde Hendrick criaram a Escala de Atitudes Amorosas, a partir dos seis tipos de amor classificados por Alan John Lee os pesquisadores observaram as relações interpessoais correlacionadas.
Ágape: o altruísmo em forma de amor, esse é verdadeiramente espiritual, sem necessidade de ser retribuído, existe para ajudar o próximo.
Psique: um sentimento superior, quase espiritual, fundamentado na mente e nos sentimentos filosóficos.
Ludus: um jogo, jogo onde só pode haver um vencedor ou que brinca com os sentimentos da pessoa amada.
Eros: o mais próximo do que conhecemos por paixão, fundamentado na beleza física, nas aparências.
Storge: o amor que surge com o tempo, muitas vezes se inicia por uma amizade que vai amadurecendo, com sentimentos e gostos semelhantes.
Pragma: um amor mais egoísta, pragmático que surge geralmente com um objetivo, com uma necessidade que beneficia apenas uma pessoa.
Mania: onde a emoção fala mais forte, muito instável e se aproxima do sentimento de paixão que pode evoluir para um ciúme doentio e sentimento de posse.
Psicologismos à parte, o que será, entre nós, sabedores do senso-comum, o amor? Será uma mistura entre loucura e paixão, sentimentos que centralizam o nosso pensamento única e exclusivamente na pessoa que amamos? Ou será um sentimento de desejo incontrolável que nos torna incessantemente ansiosos por estar com o outro, numa troca recíproca de carinho, afeto, confidências, palavras e olhares? De fato, o amor pode ser uma conjugação de todos estes aspectos, em que nenhum é dispensável, mas todos são imprescindíveis.
Numa tentativa de simplificar a definição de Amor, os psicólogos sociais recorreram à definição de seis diferentes formas de amar. São elas seis: 1) o amor romântico - envolve paixão, unidade e atração sexual mais usual na adolescência; 2) o amor possessivo - determinado pelo ciúme, provocando emoções extremas; 3) o cooperativo - nasce de uma amizade anterior, sendo alimentado por hábitos e interesses comuns; 4) o amor pragmático - característico de pessoas ensinadas a reprimir os seus sentimentos, o mais possível, sendo estas relações desprovidas de qualquer manifestação de carinho; 5) o lúdico – baseia-se na conquista e na procura de emoções passageiras; 6) o amor altruísta - praticado por pessoas dispostas a anular-se perante o outro, tendendo a "isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e atue exatamente ao contrário".
Há quem defenda que o amor é uma história construída ao longo da vida que, no correr do tempo, transpõe a mera atração física, passando para uma preocupação com o bem-estar do outro para o seu próprio bem-estar. Manifesta-se numa influência mútua, no qual a (in) felicidade de um causa a (in) felicidade do outro. A paixão e o desejo tendem a não ser tão intensos, fortalecendo-se antes a cumplicidade, a intimidade e o companheirismo.
Vejo, por meio de tantas leituras, que nenhum amor é eterno. Isso significa que se Shakespeare, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Camões, não fizeram poemas com juras eternas, nem amores eternos, quem criou essa coisa de “para sempre” fomos nós humanos. Nenhum amor é eterno, por isso mesmo a pessoa tem que aproveitar todos como se fossem, porque cada amor é único, tem que ser vivido da forma mais intensa possível, todos os dias tem que ser guardado na memória como um sentimento sublime.

DICAS DE GRAMÁTICA
Uso de “MAU” ou “MAL”
MAU é o oposto de “bom”, como no exemplo: “Eu sou mau. Vou para o inferno”
MAL é o oposto de “bem”, como no exemplo: “Ele fala muito mal“. Ele não fala bem.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PORTUGÊS VERSUS INGLÊS




Uma língua é fundamentalmente um fenômeno oral. Nunca é demais recordar a importância da forma oral da língua. A forma escrita é mera decorrência da língua falada. Estudar pronúncia é olhar para aquilo que não se enxerga, mas que é a essência da língua.
Por isso mesmo, diferentes línguas podem ter dois códigos de comunicação totalmente diversos; ou, em alguns casos, até mesmo concepções diferentes de interação humana como resultado de profundas diferenças culturais. Este é, por exemplo, o caso do idioma japonês, quando comparado a qualquer uma das línguas europeias. É necessário ter uma mente japonesa, dizem, para se poder falar japonês corretamente - o que sem dúvida é verdadeiro.
