quinta-feira, 30 de julho de 2015

DISCURSO DE POSSE DE NOVOS MEMBROS DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

 

 

Luisa Galvão Lessa Karlberg

Presidente da Academia Acreana de Letras

Apresento-vos, em nome do sodalício da Academia Acreana de Letras, palavras de agradecimento, alegria e gratidão. Elas se estendem a todos os convidados presentes e àqueles que estão aqui em pensamento. Cumprimento as autoridades, os familiares e amigos que aqui se juntam a nós, alegrando, com suas presenças, esta bela noite. Agradeço ao Colegiado Acadêmico da nossa AAL, pela calorosa acolhida que dão aos novos membros do sodalício.À Comissão de Posse da AAL pelo primor de organização da solenidade.

Digo-vos que a Academia Acreana de Letras é uma instituição de literatos, historiadores, professores, linguistas, médicos, advogados, jornalistas, antropólogos, pedagogos, juristas, teólogos, artistas. Tem por objetivo principal cultivar, estimular o culto ao idioma pátrio, a produção, a divulgação literária, a pesquisa científica e social no Acre. Importante, para nós, é que desse diversificado colegiado tenhamos produções literárias que deem voz ao Estado do Acre, a exemplo de outras unidades da Federação. O culto ao idioma pátrio é dever de todos, porque escrever é doar ao mundo aquilo que existe dentro do nosso mundo.

O Acre, berço de uma história ímpar, no Brasil, destaca-se, diante do mundo, por sua história inigualável. Ainda, por sua posição geográfica, estando ao lado de países andinos e, também, por situar-se no centro-oeste da Amazônia, lugar habitado por gente hospitaleira, ordeira, gentil. E, nesse cenário, a Academia Acreana de Letras, através dos seus confrades, vem prestando relevante papel junto à sociedade, na contribuição lítero-cultural.

Hoje, novos acadêmicos são empossados:

---- Renã Leite Pontes, que tem por antecessor José Higino de Sousa Filho, homem de integridade ímpar, primoroso nas letras de seus belos romances. E, nesse cadeira senta Renã, um homem de caráter ilibado, profissional brilhante, professor, poeta internacional, sonetista grandioso, amigo dos amigos, esposo exemplar tal qual o Higino. Esta casa Vos acolhe com a alegria do presente e a saudade do passado.

---- Arquilau de Castro Melo, tem por antecessor Omar Sabino de Paula, um jurista renomado que tantos feitos legou ao Acre. Em sua cadeira chega Arquilau de Castro Melo --Desembargador aposentado, advogado, estudioso da literatura regional -- com a mesma precaução, cuidado, zelo, compromisso com o Acre. Estudioso não apenas do Direito, senão também da Literatura, onde encontrou em Euclides da Cunha a vocação para desvendar o Eldorado Brasileiro que se acreditava achar escondido no coração da floresta amazônica. Este foi o sonho alimentado por muitos exploradores e cientistas europeus, do inicio do século XX. E foi nesse universo que deu-se o encontre de Arquilau com Euclides da Cunha, que o trouxe, nesta noite, à AAL.

----- Reginâmio Bonifácio de Lima, que tem por antecessor Manoel Mesquita. Reginâmio é amante das Letras, da Teologia, da História. Ciências ligadas à vida, à linguagem. Também possui similaridade com o antecessor que tanto amava a Academia, a história regional. Reginâmio convive com os infantos, e neles encontra a pureza, muitas, vezes, perdida nos adultos. Mas acredita, assim como nós do sodalício, que ora abraça, que a verdadeira literatura purifica almas, igualmente a ciência, como Pesquisador do CNPq e Professor da UFAC.

----- Gilberto Braga de Mello, que tem por antecessor Francisco Thaumaturgo, homem que tanto fez pelo Acre, pela Cultura, pela política. Gilberto, um advogado e jornalista, debruçado em marketing e propaganda, vai tecendo sua literatura em meio à política, preocupado com o social, a região, as pessoas. Não são caminhos opostos, eles se confluem no observar os cenários para modificá-los, sempre em prol do bem comum, do sonho de toda uma sociedade.Aqui, Gilberto, na sua arte, realiza uma procura apaixonada, tanto na literatura quanto na política. E, em ambas, a comunicação, o discurso, o texto, é que realiza os propósitos e sonhos, para que não fiquemos “de bubuia”, na vida, como descreve essa expressão, em seu dicionário.

Senhoras e Senhores, Acadêmicos, a AAL, como ícone maior da Língua e Literatura de expressão portuguesa no Estado do Acre, arcando com o ônus do protelamento de inserir os nomes de Vossas Excelências em seu Quadro de Acadêmicos,(foram eleitos há mais de 1 ano) cumpre, hoje, o nobre dever de justiça, de incluí-los como Membros Titulares e imortais do nosso sodalício, enaltecendo-os como quatro próceres da Cultura e Literatura Acreana.

Então, senhoras e senhores, estimados confrades e confreiras, é meu dever sagrado, nesta noite, evocar os antecessores, buscar cumplicidade com as experiências passadas, com as histórias humanas que já se foram, com as existências que lutaram e superaram suas contingências. Celebra-se, portanto, nesta noite, a feliz coincidência de contar com antecessores que trilharam caminhos tão semelhantes aos que os novos confrades irão percorrer. E, sob a inspiração desses antecessores, com o espírito pacificado e a vaidade sob intenso controle, desejamos que abracem este momento de Vossas vidas, sem perder de vista o legado que terão que deixar na bagagem que trazem hoje e naquela que irão consolidar junto ao sodalício. O nosso desafio social, cultural e linguístico é imenso.

Entrar numa Academia de Letras não torna ninguém melhor escritor, não transforma nulidades em criadores, medíocres em gênios. Mesmo porque a humanidade é gregária e associativa, as Academias de Letras reúnem criaturas que desejam superar suas próprias limitações, pessoas inconformadas consigo mesmas, com as injustiças do existir, com a própria finitude da vida. E porque as mais nobres ações humanas são voltadas para a defesa da vida, esses que se associam, na Academia de Letra, escolheram as palavras, a criação literária, como arma para enfrentar a brevidade da vida. Ars longa, vita brevis, disseram os antigos. A arte perdura, a vida é curta.

Assim, Renã, Arquilau, Reginâmio e Gilberto nós, da Academia, nos identificamos por afinidades culturais, linguísticas e literárias. Comungamos dos mesmos ideais: olhar um Acre sempre altaneiro, igualmente a bandeira hasteada no pavilhão do Estado que se fez brasileiro.

Sentimos, que este Sodalício, na noite de hoje, está feliz. Sentimo-nos honrados, orgulhosos e cativados por Vossas Excelências, pela bagagem que trazem convosco para esta Casa de saber. Todavia, estamos cientes dos desafios que este século XXI nos impõe. A verdade é que vivemos na época da velocidade, das gigantes aeronaves, da Internet, do WhatsApp, do Tuitter, mas nos sentimos enclausurados no tempo da ciência revolucionária, da tecnologia que fecha e abre mundos. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; a nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Dizemos uma coisa e fazemos outra. Beijamos alguém que dizemos amigo e o apedrejamos quando nos dá às costas. Que mundo é esse que tanto oferece e tanto nos tira? Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A Internet fez do mundo uma aldeia, assim como a Televisão. Mas pensando bem, a própria natureza desses inventos só faz sentido se o mundo for melhor. E, para isso, as pessoas precisam ser melhores. Tudo isso é um apelo eloquente à bondade do ser humano... um apelo à fraternidade ... ao companheirismo... à união de todos nós em prol do bem comum. E um desses bens maiores reside no mundo das letras, da literatura, que é a expressão da sociedade, assim como a palavra é a expressão do ser humano. E para viver bem e feliz devemos ser terrivelmente sinceros. No entanto, vive-se um paradoxo. É incrível, quando se atinge a verdade passamos a fazer ficção, que é a invenção ou criação. Devemos ter cuidado, atenção com as palavras, armas de constroem, mas que também destroem o mundo, a vida, as pessoas.

Mas de tudo que digo, o mundo da literatura, das letras, é fantástico, nos permite navegar por muitos mares. A esse respeito, escutemos a voz de grandes literatos:

Mário Quintana - Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."

Fernando Pessoa - "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta".

 
 

Machado de Assis – “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem."
Goethe - O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”.

Salamah Mussa - Não é a beleza mas sim a humanidade o objetivo da literatura”.

Émile Zola - “Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa”.