Felizmente as diferenças entre português e inglês não são tão profundas. Devido a origens comuns - a cultura grega, o Império Romano e seu idioma, e a religião Cristã - todas as culturas europeias e suas línguas podem ser consideradas muito próximas no contexto amplo das línguas do mundo. Poderíamos, por exemplo, dizer que a língua espanhola é quase irmã gêmea do português; a língua italiana, sua meia-irmã; o francês, seu primo; e o inglês, talvez um primo de segundo grau.
Além das origens comuns que diminuem diferenças culturais, semelhanças linguísticas entre inglês e português ocorrem, predominantemente, apenas no plano de vocabulário, quando na forma escrita. Estruturação de frases e, especialmente pronúncia, apresentam profundos contrastes. Numa análise superficial das diferenças no plano da pronúncia, podemos relacionar as seguintes diferenças:
CORRELAÇÃO PRONÚNCIA x ORTOGRAFIA: A primeira grande dificuldade que logo salta aos olhos (e aos ouvidos) do aluno principiante é a difícil interpretação oral das palavras escritas em inglês. No português, a interpretação oral de cada letra é relativamente clara e constante e, no espanhol, é quase perfeita esta correlação. No inglês, entretanto, não apenas é pouco clara e às vezes até muda, como altamente irregular. Ex: literature [lItrâtshuwr], circuit [sârkât]. Veja Correlação Ortografia x Pronúncia.
RELAÇÃO VOGAIS x CONSOANTES: O inglês faz um uso do sistema articulatório e exige um esforço muscular e uma movimentação de seus órgãos, especialmente da língua, significativamente diferentes, quando comparado à fonética do português. A articulação de muitos sons do inglês bem como de outras línguas de origem germânica, pode ser facilmente classificada como sendo de natureza difícil. Isto está provavelmente relacionado ao fato de que o inglês é rico na ocorrência de consoantes enquanto que o português é abundante na ocorrência de vogais e combinações de vogais (ditongos e tritongos). Ex: December is the twelfth month of the year. / Eu vou ao Uruguai e o Áureo ao Piauí. / Eu sou europeu.
SINALIZAÇÃO FONÉTICA: O inglês é uma língua mais econômica em sílabas do que o português. O número de palavras monossilábicas é muito superior quando comparado ao português. Ex:
beer / cer-ve-ja
book / li-vro
car / car-ro
dream / so-nho
head / ca-be-ça
house / ca-sa
milk / lei-te
speak / fa-lar
trip / vi-a-gem
white / bran-co
wife / es-po-sa
write / es-cre-ver
            Além disso, a média geral de sílabas por palavra é inferior, pois mesmo palavras polissilábicas e de origem comum, quando comparadas entre os dois idiomas, mostram uma clara tendência à redução em inglês. Ex:
gram-mar / gra-má-ti-ca
mo-dern / mo-der-no
na-ture / na-tu-re-za
te-le-phone / te-le-fo-ne
com-pu-ter / com-pu-ta-dor
prin-ter / im-pres-so-ra
air-plane / a-vi-ão
psy-cho-lo-gy / psi-co-lo-gi-a
            Em frases, este fenômeno tende a aumentar. Ex:
Let's-work (2 sílabas)
I-like-be-er (4 sílabas)
How-old-are you? (4 sílabas)
I-want-cof-fee-with-milk (6 sílabas)
Did-you-watch-that-mo-vie?
(6 sílabas)
Va-mos-tra-ba-lhar (5 sílabas)
Eu-gos-to-de-cer-ve-ja (7 sílabas)
Quan-tos-a-nos-vo-cê-tem? (7sílabas)
Eu-que-ro-ca-fé-com-lei-te (8 sílabas)
Vo-cê-as-sis-tiu-à-que-le-fil-me? (10 sílabas)
Estudos de fonoaudiologia demonstram que a baixa média de sílabas por palavra do inglês se traduz numa dificuldade maior de percepção por oferecer uma menor sinalização fonética bem como menos tempo para decodificar a informação. Isto se traduz também num grau de tolerância inferior para com desvios de pronúncia. Veja Sinalização Fonética.