Max Frisch – “A literatura pode ser uma boa terapia pessoal, uma espécie de psicanálise na qual não se paga um psicanalista”.

Roland Barthes - “A literatura não permite caminhar, mas permite respirar”.

Cesare Pavese - “A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida”.

Adrian Frutiger - As páginas mais belas de um texto são aquelas em que todas as letras compõe uma unidade em perfeita harmonia”.

Perboyre Sampaio - “Quando um texto nasce, já cumpriu sua principal função: harmonizar a alma de quem o criou”.

Saunders Lewis - Está claro que o "homem comum" não pode entender o extraordinário, exceto na plenitude do tempo; e o extraordinário é a essência da literatura".

Fernando Pessoa - "A literatura torna o mundo real, dando-lhe forma e permanência".

 
 
 
 

Caríssimos confrades, tendo eu a cultura e o saber como causa acadêmica e projeto de vida, não poderia saudá-los se não conhecesse a escrita. Esta questão do que é a sabedoria, e da dificuldade de compreender as informações que se tem, é a grande agonia do tempo atual, da sociedade da informação, em que faz chover, como tempestade, e inunda as pessoas de tanta informação, assim como a enchente que invade os rios amazônicos e fazem as nossa alagações.

Por fim, eu não vou mais cansá-los, senhoras e senhores, confrades e confreiras. Percorri este caminho para enaltecer a chegada destes ilustres pares à Academia Acreana de Letras. Mas o percorri, sobretudo, porque foi a escrita que nos fez, embora em ofícios distantes, comungar um mesmo ideal: o idioma pátrio, a cultura, a literatura. É a escrita que promove o grande encontro desta noite.

Vindes, Renã, Arquilau, Gilberto, Reginâmio, integrar-vos ao seleto pugilo – com a só exceção desta que vos fala --- de gente distinguida, condutora e defensora dos ideais mais nobres, eis que promanam do culto à sagrada Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.

Labor omnia vincit improbus... O trabalho perseverante vence tudo.

Muito OBRIGADA e tenham todos uma Boa Noite!

DISCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

 

Luisa AAL flores

Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg

Recebo, com honra e humildade, a Presidência da Academia Acreana de Letras. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco -- nunca imaginei chegar a esta instituição. Agradeço aos confrades que aqui me conduziram, por meio de uma eleição ampla, irrestrita e democrática, da Diretoria intitulada “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

E, nesta breve mensagem eu me curvo diante deste sodalício que me elegeu à Presidência da mais elevada instituição de cultura do Acre: a Academia Acreana de Letras. Quem conhece o berço da imensa Selva Amazônica sabe de onde vim e dos caminhos que percorri na vida. Muitos sabem como se faz para se alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos na misteriosa floresta que embala as nossas vidas. Aprendi, desde cedo, a olhar acima da copa das árvores e saber que havia um mundo para conquistar e o caminho era o da educação, das Letras. E nessa área fui aluna de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Levei a vida inteira a estudar, desde os 5 anos de idade.

Sou uma cabocla, mesclada com o sangue português e holandês, mas me vejo, hoje, tomada de emoção. Não de tristeza, mas de intensa gratidão aos nobres confrades que a vida me presenteou como bons e fraternos amigos. O senhores sabem, assim como eu, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu.

A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfrentamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da própria existência. E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem. Eu não me escondo, não tenho a alma subalimentada de sonhos, sempre fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, com dignidade.

Sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir para longe e ele me dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a saída para quem não possui riqueza material”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento. Compreendi, desde cedo, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e fazer o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu ou viveu no seio da Floresta Amazônica, como eu -- dentre tantos outros aqui presentes – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.

E, agora, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – quando vejo o filme de muitas histórias da minha vida – eu digo o seguinte: - o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte à minha vida, assim como o saber, a cultura, os meus pais, minhas duas filhas, meus dois netos, os amigos, minha sublime profissão de professora, pesquisadora, educadora. Desta última, fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre.  Como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E tudo indica que vamos afinar ainda mais a canção acreana e porque não dizer brasileira, com essa Diretoria “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

Aqui, fiz breve relato da mulher que hoje se coloca diante da sociedade acreana como Presidente da Academia Acreana de Letras. Nesse cargo dedicarei o melhor dos esforços para cumprir os objetivos da AAL diante da sociedade regional e brasileira. Sou do mundo das Letras, e sei que produzir literatura é algo difícil para quem vive mergulhada no mundo da ciência. Mas eu já compreendi que a literatura antecipa a existência. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios, como está fazendo agora. Pois é a literatura uma arte que nos defende contra as ofensas da vida.

Esta Casa, que a partir de agora presido, é uma Academia. A importância das Academias de Letras flui do liame profundo que existe entre estes sodalícios e a cultura. Aqui, no Acre, sua importância salta aos olhos mais atentos de quem olha a cultura como um motor que traduz a vida em sociedade. Isso porque Cultura significa cultivar, do latim colere. Genericamente, a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano.

E, nesse contexto cultural, aqui no Acre, a Academia Acreana de Letras é, possivelmente, a maior referência no mundo cultural do Estado, uma vez que seus membros, chamados “imortais”, traduzem o lastro cultural do povo. Sendo assim, uma Academia tem o condão de desabrochar aspirações, e de estimular o desenvolvimento da literatura, além de premiar os méritos dos seus mais destacados cultores das letras. Deve penetrar nas regiões do Estado e fazer florescer os gênios dos vales do rio Abunã, Acre, Purus, Juruá. Neste último faço reverência ao meu berço natal: Tarauacá.

Então, falar em Academia é pensar em livros, penetrar na noite dos tempos para encontrar auroras boreais. E, com esta intenção, tateando no desconhecido, pouco a pouco, descobrem-se os indícios primeiros da arte de pensar. O fluir da vida vai acumulando experiência e sabedoria no delta da maturidade, que passa a ser um bem comum, usufruído por todas as gerações e idades, constituindo-se, desse modo, em patrimônio da própria sociedade.

Na Academia Acreana de Letras, cada geração deixa um legado: Amanajós de Araújo, Paulo Bentes, Omar Sabino de Paula, Mauro Modesto e Clodomir Monteiro da Silva. Processo vagaroso, a exigir tempo para tomar corpo e se mostrar. Assemelha-se à formação do universo que, em movimento rotatório, vai condensando energia, gás e luz, até assumir a fosforescência das galáxias, em expansão contínua, onde brilha a centelha da criação.

Por isso tudo entendo que uma Academia deve espelhar a alma, retratar o espírito, expressar a gênese e as potencialidades de um povo. Guardiã zelosa da língua, o maior patrimônio nacional, a Academia Acreana de Letras deve corrigir desvios, depurar o idioma e preservar sua integridade expressional. Nada distingue mais um povo do outro que sua literatura. No Acre, cabe à AAL resguardar as fontes puras de onde brotam o sentir e o externar das gentes, trabalhá-las e difundi-las para criar a literatura própria, imprescindível de um país enquanto nação. Será nesta Academia que deverão se organizar as trilhas literárias da região e do Estado. Nós, deste sodalício, confreiras e confrades, somos os herdeiros do esplendor do conhecimento humano. Vamos assumir nosso papel, a sociedade nos convida a este dever.

Neste pretendido mandato, a AAL deverá estar presente nas mais diversas discussões sociais, políticas e de caráter comunitário, devendo ser representada em vários conselhos, em nível federal, estadual, municipal. Também deverá promover, periodicamente, debates sobre questões atuais ou problemas regionais, assim como incentivar a produção literária e cultural no Estado do Acre.

Deverá, esta Academia, encadear discussões de natureza diversa:

Ø O idioma pátrio e a literatura de expressão regional;

Ø Trabalhar as questões culturais por bacias hidrográficas, com a participação efetiva dos acadêmicos, para descortinar o potencial humano dessas bacias; o potencial literário; o potencial histórico; o potencial ecológico; o potencial econômico, enfim, tudo aquilo que espelhar a cultura regional.

Ø Deverá a Academia otimizar políticas, junto ao Governo do Acre, para organizar antologias dos movimentos literários, para dar a conhecer ao Acre e ao país os monumentos de expressão acreana, bem como:

Ø Incentivar e promover encontros culturais para sedimentar, sempre, a produção literária;

Ø Estimular os Acadêmicos para profícua atuação junto à sociedade, no sentido de promover oficinas:

·de textos;

·de crônicas;

·de Poesia;

·de Gêneros Literários.

Ø Deverá a AAL realizar encontros de confraternização no meio acadêmico, não somente para festejar a arte do encontro, mas também para conhecer as produções dos confrades e confreiras, no sentido de confeccionar Antologias e discutir estratégias para divulgação das produções dos acadêmicos.

Ø Deverá fazer Concursos literários para incentivar novos talentos. Criar os programas "A Escola vai à Academia e a Academia vai à escola", para que os estudantes conheçam os acadêmicos escritores, cronistas, poetas, historiadores, juristas, literatos, linguistas e demais profissionais.

Essas propostas reúnem um pedaço do grande “TECIDO DA CULTURA ACREANA” que iremos tecer, de forma harmônica e compartilhada, sodalício, entidades, governos e sociedade organizada.

Essas propostas justificam o título da Diretoria” TECIDO DA CULTURA ACREANA” e de todo sodalício. É como pensa Max Weber, que o ser humano é um animal amarrado em teias de significação que ele mesmo teceu. O estudo da cultura não deve ser experimental à procura de leis, mas interpretativo, à procura do significado (Geertz, 1989, p. 15). Assim, como tecedor da cultura, o sujeito caracteriza-se pela atividade; é (re)criador/construtor da estrutura teia que o prende. Está-se diante da própria ideia de complexus, isto é, o que é tecido em conjunto, como diz Morin, (2001, p. 20). Assim, ao tecer a cultura (teia), o sujeito é tecido em conjunto (tece-a ao tempo em que é tecido nela).

De tudo que aqui falo, reflito, manifesto, digo aos senhores, senhoras, ao sodalício da AAL, que poderão apertar minhas mãos e sentir que estou afinada com a arte, a cultura, a vida e o humanismo. E que deixaremos, nessa geração de imortais, imenso legado cultural e intelectual como lição àqueles que chegam depois.

Conclui-se com a célebre frase de John Kennedy: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão, com certeza, perder o futuro”. Iremos trabalhar para dignificar a Academia Acreana de Letras, aproximá-la dos escritores, poetas, cientistas e a comunidade do Acre e do mundo. Aí, então, como diz o hino acreano:

(...) ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil

MUITO OBRIGADA!

O TEMPO É UM MESTRE

 

Luisa Karlberg          lessaluisa@yahoo.com.br

TEMPO

Muita gente vive pensando no tempo de ontem, outros no de hoje, alguns no amanhã, no tempo... Mas, afinal, o que vem a ser o tempo, como definir sua grandeza e dizer o que se faz com ele? A resposta não é simples. Exige reflexão, análise, coisa que ninguém gosta de fazer, por absoluta falta de tempo. Esse tempo que é uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. Esse tempo consumido quase que inteiramente na luta pela vida, na batalha diária que se estende durante anos, décadas.

A verdade é que durante o desenrolar da peleja cotidiana, dessa insana luta, algumas pessoas conseguem reservar umas poucas horas semanais para o lazer e o descanso. Todavia, não se organizam para meditar sobre as questões cruciais da vida. Para essas coisas não se dispõe de tempo, não se pode, absolutamente, perder tempo com isso. Enquanto para uns o tempo é demorado, ligeiro ele se faz para outros. Mas será isso verdade? Não será o tempo igual para todos?! Dizem, até, ser o tempo a coisa mais democrática que existe. Se assim é, ele é o mesmo para todas as pessoas.

No que diz respeito à velocidade, o tempo explica-se pela vivência. É a vivência do ser humano que muda a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registram numericamente a passagem humana dentro do tempo. O tempo não passa, as pessoas é que passam dentro dele. O tempo não é um acidente. Ele acompanha a pessoa humana desvendando o modo de cada um acompanhar a vida.

Para passar bem o tempo, esse mestre impiedoso, cada pessoa deve olhar a sua volta, ver os sinais do tempo que passou. Depois, perceber que é preciso compreender o tempo de cada coisa, para dar respostas ao que a vida pede e espera de cada criatura humana. E na distribuição do tempo de existência, há tempo para cada coisa, etapa, momento, sonho. Tempo para a luta, o trabalho o esforço. Tempo de enfrentar desafios e superar limites. Tempo de ser humilde e reconhecer-se limitado. Tempo de buscar a sabedoria do repouso, de pacificar os impulsos, ordenar os desejos, sem perder de vista os sonhos mais impossíveis...

Ainda, há nesta vida o tempo da novidade e da surpresa, do surpreendente e do inusitado, quando o espetáculo da vida é todo brilho, festa e luz. Há o tempo do cotidiano e da rotina, do encantamento dos pequenos gestos, das alegrias suaves e duradouras. O tempo de cada pessoa ficar consigo mesma. Tempo da necessária bem-vinda e frutuosa solidão. Tempo dos silêncios que falam. Tempo de recolhimento reflexivo ao mais profundo de cada ser. Tempo do encontro, da partilha emocionada de gestos e palavras, do abraço afetuoso, da expressão do desejo, da paixão, da amizade essencial.

Assim, o tempo não para, pois em todo o tempo que existe há aquele de grandes avanços e conquistas. Tempo de realizações de projetos e sonhos. Tempo em que tudo que se toca é ouro e alegria, tempo dos grandes e pequenos fracassos. Tempo de recuos estratégicos e outros, inevitáveis. Tempo de despedida, perdas, danos e ganhos. Tempo de voltar à estaca zero e começar tudo de novo. O tempo de envelhecer, perder células cerebrais, força muscular, a capacidade de enxergar de perto, de perceber os sons mais agudos e os cheiros mais sutis.

Aquele tempo inexorável, mestre impiedoso, que põe cinzas nos cabelos e deixa a mesa cheia de ausências. O tempo que passa carregando consigo o novo e deixando para trás o tudo que envelheceu.

Seguindo adiante, há muitos outros tempos, como aquele em que a vida fecha portas na cara. O tempo em que, por teimosia e coragem, a pessoa ousa escancarar janelas com vistas para montanhas e mares, horizontes e vales. O tempo em que a esperança é apenas um jeito de sentir saudade daquilo que virá, do que se vai construir. E, desse modo, em todo e qualquer tempo, é possível descobrir que, apesar de pequeno e frágil, os seres humanos são raros e preciosos. É preciso valorar o tempo para maior sabor da vida e viver o tempo do amar, do querer, do receber, porque tudo na vida quer tempo e medida. - Mensura omnium rerum optima.

MÁSCARA DA POLÍTICA EDUCACIONAL NO BRASIL

 

Luisa Galvão Lessa Karlberg colunaletras@yahoo.com.br

 

Sabedoria de Deus

Falam especialistas que o Brasil avançou nos últimos 20 anos, mas a educação freou o desenvolvimento desse período, segundo o IDHM 2013 (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado na segunda-feira, 29/07/2014.

No Brasil, entra Governo e sai Governo e a conversa é sempre a mesma: “vamos investir em educação”. Em ano eleitoral, dizem os políticos: “o país avançou muito”. Talvez tenha avançado para o abismo, pois segundo índice divulgado pela Pearson Internacional, que faz parte do The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês) e mede os resultados de três testes internacionais aplicados em alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Dão lições ao mundo a Finlândia e a Coreia do Sul, os dois primeiros lugares. O Brasil só ganhou da Indonésia. É um resultado vergonhoso.

Os dados não são invenção e não possuem coloração partidária. É a constatação de uma educadora que muito trabalha em prol de mudanças positivas. Uma educadora que contribuiu para composição dos livros didáticos do Estado de São Paulo. O Acre não quer ajuda nessa área, há, aqui, “medalhões nos salários”, mas que nada escrevem, falam bajulações. Isso não ajuda, prejudica o Estado, o sistema educacional como um todo.

Então, votando aos dados, eles saíram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), do documento Tendências em Estudo Internacional de Matemática e Ciência (TIMSS) e do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS) que compreendem o aprendizado de matemática, leitura e ciência dos alunos.