NÚMERO DE FONEMAS: Outra diferença fundamental é encontrada no número de fonemas vogais. Devido à economia no uso de sílabas, o inglês precisa de um número maior de sons vogais para diferenciar as inúmeras palavras monossilábicas. Enquanto que português apresenta um inventário de 7 vogais (não incluindo as variações nasais), no inglês norte-americano identifica-se facilmente a existência de 11 fonemas vogais. Logicamente a percepção e a produção de um número maior de vogais do que aquelas com que estamos acostumados em português representará uma grande dificuldade. Veja-se, para contribuir mais, vogais do português e do inglês.
Encontram-se, também, diferenças no plano dos sons consoantes. Além de rico na ocorrência de consoantes, o inglês possui um número maior de fonemas consoantes. Estudos fonológicos normalmente classificam 24 consoantes em inglês contra 19 no português. Além disso, consoantes em inglês podem ocorrer em posições que não ocorreriam em português. Veja-se, também, Consoantes do Português e do Inglês.
ACENTUAÇÃO TÔNICA: Acentuação tônica de palavras é outro aspecto que representa um contraste importante entre português e inglês. A forma predominante de acentuação tônica de uma língua influi significativamente na sua característica sonora. Enquanto que em português encontramos apenas 3 tipos de acentuação tônica - oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, - sendo que a acentuação paroxítona é a predominante, em inglês encontramos pelo menos 5 tipos de acentuação tônica e nenhuma predominante. Veja-se, ainda, acentuação tônica das palavras em inglês e em português.
 RITMO: O ritmo da fala também é uma característica importante da língua. Enquanto                        que o português é uma língua syllable-timed, onde cada sílaba é pronunciada com certa                     clareza, o inglês é stress-timed, resultando numa compactação de sílabas, produzindo                    contrações e exibindo um fenômeno de redução de vogais como consequência. Vejam-se mais sobre este tema em ritmo e fenômeno das reduções de vogais.
Qualquer estudo de diferenças fonéticas entre inglês e português, bem como o estudo da correlação entre a ortografia e a pronúncia do inglês, mesmo que superficiais, servem de evidência de que não há aprendizado de inglês se não houver intenso contato com a língua na sua forma oral.
Seria mais eficaz proporcionar ao jovem 3 ou 4 anos de contato com a língua falada, na escola de ensino fundamental, do que os 7 ou 8 anos de contato com a língua escrita (predominantemente tradução e gramática) atualmente oferecidos no ensino médio e escolas superiores.

DICAS DE GRAMÁTICA
COMO USAR “A PRINCÍPIO” ou “EM PRINCÍPIO”, PROFESSORA?
- EM PRINCÍPIO é o mesmo que “em tese”, “de um modo geral”, como na frase “Em princípio, achei você uma pessoa muito legal”
- A PRINCÍPIO significa “começo”, “início”, como na frase “A princípio, achei você uma pessoa muito legal. Mas depois percebi que me enganei.”
 DEMAIS ou DE MAIS?
- DEMAIS pode ser usado como advérbio de intensidade no sentido de “muito”, e também como pronome indefinido no sentido de “outros”. Como na frase “A situação deixou os demais candidatos chateados demais!”
- DE MAIS é o oposto de “de menos” e são sempre referidos a um substantivo ou pronome. Exemplo: “Existem candidatos de mais para eleitores de menos“.

PAPEL DA INTERNET NA VIDA DAS PESSOAS






Verdade incontestável é que a internet proporciona inúmeras formas de comunicação entre os seres humanos, em todo o mundo. É possível, com apenas um clique, interagir com pessoas de todo o planeta, a qualquer momento. A distância, no ciber espaço da internet não existe, as pessoas ficaram próximas e realizam a comunicação por meio de redes sociais como Facebook, Twitter, Messenger, WhatsApp e muitos outros meios que ainda irão aparecer. Quando se fala em internet é tudo muito rápido e também perigoso. Toda atenção ainda é pouco. Há muita gente disfarçada, com cara ou sem cara, na tentativa de enganar, iludir os outros.
Atualmente, com a popularização e a democratização ao acesso nas redes sociais, toda a sociedade, de diversos países, organiza-se por meio da internet. Isso porque as redes sociais que antes eram apenas meios de entretenimento e diversão, hoje ganham força para protestos, coberturas de conflitos, guerras, política, assuntos polêmicos, conflitos étnicos, manifestações, encontros sociais e amorosos, relacionamento e informação de todo tipo. É um espaço aberto e democrático para pobres e ricos. A Internet não faz nenhum tipo de discriminação com ninguém.