Veja-se o Ranking Global de Habilidades Cognitivas e Realizações Educacionais:

1. Finlândia
2. Coreia do Sul
3. Hong Kong
4. Japão
5. Cingapura
6. Grã-Bretanha
7. Holanda
8. Nova Zelândia
9. Suíça
10. Canadá

11. Irlanda
12. Dinamarca
13. Austrália
14. Polônia
15. Alemanha
16. Bélgica
17. Estados Unidos
18. Hungria
19. Eslováquia
20. Rússia

21. Suécia
22. República Tcheca
23. Áustria
24. Itália
25. França
26. Noruega
27. Portugal
28. Espanha
29. Israel
30. Bulgária

31. Grécia
32. Romênia
33. Chile
34. Turquia
35. Argentina
36. Colômbia
37. Tailândia
38. México
39. BRASIL
40. Indonésia

Fonte: Pearson/EIU

O desempenho de cada país mostra se ele está acima ou abaixo da média calculada a partir dos dados de todos os participantes. Segundo esses dados divulgados no último dia 27 de julho de 2014, 27 dos 40 países ficaram acima da média, enquanto 13 estão abaixo do valor mediano. O Brasil, que teve pontuação de -1.65, foi incluído no grupo 5, onde estão as sete nações com a maior variação negativa em relação à média global. É um dado assustador, fruto do descaso e do pouco compromisso com a educação brasileira.

A ONU, em 14/07/2014, por meio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), diz que o Brasil deve investir em "políticas educacionais ambiciosas", para mudar a sua demografia.Todos os dados apontam que o Brasil vai mal, muito mal nas políticas educacionais. É um país que não respeita os professores.

E como é um sistema educacional eficaz? É aquele em que os alunos aprendem, passam de ano e concluem a educação básica. Esta é uma afirmação de que poucos vão discordar. Entretanto, a maioria dos sistemas educacionais no Brasil não cumpre essa missão. Há descaso, desvio de recursos, investimentos pífios, salários aviltantes pagos aos professores, escolas sem segurança, mal aparelhadas, sem infraestrutura, que pouco ou nada atraem os jovens, que preferem as ruas, as drogas, a violência, os furtos. Quando não, ficam em casa e quando saem para a escola procuram ir para lugares mais agradáveis.

O governo brasileiro, por meio do INEP, definiu metas para os sistemas educacionais e as escolas aperfeiçoarem a qualidade da educação oferecida, criando um índice de qualidade, chamado IDEB, para cada um dos três segmentos da educação básica. Mas de tudo que se diz, fica a pergunta: essas metas no INEP são suficientes para o país sair do atraso educacional?

Há medidas urgentes: escolas em tempo integral; professores motivados; escolas aparelhadas para que as pessoas nelas desejem permanecer com alegria, satisfação. Então, qualquer política de melhoria da qualidade dos sistemas escolares devem contemplar os três aspectos simultaneamente: o professor deve ensinar; o aluno deve aprender e passar de ano.

Finaliza-se com a frase memorável de Eduardo Campos: “ O Brasil tem jeito”. Devemos exigir prioridade à Educação, sem ela NUNCA avançamos, exceto para cair no abismo onde o país está mergulhado. Necessitamos de ações, promessas nem os santos aceitam mais.

ESTAÇÕES DA VIDA

Luisa Karlberg

Vida

 

Há quanto anos vi florir os meus pensamentos

Tal a primavera, estação dos encantamentos,

Que o beija-flor bebe o néctar dos mananciais,

Dos jasmins, cerejeiras, azaleias e roseirais.

 

As gotas a nutrir, nas doçuras do mel,

As patativas, os sabiás, as noivas de véu

Aurora a sorrir, a renovar sonhos agora,

Das tristezas, desilusões de outrora.

 

Virgem minha protetora, sua bênção eu peço,

Desta minha vida arrebatada e insubmissa,

Que pelos caminhos incertos tropeço.

 

Eu quero amar, zelar, respeitar o marido,

Sem submissão, rebeldia ou insensatez,

Mas ser mulher altiva, sempre seblante erguido.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

AMOR E PAIXÃO

 

 

Sentir amor é ter paixão,

Não há paixão sem amor,

Amar é sentir no coração,

Paixão é receio de sim e não.

Amar é verbo infinitivo,

Paixão, um nome substantivo,

Amar, um querer definitivo

Paixão, sentimento conflitivo.

Entre o verbo e o substantivo,

Fico com a sede do amar,

Fujo da paixão sem atrativo.

E embora eu ame o substantivo,

É no verbo intransitivo,

Que encontro na vida lenitivo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

I LOVE YOU

 

Eu penso em ti e fico feliz,

Por saber que temos afinidade,

Que estamos olhando os sonhos nossos com lealdade.

É importante que a gente se compreenda,

Sinta-se, se entenda,

Nos bons momentos de cada dia,

E ouvir o canto alegre a falar da magia:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

É maravilhoso saber que tenho você a meu lado,

É um sentimento simples e repleto de significado.

Estar apaixonada é querer estar sempre juntinho,

Partilhar a vida de mansinho,

E dizer com jeitinho:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

Somos o universo na poesia,

O céu e as estrelas no infinito,

O nosso amor é mais que bonito,

Nada se compara ou se explica,

O alfabeto não tem palavras na escrita

Para enfeitar no amor o nosso grito,

Nenhum segundo será pouco para dizer:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

És o meu sol eu a tua lua,

A vida traçada em beijos de carinho,

O respeito na palavra e pele nua,

Escrita em pergaminho...

Juntos no mesmo caminho,

Dizendo baixinho:

I love you...

I Love you...

I Love you...

Você, na mais exata medida, deu o toque de partida,

Alimentou minha paixão,

Fez renascer a esperança perdida no coração,

Você me conquistou rapidamente,

Plantou a sua semente que logo brotou em flor.

E em um desenho de rara magia,

Aos poucos você solidificou o nosso amor.

Você é como as estrelas no firmamento,

Presente o meu pensamento:

I love you...

I Love you...

I Love you...

É como se fosse um presente que a vida,

Gentilmente, deu-me alegria,

E posso afirmar com verdade

Que até mesmo na saudade,

Você enfeita a minha vida.

Você, razão do meu puro sorriso,

Faz-me perder o juízo nos momentos de amor.

Estarei sempre ao teu lado,

Com o coração apaixonado, seja lá onde for,

A cantar as palavras mágicas:

I love you...

I Love you...

I Love you...

CORAÇÃO PULSANTE

 

Poesia não dá casa e nem comida,

Mas quando o poeta tem um coração pulsante,

Anda pelo mundo itinerante,

Sem temor,com certeza de guarida.

Nunca fui andarilha e nem poeta,

Mesmo assim vivo a versejar,

Entre um e outro mar,

Numa busca de um amor encontrar.

Não pensem que seja volúvel,

Exigente, intrigante ou infeliz,

Sou uma alma assim solúvel,

Nos dias canto feliz.

Se um dia o pranto rolar,

Acreditem que sofri,

Foi um vento a soprar,

Para um amor que desisti.

FERA DA VIDA

 

 

Luisa julho1

A vida não é eterna, tudo tem prazo,

Nossas vontades mudam, assim como o ocaso,

Em cada dia uma ventura,

Uma história de conquista,uma ternura,

Um amor bandido,enganador fingido,

N’outro um dia santo, com reinos

Fadas, príncipes, castelos e encantos.

Mas nunca acredito, que todos sejam anjos,

O mundo não é só habitado por arcanjos,

Há entes sombrios, maldosos, desonestos,

Que na gente pregam peças e deixam restos.

Mas quero crer que a vida é sempre bela,

Não há mal que dilacera,

O coração de quem é fera.

SINFONIA

 

Tão bom ter o dia a dia...

Sentir os raios do sol,

O canto do rouxinol,

O amanhecer em melodia.

Tão bom ter o dia a dia...

Viver cada momento,

Não sentir tormento,

Ser um canto em sinfonia.

Tão bom ter o dia a dia...

Sem uma triste lembrança,

Mas com plena esperança,

De vida em harmonia.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O BEIJO

 

O melhor beijo é aquele desejado,
O beijo do ser amado,

O beijo mais adequado,

O beijo da minha vontade,

Dado com docilidade.

O melhor beijo é aquele sem tempo,

Que toma a vida da gente,

De um jeito ardente,

Pleno de cheiro e sabor,

Dado com muito calor.

O melhor beijo é aquele do ser amado,

Do anjo conquistado,

O amor querido e sonhado,

Nunca por ele enganado,

Sincero, fiel desejado.

O melhor beijo é aquele de quem se ama,

De quem se alimenta a chama,

De amor, ternura,

Dedicação, candura,

De vida eterna e pura.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ESQUECI DE TI

 

TEMPO

Andei pelo mundo, caminhei, naveguei,

Mas em ti eu não mais pensei,

E agora, neste recomeço, sem tropeço,

Eu já nem penso em ti…

Mas por vezes eu me indago,

Todas as vezes que falo,

Se deixei de lembrar de ti.

A lembrança presente na mente,

Os fatos diante dos olhos,

A certeza dos dias somente,

Do viver sem nenhum imbróglio,

Longe de questão inquietante,

Das palavras ditas sem portfólio,

Fico a ler a Divina Comédia de Dante.

Ah! Que alívio! Não mais os telefonemas,

Nem os sinais dos duvidosos fonemas,

Das frases feitas, sem direção ou tema,

Ganhar a serenidade do meu poema,

Fazer cada dia um novo alvorecer,

Sem nada para chorar ou temer,

Distante da prolixidade de inquieta alma,

Hoje na glória de mão em palma.

terça-feira, 2 de junho de 2015




                                               

  SUÉCIA E SEUS ENCANTOS
 
Suécia é uma monarquia constitucional com um sistema parlamentar de governo, com uma economia altamente desenvolvida e diversificada. O país ocupa o quarto lugar do mundo no Índice de democracia, depois da Islândia, da Dinamarca e da Noruega, segundo a prestigiada revista inglesa "The Economist". O país ainda é considerado um dos mais socialmente justos da atualidade, apresentando um dos mais baixos níveis de desigualdade de renda do mundo. Isso se reflete no fato da Suécia estar, desde que a ONU começou a calcular o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de seus membros na década de 1980, entre os mais bem colocados países do mundo de acordo com o indicador.
A Suécia é um país belíssimo, com paisagem espetacular, cidades incríveis, uma população educada (a maioria dos quais fala inglês) e uma história e cultura muito mais antigas do que o nosso Brasil. É um país voltado para as inovações e que deu ao mundo nada menos que o Prêmio Nobel, os carros da Volvo, os móveis da IKEA, as embalagens Tetra Pak, as roupas da H&M, a vodka Absolut, os grupos ABBA e Roxette, entre tantas outras coisas.
Mas morar por aqui é mais do que conviver com tudo isso. É conhecer a língua, se deparar com os novos desafios e aprender a cultura local. Agradando ou não, desde que cheguei à terra dos vikings sou uma estudiosa atenta. Num primeiro momento, certas coisas me pareceram estranhas (e algumas ainda continuam parecendo), mas se esse é o país com o qual tenho ligações civis, nada mais sensato que entender, respeitar e incorporar, no meu dia a dia, os costumes locais.
A língua sueca é muito difícil e uma das cinco  línguas germânicas setentrionais (ou línguas nórdicas). É falada por nove milhões de pessoas, predominantemente na Suécia e em partes da Finlândia, especialmente na costa e nas ilhas Åland. É mutuamente inteligível com as duas línguas nórdicas vizinhas, o dinamarquês e o norueguês. O islandês está mais afastado, em grande parte devido ao seu caráter arcaizante.
Os costumes, aqui, são bem diferentes. Vajamos alguns:

1 - Tirar o sapato antes de entrar: na nossa própria casa, na casa dos outros, na academia e muitas vezes até no trabalho e na escola. Esse costume começou por causa da neve no sapato, mas todo mundo faz isso mesmo no verão. Toda casa tem uma sapateira logo no hall de entrada. (acho que vou copiar isso, achei legal);

2. Fika: É uma pausa que se faz de manhã, entre 9:30 e 10:30, e/ou à tarde entre as 14:00 e 16:00 para tomar um café com um pãozinho ou doce. Mas o conceito de fika vai além do café com pão, é um momento de contato social e descontração;

3 - Fredagsmys: Na sexta-feira depois do trabalho ou escola a família se reúne para um jantar (normalmente tacos ou pizza) e para assistir a um filme juntos ou jogar algum jogo de tabuleiro ou videogame;

4 - Kosläpp (soltura das vacas): Aqui na Suécia existe uma lei que obriga as vacas a serem criadas soltas durante os meses quentes. Por isso no início de maio as fazendas de leite fazem a soltura das vacas. É a primeira vez que elas ficam ao ar livre depois de muitos meses dentro do curral. Elas saem todas felizes pulando. Normalmente esse evento é aberto ao público e as pessoas levam as crianças para ver;

5 - Janela decorada: As janelas suecas são tradicionalmente preparadas para colocar enfeites que normalmente são compostos por um abajour e uma planta, às vezes uma escultura, que dá um charme todo especial na casa tanto do lado de dentro quanto de fora (É bonito demais).

A cultura sueca é uma cultura aberta, fácil e igualitária, trata-se de uma cultura que recebeu influencias de outros países, por diferentes correntes, pela Alemanha, pela Igreja Católica, pelos Anglo-Saxões. Todos estes fatores têm deixado a sua marca na cultura sueca, sem mencionarmos o prémio Nobel que nasceu neste país. A Literatura e a música são partes importantes da cultura deste país, para não mencionar que a sua origem é Viking.

A Literatura sueca é desde fins do século XIX vibrante e ativa. August Strindberg é um dos mais populares escritores suecos. Atualmente Henning Mankell, com seus romances de Kurt Wallander, é conhecido mundialmente. Hoje em dia, a Suécia conta com mais um grande autor, Stieg Larsson, nascido em 1954 na cidade de Skelleftehamn e morto vítima de um ataque cardíaco em 2004, aos 50 anos, pouco após entregar aos seus editores a trilogia Millenium.

 
DICAS DE GRAMÁTICA

AO INVÉS DE ou EM VEZ DE, Professora?

- EM VEZ DE indica substituição, como no exemplo: “Coma verduras e legumes em vez de frituras para ter uma boa saúde”.

- AO INVÉS DE apresenta ideia contrária, uma oposição. Por exemplo: “Você deve ouvir mais ao invés de só falar, falar”.

HAJA VISTA ou  HAJA VISTO?

- HAJA VISTA é a única expressão correta, pois neste contexto a palavra “vista” é invariável. Mas o verbo “haver” admite concordância com o substantivo a que se refere.

- Ex 1: “Haja vista o ocorrido, não silenciarei, irei lutar.”

- Ex 2: “Hajam vista os acontecimentos, não irei negligenciar em nada.”

Dica: como a expressão “Haja Visto” não existe, deve-se dar a preferência ao uso da forma invariável HAJA VISTA.

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Luisa Karlberg - É membro da Academia Acreana de Letras; Membro Fundadora da Academia dos Poetas do Acre; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da International Writers and Artists Association (IWA), sediada na cidade de Toledo, Ohio, USA. Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa (Campus Floresta (2011-2018); Orientadora de Pós-Graduação em nível de Mestrado e Doutorado; Orientadora de Pós-Graduação Lato Sensu; Orientadora de bolsistas PIBIC (Campus Floresta - UFAC); Pesquisadora DCR do CNPq (2015-2018). Grã-Chancelar da medalha J.G. de Araújo Jorge, pela Academia Juvenil Acreana de Letras; Embaixadora da Poesia pela Casa Casimiro de Abreu.

segunda-feira, 16 de março de 2015

NASCE NOVO AMOR

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Novo dia nasce como miragem,

Com muita paz, flores e jardinagem,

Fico feliz ao dar um trato em cada folhagem,

Nas palmeiras, bouganviles e roseirais,

Pois sei que comigo virão mananciais,

O amor, a brisa, o sol, as juritis,

Borboletas, periquitos e colibris,

Embalados ao cantar dos bem-te-vis,

Emoldurados pelo azul do firmamento...

Todos vivos a alegrar meu pensamento,

Fazem do meu lar uma harmonia

Deliciosa, plena de sinfonia,

Capaz de embalar meu amor,

Com singeleza, doçura e fulgor,

No aquecer da pele cativante,

No sorriso do meu ser amante,

Sempre a querer um aconchego,

Pleno do mais adocicado chamego,

Na realização de na boca encontrar,

O beijo mais apaixonado que a luz do luar.

segunda-feira, 2 de março de 2015

SOU SAUDADES E SONHOS

Eu sou feita de...

Sonhos interrompidos,

Detalhes despercebidos,

Amores mal resolvidos...

Eu sou feita de...

Sonhos, luzes, fantasias,

Contos, hinos e melodias,

Que tecem os meus dias...

Eu sou feita de...

Sangue ardente,

Pessoa que gosta de gente,

Mas nem com tudo fico contente...

Eu sinto falta de ...

Lugares que não conheci,

Experiências que não vivi,

Momentos que esqueci ...

Eu sou feita de...

Amor e carinho constantes,

Distraída na vida de amantes,

Cheia de sonhos a todos instantes...