Sendo assim, a internet é um território livre para todas as pessoas exporem suas ideias, suas opiniões e seus comentários sobre qualquer assunto. Todavia, é espaço que requer atenção, cuidado, pois é um veículo que pode ser perigoso e usado também contra pesoas, ou seja, prejudicando a imagem, a idoneidade. Não se deve prejudicar a imagem de ninguém ou levantar suspeitas sobre qualquer pessoa. Aí também muitos crimes são cometidos.
Contudo, a nossa vida está estreitamente ligada, cada dia mais, nesse mundo tecnológico, onde as redes sociais têm um papel importantíssimo, principalmente o Facebook e o WhatsApp, porque eles influenciam o nosso dia a dia, tanto de forma positiva quanto negativa. Mas quais são essas influências? De igual modo, do jeito que provocam espontaneidade nas pessoas, afetividade (nas trocas amorosas), esses recursos também fazem as pessoas mais frias e menos sentimentais. Dizem-se coisas aos outros sem medir os sentimentos, os desapontamentos, tais como as expressões de censuras, as indiretas maldosas, os textos vazados de despeita ou inveja. Também se dizem inverdades, tais como: você está belíssima, encantadora, sedutora, jovem, exuberante etc, quando a pessoa que recebe o elogia não possui nenhum desses traços. Enfim, é um mundo de verdades e mentiras. É um jogo de agradar e desagradar. Enquanto tanta gente elogia há àquelas pessoas de “olho grande”, a tecer palavras maldosas. As redes sociais expõem intimidades, isso é ruim.
Mas é inegável que as redes sociais podem aproximar as pessoas, podem ajudar a divulgar o trabalho de alguém, podem ser uma imensurável fonte de troca de conhecimento, podem mobilizar milhares de pessoas para buscar mudanças em prol do bem comum. Todavia, podem trabalhar pra o mal quando se tornam uma válvula de escape para os desgostos e frustrações da vida de alguém. De fato, muita gente quer simplesmente descarregar tudo o que sente, até aquilo que come e sonha. Com isso passam a ter vida dupla, uma real e a outra virtual. Nesta última a pessoa se perde consigo mesma, já não sabe os sentimentos reais e verdadeiros; os amigos reais e verdadeiros.
Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Maryland, nos EUA, em 2013, eles deixaram mil estudantes universitários, de 37 países, sem acesso a internet, e outros meios de comunicação, durante 24 horas. Ao fim deste período de tempo cerca de 20% dos estudantes demonstraram uma espécie de síndrome de abstinência tecnológica, e descreveram alguns sentimentos que sentiram como 'desespero', 'vazio' e 'ansiedade', respostas parecidas com as de uma pesquisa feita há pouco tempo pela empresa tecnológica TeleNav, também nos EUA. Ou seja, a Internet já se tornou nociva e viciante, igualmente uma droga. Ficar sem energia elétrica é ruim; sem Internet é desesperador. Sem Internet, hoje, o mundo fica paralisado.
Também a Internet motiva pessoas a criarem aparências falsas, quando permite criar perfis como cada um deseja ser ou como se acha ser. O fato é que todas essas facilidades têm propiciado comunicação e relações cada dia mais superficiais e vagas. As interações reais, as conversas “olho no olho”, são, a cada dia, menos comuns; enquanto a solidão, o egocentrismo, a carência, o narcisismo, o individualismo são crescentes, o que nos faz questionar se tais avanços tecnológicos são realmente uma evolução. Talvez sim, pois depende do uso que fazemos; mas claramente têm nos trazido inúmeros prejuízos. Poderiam ser citados muitos como a falta de segurança e privacidade, os perfiz falsos, o furto de imagens (Vi um perfil no Facebook com uma foto minha) a vulgarização do bullying, a pedofilia, a pornografia, o excesso de marketing, a disseminação de informações inúteis com as quais somos bombardeados todos os dias, a desvalorização da língua portuguesa  (fato gravíssimo), a falta de incentivo ao estudo e à leitura, dentre tantos outros. Poder-se-ia citar todos estes problemas, mas a intenção do texto é demonstrar a mecanização das pessoas, fato que prece o pior de todos, alavancado pelas redes sociais.