Eu já...

Tive sonhos perdidos,

Amores não correspondidos,

Mas deles eu sobrevivi...

Eu sinto falta...

Coisas que não mudei,

Das amizades que não cultivei,

De tudo que calei...

Eu sinto saudade...

De pessoas que conheci,

Das lembranças que esqueci,

De amigos que não consegui...

Eu sinto saudade...

Da minha infância querida,

Da minha vida aguerrida,

Da juventude ocorrida...     

domingo, 1 de março de 2015

ENFIM, AFUNDOU O NAVIO …



Entre tantos homens para eu amar,
Tantos príncipes eu vi passar,
Mas meu coração traiçoeiro,
Não sei por que fez isso comigo,
Entre tantos de bons escolheu você!  


E o que aconteceu?
A verdade vou contar,
Você falou, calou, mentiu e me entristeceu,
Colocou por terra um sonho meu,
Ser a esposa dedicada, amante a cantar,
Preferiu me trair e de navio viajar.  


Esse amor de verdade preferiu desprezar,
As juras de amor não quis acreditar,
Olvidou os meus sonhos sem ouvir a razão,
Converteu minhas preces em mera ilusão.  


Depois das esperanças que você me deu,
As juras e promessas de amor  esqueceu,
Mas eu sei que o tempo vai te ensinar,
Que amor verdadeiro a gente deve guardar.


Sei com quem andas às escondidas,
Nos dias e noites comendo em medidas,
Fingindo cicatrizar as feridas,
E esconder histórias mal ditas.  


De tudo aprendi na vida,
Sei que gente feia é igual ferida,
Engana a Deus e o mundo,
Mas acaba num buraco bem fundo.































segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A BRISA E EU


Brisa
A brisa varre o tempo passado,
Apaga lembranças de cada lado,
A brisa desbota retratos,
A brisa leva pra longe os fatos...  


E a vida fica melhor a cada alvorecer,
Deito-me feliz ao fim dia, no nascer das noites,
Com os planos e sonhos da vida sem açoites,
A brisa faz renascer o amor e acalenta o meu ser...  


A brisa sopra no correr dos anos e dias,
A brisa acompanha os sonhos e as poesias,
A brisa acende luzes, fé, cores e matizes,
Que na vida me fazem felizes...  


A brisa suave espalha as sementes,
Faz nascer e crecer outros entes,
A brisa nos mostra semblantes diferentes,
E a todos agracia de encantos e presentes ...  


A brisa varre os meses, enche de luz os anos,
A brisa transporta a beleza dos meus olhos decanos,
A brisa da natureza  beija e afaga o meu rosto,
E me deixa no riso a doçura do  seu gosto...  


A brisa enche a vida de anjos,
Deuses, Serafins e Arcanjos,
Que nunca se afastam de mim,
A brisa me acaricia todos os dias assim...




























sábado, 21 de fevereiro de 2015

CURVAS DA VIDA


vida e esperançaLuisa Lessa3

Eu já vivi alguns anos,
Passei por muitos enganos,
Convivi com seres intocáveis,
E vi que eram insubstituíveis,
Pessoas raras, inesquecíveis,
Mas que esqueci....


Agi muitas vezes por impulso,
Ouvi choros e soluço,
Tudo tocou meu coração,
Que não é ferro nem alçapão,
É órgão suave, terno, ardoroso,
Que tudo sente em alvoroço…


Eu já abracei para consolar,
Fiz esforço na vida para não soluçar,
Não sentir e sofrer dores alheias,
Fugir das armadilhas e teias,
Viver na minha paz,
Sem vícios ou vida fugaz…


Eu lutei por minha profissão,
Dela fiz altar e missão,
Nela eu já amei e fui amada,
Também já fui rejeitada,
Eu fui amada e não amei,
Fui traída e não trai…


Eu tenho consciência da vida,
Embora seja  mulher atrevida,
Que preza os valores dos homens e de Deus,
Mas sigo preceitos meus,
Sem enganar, mentir, falsear,
Carrego recordações alegres, tristes, doloridas…


Eu sou mulher que curou feridas,
E a Deus bendiz a vida,
Um amor eterno, sublime,
Que com bênçãos a alma redime,
Em versos, histórias, memórias,
Tudo colheita das recebidas glórias…


Eu sou uma adulta mulher-criança,
Que no dedo carrega aliança,
Um compromisso assumido na vida que dança,
Com hinos, fé, esperança,
Vivo com atenção e zelo por gente,
Que não aprendeu a se dar,
Para uma mulher que sabe amar…









































quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ENLACE DE AMOR

 

flor de beija-flor

Outro dia disseram para procurar um amor,

Mas amor não se procura,

Como roupa ou flor,

Amor simplesmente surge,

Borbulhando de emoção,

Sem que a gente queira,

Ele invade o coração,

Sem nossa permissão,

Sem que possamos fazer escolhas,

O coração sozinho elegeu,

O ser que vai habitar tua alma,

Mostrar o mundo na palma.

O coração tudo faz,

Sem indagação,

Vai plantando a semente,

Turbina a emoção,

Deixa o corpo feliz,

A alma como raiz.

Quanto se percebe,

Já se está amando, namorando,

Num arrebatamento,

Que invade a alma,

Tira a calma,causa emoção,

Mas faz bem ao coração.

Que quer ser feliz,

Amor é poder,

É luz, alvorecer,

Luz perfumada,

Rosa encantada,

Perfume de Jasmim,

Nas rosas do meu jardim,

Que dá felicidade.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

PRATEADO DO TEMPO

 

image

 

Que falta me faz o teu perfume, o teu riso, o teu olhar, o teu jeito de amar, a melodia da tua  voz, o murmúrio doce no ouvido, o toque das tuas mãos a segurar as minhas, o abraço suave e seguro, a companhia agradável que me fazia te seguir a tantos lugares, o subir e descer as serras, o desfrutar o Capivari, as rezas em Aparecida, o caminhar na 25 de março, as visitas ao Museu de Língua Portuguesa, os teatros, os musicais, a cumplicidade com a natureza, o túnel de Santos, as telas de cinema, os dias de churrasco, a vitrola a tocar, as marolas do mar, os cafés de fim de tarde, os textos sobre América Latina, as músicas inesquecíveis, os almoços no dia a dia, o saboroso café da manhã, as idas nas praias, o sol a aquecer a pele, o amor a rondar os sentidos, tudo na vida a dois, a companhia desejada, esperada, sonhada.

É um tempo distante, a fazer despedida, na ausência sentida, um tempo não vivido, tudo a deixar um vazio que nem as estrelas do céu, o azul do mar, o raio do sol, o prateado do luar, o entardecer do dia, enfim, como substituir essas lembranças, nessa ausência sentida na minha vida? Saudade de nós. Saudade do que já fomos. Saudade do que poderíamos ser...É uma ausência por demais prolongada que me permitiu descobrir que posso permanecer sem ti por toda minha  eternidade. O tempo acabou! Não temos mais tempo para um abraço, um sorriso, os passeios, o conviver no tempo, esse tempo que a vida não nos deu. Por tudo, vivemos o ADEUS!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SUA BÊNÇÃO, MEU PAI! SUA BÊNÇÃO, MINHA MÃE!