A banalização dos sentimentos através de felicitações frias de aniversário; amizades supérfluas que terminam por causa de comentários que expressam opiniões diferentes; “curtidas”; repetidas frases de autoajuda; redes de orações; declarações exaltadas de amor com emoticons de carinhas sorrindo e corações. Tudo isto e muito mais são coisas tristes de se ver, pois nos impede de mostrar, plenamente, aquilo que existe de mais belo na natureza humana: os sentimentos.
Assim, pensamos que as tecnologias podem sim ser muito úteis para a humanidade (já o foram bastante), mas cabe a cada pessoa saber como usá-las, sem que se prejudiquem. Afinal, as tecnologias são para nós as utilizarmos ou para elas nos utilizarem? Nós necessitamos de um aperto de mão, um abraço apertado, palavras de carinho ditas ao ouvido, enfim, beijos e carícias. Isso a tecnologia nunca poderá nos oferecer.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O PORTUGUÊS DO BRASIL: PROIBIÇÕES E HERANÇAS




O idioma português chegou ao território brasileiro a bordo das naus portuguesas, no Século XVI, para se juntar à família linguística tupi-guarani, em especial o Tupinambá, um dos dialetos Tupi. Os índios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa “língua geral” - o Tupinambá. Em 1694, a língua geral reinava na então colônia portuguesa, com características de língua literária, pois os missionários traduziam peças sacras, orações e hinos, na catequese.
Com a chegada do idioma iorubá (Nigéria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da África, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presença política. Uma das primeiras medidas que adotou, então, foi obrigar o ensino da Língua Portuguesa aos índios.
Lei do diretório - Em seguida, o Marques de Pombal promulgou a Lei do Diretório (1757) que abrangia a área compreendida pelos estados do Pará e do Maranhão, um terço do território brasileiro de então. Esta lei considerava a língua geral uma “invenção verdadeiramente abominável e diabólica” e proibia às crianças, filhos de portugueses, e aos indígenas aprenderem outro idioma que não o português.
Em 1759, um alvará ampliou a Lei do Diretório: tornou obrigatório o uso da língua portuguesa como idioma oficial em todo o território nacional. Portanto, ao longo de dois séculos, o Brasil possuiu dois idiomas: a língua geral ou tupinambá e o português.
Português no mundo - Hoje, o mundo que fala português (lusófono) soma cerca de 240 milhões de pessoas. É o oitavo idioma mais falado no planeta e a terceira entre as línguas ocidentais, após o inglês e o castelhano. É, ainda, o idioma oficial de sete países, todos eles ex-colônias portuguesas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Os indígenas – legaram muitas palavras ao português brasileiro ligadas à fauna, flora, toponímia, tais como: - Oi: saudação tupi; Pererê (forma apocopada de perereca – pere’eka = ir aos saltos): aquele que anda pulando, vindo daí o personagem saci-pererê, que possui uma única perna; Pororoca/peruruca (apopora/poporak = pular): pipoca; fenômeno da região amazônica, quando o rio Amazonas se encontra com o mar;Sururu (seru’ru = mexilhão): mexilhão; revolta, motim; Tapera (taba = aldeia + puera = o que foi): aldeia abandonada; casa em ruínas;Tiririca (aimotyryryk = arrastar): planta que se espalha; Diz-se também da pessoa que ficou zangada, enfezada.
Os africanos - contribuíram com muitas palavras, tais como: Divindades, conceitos e práticas religiosasOxalá, Ogum, Iemanjá, Xangô, pombajira, macumba, axé, mandinga, canjerê, gongá (ou congá); Comidas e bebidasQuitute, vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, quibebe, farofa, quindim, canjica e possivelmente cachaça; Topônimos, isto é, nomes de lugares e locais Caxambu, Carangola, Bangu, Guandu, Muzambinho, S. Luís do Quitunde; cacimba, quilombo, mocambo, murundu, senzala; Roupas, danças e instrumentos musicaisTanga, miçanga, caxambu, jongo, lundu, maxixe, samba, marimba, macumba (antigo instrumento de percussão), berimbau; Animais, plantas e frutosCamundongo, caxinguelê, mangangá, marimbondo, mutamba, dendê, jiló, quiabo; Deformidades, doenças, partes do corpoCacunda, capenga, calombo, caxumba.