Luisa feijoada 2015---photoshop3
Eu nasci assim...
Um casamento ao modo antigo,
Dois jovens enamorados, felizes,
Inocentes, puros, sonhadores consigo,
Um lar com oito filhos formaram,
Com carinho, amor, compreensão,
Tudo com respeito e atenção,
Preocupados nos filhos, em sua educação,
Sabedores da semente que plantaram neste chão.
Crescemos em harmonia,
Em companhia de muita filosofia:
Respeito, amor, trabalho, estudo, honestidade,
Sem ao mundo fazer nenhuma maldade,
Vida regrada, sem exagero e muita lealdade,
Aprendendo as verdades sem idolatria,
Mas vendo no mundo a covardia.
Os pais acompanhavam sem nos carregar,
Mostravam o mundo sem dele nos isolar,
Davam abrigo, sem nos esconder,
Mostravam perigos para com eles aprender.
Meu pai, um sábio homem,
Fez nesta vida um pacto, nunca passar fome,
Foi escolado na dignidade da vida,
A ninguém deixou ferida,
Soube respeitar e valorizar às pessoas,
Foi à escola aprender só coisas boas,
Não tirou diploma, nem ganhou medalhas,
Mas enfrentou e venceu ferrenhas batalhas,
Procurou ambiente de estudos para os filhos,
Ofertou educação, espaço para a maturidade,
Não fabricou castelos, mas deu-nos liberdade
Para estudar, refletir, multiplicar, criar,
Sem pisar em ninguém,
Incutiu o valor da bondade,
Tudo feito com lealdade,
E, por fim, disse:  vão conquistar o mundo,
Ele é grande, perigoso, profundo,
Mas não é o vulcão imundo,
Para quem nasceu em família decente,
Cedo aprendem a trabalhar e ser gente,
Saber abrir portas, fechaduras,
Sem jamais perder a ternura.
Minha mãe uma santa do lar,
Fez do casamento seu altar,
Ali colocou os filhos a rezar,
Com fé, força, devoção,
Ensinando valiosas lições,
Sem fraquejar ao curvar vergalhões,
Por suas mãos habilidosas,
Fez dias e noites famosas,
E a todos encantou, com gestos, ações,
Nunca despendeu juízo em infelizes corações,
Pois é mulher tecida em fibras de ouro,
Olha a vida e o mundo como tesouro.
Por tudo isso sou ser sonhadora,
Uno sonhos e disciplinas,
E no mundo sou caminhante dessas doutrinas.
Sua bênção, meu Pai! Sua bênção, minha mãe!
























































sábado, 7 de fevereiro de 2015

PAZ NO ADEUS



Tenho um mundo inteiro de Paz,
Sem guerra, fome, tudo de bom que na alma jaz,
Para dias intensos, felizes,
Sem cometer deslizes,
Fé nos entes poderosos,
Que dão glória ao espírito,
E afastam seres maldosos,
Para eu ter meu louvor descrito.
Por tudo que tenho e sou,
Por minha alma que a Deus dou,
Eu te digo:
Podes ficar com tudo que te dei,
O amor, a sinceridade, a saudade,
A dor que feriu meu coração,
A tua mentira, a minha desilusão,
Tudo eu te dou de graça,
Entregue isso às traças,
Para roerem essa história,
Que me tirou a paz,
De pertinaz memória.
Podes guardar, quebrar, até jogar no mar,
Ainda, se desejar,revisitar a memória,
Ter ciência do feio que fez comigo,
Roubou minha paz para ficar contigo,
És ser sem fé, um tormento, um perigo,
E para qualquer mulher sonega abrigo,
Por insensatez, crueza, não tens jazigo,
Habitarás uma cova fria,
Sem sonhos ou fantasias,
Dormirás nas noites frias.
Não te desejo mal,
Que sigas os dias teus,
Coberto das lembranças,
Deste definitivo adeus,
Que encontres a Paz,
No teu dia capaz,
E nele faças uma prece,
Para alguém que merece,
De ti perdoar a traição,
Que tanto feriu o coração.
Rezo por ti, desejo Paz,
Amor, essa doce sensação,
Que habita a alma humana,
De quem pratica o bem,
Para que encontres um Norte também,
Amar, servir, sem olhar a quem,
Uma vida colorida,
Um mundo florido,
Muito Amor e Paz,
Em tudo que há nesta vida,
Pra ti, em oração, te coloco no cartaz.














































domingo, 1 de fevereiro de 2015

POETAR

 

Poesia...

é caminhar,
é habitar,
é falar,
é sentir,

é dizer,

é se dar...
Poesia...

é viver,
é correr.
é tecer,
é se envolver...
Poesia...

é momento,
é contentamento,
é encantamento,
é um instante,

é mil momentos....
Poesia...

é sonhar,
é perguntar,
é delirar,
é subliminar,

é idealizar...
Poesia ...

é tudo, em meio ao nada,

é vida em eternidade,

é sentimento corrente na ansiedade,

é um interrogar constante,

é a vida a todo instante...

Poesia ...

é verso,
é cada palavra,

é sonho em cada pensamento,

é dor, amor, ternura, muito sentimento,

é um mundo construído num momento...
Poesia...

é troca,
é expressão,

é amor,

é desilusão,

é esperança,

é festa dos dias que virão...

Poesia ...

é loucura,
é razão,

é paixão...

é uma quermesse no coração,

é alma de saudade,

é tormenta do coração...
Poesia...

é intensidade,
é intensa verdade,

é um grito de liberdade,

é a palavra saída do peito,

é um gemido em letras,

é um hino no leito...
Poesia...

é mais...
é vendaval,
é mágica,

é lágrima,

é nostalgia,
é o sobrenatural,

é coisa e tal...
Poesia...

é sol,

é céu,

é mar,
é terra,

é estrela,

é luar,

é vida para enfeitar...

Poesia ...

é muito mais...

é dizer sim,

é falar não,

é contar segredos,

é falar da paixão,

é dizer da dor,

é não silenciar pudor,

é contar façanhas do amor...

Poesia...

é amor,

é poetar,

é amar,

é esquecer,

é lembrar,

é dizer adeus,

é pensar nos sentimentos seus...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O AMOR É O CAMINHO

 

 

O amor é o fim,
O amor é a estrada,
O amor é o inicio da caminhada.
O amor é o que une,
O amor é o que ata,
O amor o medo despedaça.
O amor é chama,
O amor é a brasa,
O amor é viajante que retorna a casa.
O amor liberta,
O amor não passa,
O amor é um estado de graça,
O amor é consciência,
O amor é real,
O amor é a ausência do mal,
O amor é tudo aquilo que somos,
Quando os nossos passos são fieis aos nossos sonhos.

À BEIRA-MAR

 

 

Sentei-me à beira-mar,

O sol batia-me no rosto.

O vento fazia-me arrepiar…

Olhei em teus olhos,

Vi-me refletida em ti,

Suavemente tocaste na minha mão,

Estremeci… Corei... Sorri…

O coração não controlava aquela situação,

Eu não sabia onde ia parar…

Um leve suspiro acalentou o peito…

Uma momentânea troca de olhar…

Inebriante desejo de beijar…

E tanto que eu te queria dizer…

Dei por mim na tua boca,

Um toque… um beijo…

Nada mais ficaria por dizer,

Sentias o meu desejo,

Era mais do que podias saber…

Queria-te mais que tudo…

E ali ficamos… olhando longe o horizonte,

Abraçados… longe do mundo,

Entre beijos, olhares e carinhos,

E palavras sinceras que saíam…

É assim que me fazes sentir,

É assim que quero estar,

Junto a ti… sentir-te… beijar-te…

Estarei a sonhar? Sim, estou…

Mas estamos quase a acordar,

E um no outro vamo-nos saciar…

E sempre te direi: l love you…

TUDO É

 

 

Esse coração que tanto ama,

Já depende de te amar, 

Sem o teu beijo,

Teu sorriso

Nada é.

Todo o resto se torna pouco,

O muito é você, sou eu,

Nada mais importa,

Nos teus braços.

Tudo é.

CELULAR CAIU NO MAR


 




Olha o teu celular, vai lá,
Veja a caixa postal,
Um recado nada mal,
Para você esquecer meu nome,
Nele nunca pronunciar,
Jamais me ligar falando de livro
Para eu revisar.
Deixa de tanta mentira,
Segue com as medusas de nira,
Dois seres sempre mesquinhos,
Que não encontram ninho,
Querem a minha vida infernizar,
Porque têm casa,
Mas não conhecem um lar,
Pobres infelizes, vivem para a vida envergonhar.
Se dizem de um tal grupo social,
De gente boa e coisa e tal,
Tudo fantasia, nada mais falso,
Fazem da vida um cadafalso,
Vivem de aparências granfinas,
Falsas camisas dudalinas,
Gente besta com cheiro de naftalinas.
Eu tomei nojo de ti,
Cansei das mentiras e falsas histórias,
Você não tem jeito, esqueceu as memórias,
Perdeu a mim, minha admiração,
É ser ignóbil sem noção,
Sai dessa vida canalha,
A oferecer sempre migalhas,
A quem tem riqueza no coração.
Jogo-te uma praga na cara,
Essa pessoa atual te vai cortar igual navalha,
Vai te usar e te explorar sem piedade,
Te maltratar a vida covarde,
E fazer dos dias teus
Um inferno em vida de ateus,
Tudo para pagar os pecados teus,
Homem sem ternura, frio, fingido,
Aparentas honestidade,
Quando tens tanta maldade,
Nos dias teus, vives a ferir pessoas,
Gente que te tratou igual  gente decente,
Te abrigou em família de tanta gente,
Quando todos te tratam bem,
E tu a ferir, sem piedade, alguém,
Digo-te ADEUS para sempre,
Não mereces vida decente,
Tens que viver de migalhas,
Sem verdades claras,
No frio na noite em arrepio,
Sempre de ninho vazio.  


















































terça-feira, 23 de dezembro de 2014

AS BÊNÇÃOS DO NATAL

 

Natal com neve

A Noite Feliz do Natal é quando, humildemente e conscientemente, mesmo sem símbolos e aparatos, sorrimos com confiança e ternura na contemplação interior de um Natal perene, que estabelece seu reinado em nossos corações. Sinto-me honrada e recompensada pelas Graças recebidas. E, assim, deve sentir-se cada cristão. Obrigada Senhor, por Vossa luz, Vosso perdão e Vossa compreensão. Obrigada pelo dom da VIDA!

Todos os dias nós temos provas da existência de Deus: a luz do sol, as flores no jardim, a brisa que sopra no nosso rosto, o amanhecer e o anoitecer... Mas foi na noite de dezembro, anos atrás, que Deus se mostrou misericordioso conosco, colocando o Filho de seu amor entre nós. E, naquele dia, 24 de dezembro, há milhares de anos, uma estrela brilhou e iluminou todo o céu. Os três reis magos, Baltazar, Belchior e Gaspar interpretaram a mensagem e souberam que o Rei dos Reis havia nascido para libertar e salvar os homens do mal e do pecado que reinava no mundo. Para isso cruzaram desertos com seus presentes: a Mirra para curar as feridas dos homens; o Incenso para perfumar e envolvê-los com a mística divina; o Ouro simbolizando a salvação oferecida pelo Filho de Deus aos homens de boa vontade.

Então, que neste dia 24/25 de dezembro o Menino Jesus nos ofereça a Mirra curando nossos pecados, o Incenso aproximando-nos mais e mais de Deus, o ouro como símbolo de nossa salvação. Por todos esses eventos divinos, espera-se que a essência desta chama divina esteja sempre presente nos lares acreanos e ganhe o mundo com a chama da Paz e do Amor de Deus.

Se a nossa vida estiver harmonizada aos preceitos divinos, toda a possibilidade de felicidade está em nossas mãos, basta ter coragem e determinação para transformar momentos difíceis em grandes desafios, buscar na solidariedade um passo para dias melhores. Neste Natal, que o grande potencial da humanidade revele-se em cada um de nós, para que possamos celebrar o verdadeiro espírito cristão e que este nos guie durante o Ano Novo que está para começar.

Muitas pessoas buscam a felicidade em coisas materiais, sendo que ela reside dentro de cada um de nós. E esse texto natalino retrata a importância de superar as dificuldades e adversidades que apareçam em nossas vidas, dando-nos a capacidade e o incentivo para buscar, no nosso interior, as forças necessárias para seguir adiante, com honradez e dignidade. A história do menino Jesus é um dos maiores exemplos de superação que se tem notícia, perseguido desde seu nascimento, Ele cresceu e se revelou o filho de Deus, que veio para trazer a boa nova para os homens de boa vontade.

Esse pequeno texto de Natal traz uma grande mensagem e que se vivenciada pode nos ajudar em todos os momentos de nossas vidas.Então, que nesta noite especial de Natal todos os nossos sonhos se realizem, que Deus continue abençoando cada um de nós e todos os familiares que nos cercam, assim como os amigos queridos.

Vamos seguir os sonhos, deixar a alma voar alto... pegar carona com os fogos coloridos do Ano Novo. Vamos unir as mãos, erguê-las ao Céu, com fé, e pedir a bênção do Pai Eterno, pois os nossos pedidos chegarão ao Altíssimo. Irão se misturar às estrelas, irão penetrar no Universo e voltarão cheios de energia para tornarem-se reais. Basta a pessoa querer de verdade, ter fé, sonhar. Seguir os sonhos é viver para sempre. Os Sonhos nunca envelhecem. Boas Festas e que este 2015 seja pleno de bênçãos e realizações. Natal é o nascimento de Cristo. Ano Novo é o nascimento de uma nova esperança. Que o nosso Natal seja brilhante de alegria e iluminado de amor. Que venha o 2015, trazendo 365 dias de felicidade.

DICAS DE GRAMÁTICA

DE BAIXO ou DEBAIXO?

Nosso idioma parece estar marcando, aqui, a distinção entre "lugar onde" e "lugar DE onde".

1) Ele estava debaixo da cama (onde) .

2) Ele saiu de baixo da cama (de onde).

FAZEM CINCO ANOS ou FAZ CINCO ANOS?

- Fazer, quando exprime tempo, é impessoal. Então, diga: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

HÁ DEZ ANOS ATRÁS ou HÁ DEZ ANOS?

- e atrás indicam passado na frase. Então, diga: Há dez anos ou Dez anos atrás.

VIVE ÀS CUSTAS DO PAI ou VIVE À CUSTA DO PAI?

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Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA – É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Membro perene da International Writers end Artists Association – IWA; Pesquisadora DCR do CNPq.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Perfume de amor...

 

 

Que fique escrito...

 

ONDE ESTÁ O POETA?

 


Não busquem pelo poeta
Na estrofe ou na curva dos versos,
Eu não sou fantasma para viver em papeis dispersos,
E cobrir o rosto num véu celestial,
E depois me mostrar igualmente colegial.
Eu habito alguns poemas,
N’outros versejo na sombra das rimas,
Mas não vivo de quimeras,
Assim não tolero feras,
Que de mim digam esmeras.
Não me procure nas contravoltas dos poemas,
Eu estou nas metonímias e metáforas dos ecossistemas,
Ou nas figuras de linguagem,
Que tanto dizem, fazem e desfazem,
Tudo por meio da linguagem.
Não estou aqui nem ali,
Habito os ancestrais dos rios,
Das matas nos desafios,
Sem confessar a quem,
Onde vou encontrar alguém.
Eu viajo no ar da brisa,
Nos encantos da Monalisa,
Nas fábulas de La Fontaine,
Os pés na terra e o olhar online,
Embalada na ternura de Exupery Antoine.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SÃO TUAS AS FLORES!

 

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Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porque de nossa existência, e nada parece fazer sentido... Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: a perda de uma pessoa querida. É uma vida que termina e outras ficam.

Por isso eu penso que VIVER com fé é saber que cada dia é um recomeço... Meu Deus! É saber que temos asas invisíveis, para voar até às estrelas no Céu e, lá, lá longe, poder abraçar a pessoa querida pelo última vez, antes de ela adentrar na morada do Pai.

VIVER com fé é manter a mão estendida para dar e receber. VIVER também é perder... coisas, sonhos, pessoas queridas, sangue do nosso sangue.É sentir que a vida é fugaz... repentinamente acaba... uns vão e outros ficam... até quando?!

VIVER com fé é usar a força e a coragem que habitam dentro de nós, quando tudo parece tão difícil. Em nosso peito apenas a dor de um punhal que a cada "meus pêsames" assemelha-se a uma pedra a machucar, a rasgar o coração.

VIVER também é sentir a dor da morte... que deixa para trás tantas coisas, tanto de nós, tantas saudades... e desnuda a nossa infinita fragilidade.

Saudades eternas de ti, minha prima-irmã MARIA LESSA! Viver é também sentir, chorar, sofrer, recordar, orar… e hoje, neste dia de despedida de ti, aqui na terra, ergo às mãos aos Céus, numa prece, pra que Deus encha minha alma de coragem, força, fé…

Oração da Fé


Senhor Deus, criador do céu e da terra!
Poderoso é vosso nome, grande é vossa misericórdia!
Em nome do vosso filho, JESUS CRISTO,
recorro a vós neste momento, para pedir benções para minha vida.
Que a luz divina incida sobre mim.
Com a vossas mãos retirai todo o mal, todos os problemas e todos os perigos que estejam ao meu redor.
Que as forças negativas que me abatem e me entristecem se desfaçam ao sopro da vossa benção.
O vosso poder destrua todas as barreiras que impedem o meu progresso.
E do céu, vossas virtudes penetrem no meu ser dando paz, saúde e prosperidade.
Senhor abra os meus caminhos.
Que os meus passos sejam dirigidos por vós para que não tropece na caminhada da vida.
Meu viver, meu lar, meu trabalho, sejam por vós abençoados.
Entrego-me em vossas mãos poderosas, na certeza de que tudo vou alcançar.
Agradeço em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.