Os italianos – muitas palavras, como nos poucos exemplos: Lasanha: lazanha/lasanha; Nhoque: nhoque/ nhioque; Espaguete: spaguetti/espaguete/ spaghet; Muçarela: mussarela/musarela/muzzarella; Pizza: piza; Talharim: taglierini; Ravióli: ravióli; Panetone: panetone, Cantina,Caricatura, Fiasco, Bravata, Poltrona, Alegro, Aquarela, Bandolin, Camarim.
Os franceses: Restaurante,Manchete, Garçon,Vernissage, Echarpe, Tricô, Abajur,  Chofer,  Butique,  Laquê, Bisturi, Bureau, Buquê, Boné, Toalete, Purê, Cabaré, Cabina, Cachecol, Buffet,  Buquê, Bidê, Bibelô, Avalanche, Paletó, Pane, Pasteurizar, Pivô, Placar, Plaqueta, Platô, Plissado.
Os espanhóis – Cavalheiro, Lhano, Airoso, Cabecilha,Caudilho, Guerrilha,Ganadaria, Bandarilha, – Muleta, Faina, Trecho,Tijolo, Moçoila, Hediondo, Moreno.
Os gregos - há inúmeras palavras de origem grega usadas no dia-a-dia: autóctones, crônica, demônio, fantasma, órfão, salamandra, bolsa, corda, caixa, ermo, golfo, gruta, tio, anjo, bispo, crisma, diabo, esmola, igreja, mosteiro, farol, guitarra, falange, gesto, sugestão, tigela, cara, calma, governar, alergia, gravador, eletrônica, filosofia, biologia etc.
Os árabes - naquilo que toca à significação dos arabismos do português, apontam-se as seguintes categorias semânticas: 1) designações de cargos e dignidades: alcaide, alferes, almoxarife; 2) termos castrenses: arraial, arrebate, alcácer, alcáçova, atalaia; 3) de administração: aldeia, arrabalde, alfoz; alfândega, alvará, almoeda; 4) de plantas cultivadas e silvestres: arroz, algodão, alcachofra, cenoira, laranja, açúcar, alfarroba, alecrim, açucena, alfazema; 5) de profissões e indústrias: alfaiate, alveitar, almocreve, alvanel, algoz, azenha, atafona, adobe; 6) de unidades de medida: almude, arrátel, alqueire, arroba; 7) de animais: atum, alcatraz, alforreca, alacrau, javali, 8) de particularidades topográficas: albufeira, alverca, algar, lezíria, recife; 9) de artigos de luxo e instrumentos de música: almofada, alcatifa, marfim, alfinete, adufe, rabeca, anafil, alaúde; 10) de produtos agrícolas e industriais: azeite, álcool, alcatrão; 11) da vida pastoril: zagal, alfeire, rês, tabefe, almece; 12) de arquitetura: aljube, chafariz, açoteia, alvenaria; 13) das ciências exatas: algarismo, álgebra, cifra, auge, etc. Há, também, o adjetivo <>, o pronome indefinido <>, a interjeição <>, a preposição <>.
Os alemães - O nosso chope de cada dia não tem a ver, na sua etimologia, com a palavra cerveja, tratando-se de uma unidade de medida originada do alemão Schoppen, equivalente a cerca de meio litro.
Avista-se, então, que a globalização não traz nenhum prejuízo a nenhum idioma. Pelo contrário, transporta um grande enriquecimento. Uma língua falada ganha muita dinamicidade, que deve acompanhar a vida das pessoas, nas suas mudanças e transformações no curso do tempo. Assim como as pessoas empreendem viagens, assim também a língua. Se o idioma fica parado, estático, ele fenece, morre. A dinamicidade da vida, a modernidade do mundo, colocam as pessoas, as culturas, as línguas, num circuito global, daí os empréstimos de um idioma para outro.

DICAS DE GRAMÁTICA

 “AO NÍVEL DE” ou “EM NÍVEL DE”, PROFESSORA?
- AO NÍVEL DE significa “à mesma altura”, como no exemplo “A cidade do Rio de Janeiro fica ao nível do mar, enquanto Brasília é mais alto”
- EM NÍVEL DE é o mesmo que “no âmbito de” e indica escopo. Exemplo: “A decisão foi tomada em nível de direção, não cabe recurso”
Dica: por favor, aprenda que não existe a expressão a nível de” como muitos gostam de falar por aí.
A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.