terça-feira, 23 de maio de 2017

KANT E A MORALIDADE BRASILEIRA




No final da semana que passou estive debruçada na leitura de um texto de Immanuel Kant, na obra “Crítica da Razão Prática”. Nela percebo como as verdades são eternas, aplicáveis à conduta de todos os povos. Há uma passagem famosa que diz assim, “Duas coisas me deixam maravilhado: o céu estrelado por sobre mim e a lei moral dentro de mim”. É dessa moralidade que farei, neste texto, breve reflexão. Como essa tão apregoada moralidade de Kant funciona no Brasil, essa terra “do faz de conta”? Eu tenho andado cada dia mais desiludida. A corrupção é assustadora e os rumos políticos incertos. A moral e a ética são valores vilipendiados no cenário nacional. Uma vergonha. Qual a solução? O que diria, hoje, Kant?
Iniciamos a reflexão: a Moral é o conjunto de normas que regulam o comportamento das pessoas em sociedade. Então a Moral é compreendida como um conjunto de valores. Enquanto a ética é um conjunto de normas. A Ética é a forma pela qual as pessoas devem se comportar no meio social. É a ciência da conduta humana. Está ela intimamente relacionada ao caráter das pessoas. A Ética seria a ciência que estuda a conduta humana e a Moral seria a qualidade desta conduta.
Sobre a filosofia da Kant, em “A crítica da razão prática”, afora o grau de dificuldades que tem essa obra, eu penso que esse professor abstrato, que escrevia em estilo abstrato, sobre questões também abstratas, é a fonte primária da ideia mais perigosa de todas para a fé (e, portanto, para as almas): a ideia de que a verdade é subjetiva. É essa subjetividade da “verdade” que vivemos no Brasil de hoje, esse “país da era da corrupção e desmandos”, que está profundamente mergulhado na podridão política. Não se sabe se alguém se salvará. Tudo depende dessa “verdade subjetiva”.  Cada dia um novo escândalo e todos, sem exceção, se dizem inocentes. Não há culpados!
O mais grave de tudo é que muitos desses “monstros” vivem sob a permissividade do  Presidente da República, que os recebe, com as regalias de reis; dos legisladores que fazem estranhos acordos de delação premiada, como é o caso de Wesley e Joesley Batista. Eles pagarão R$ 225 milhões (troco) e saem do país com fidalguia. Um deles num avião moderno e acompanhado de vassalos. Afinal, a verdade sobre “corrupto e corruptor” mudou nesse caso? Os outros delatores estão na cadeia, eles (Wesley e Joesley) estão em New York, em mansões de luxo. O acordo fechado com eles prevê que os dois não serão, sequer, denunciados criminalmente pelo Ministério Público Federal. Ou seja, não correm o risco de serem presos, nem de usar tornozeleira eletrônica, como os executivos de outras empresas envolvidas na Lava-Jato. Além disso, ficou acertado que eles poderiam continuar no comando de suas empresas mundo afora.
Por todos os casos de corrupção veiculados, entendo que não basta denunciar, delatar, demitir, prender. É urgente devolver ao povo o que é do povo! É preciso buscar convergências em favor da decência nos bens públicos.  É urgente ter um Congresso Nacional limpo, composto de gente decente, que ganhe o salário que ganha a maioria dos brasileiros. Afinal, onde se viu tantas regalias?! Quem tem muito sempre quer mais. É como diz o velho dito popular “A medida do T nunca enche”. Por isso não aponto caminhos que não seja o educacional. Se todos esses bilhões tivessem sido investidos em EDUCAÇÃO a nossa realidade, hoje, seria outra. Concordo com o provérbio chinês: “Se você quer um ano de prosperidade, cultive trigo. Se você quer dez anos de prosperidade, cultive árvores. Se você quer cem anos de prosperidade, cultive pessoas.”. Cultivar pessoas é educá-las para a vida em sociedade. Isso porque  não há sistema bom que resista intacto a pessoas más. A qualidade individual dos políticos, no Brasil, faz toda diferença. Também, como se isso não bastasse, nosso sistema político não é virtuoso.
Ademais, esse sistema partidário, no Brasil, está caduco. As legendas se juntam por causa do tempo de televisão e se mantêm unidas ou se separam a depender da fatia do Estado que lhes é dada a controlar. No comando de áreas da administração, de estatais ou de autarquias, ocupam-se de roubar o dinheiro público para fazer caixa para o partido — sem contar, obviamente, os que se dedicam ao enriquecimento pessoal.
Por que o Brasil está entre as nações mais corruptas do Planeta? Será o nosso sangue latino? O calor dos Trópicos? A miscigenação? A herança patrimonialista ibérica? Que determinismo sociológico, histórico ou climático ou, ainda, qual teoria, estupidamente racista, explicaria tanta lambança? Acredito que o desastre tem um nome: PISTOLAGEM POLÍTICA. Os JBS da vida estão sempre em busca de quem lhes possa franquear as portas da administração e garantir acesso aos cofres públicos.
Por isso, entendo que enquanto os governantes brasileiros tiverem à sua disposição milhares de cargos dos quais dispor, livremente, para acomodar os interesses e apetites dos partidos, nada mudará; enquanto a economia brasileira for, como é hoje, estado-dependente, continuaremos no lamaçal; enquanto tivermos um sistema eleitoral que descola o eleito do eleitor, caminha-se para o abismo; enquanto os nossos partidos forem meras agências de aluguel de tempo de TV, a ladroagem continuará nos Estados e nos políticos.
Essa realidade, assaz desesperadora, ao mesmo tempo em que desencanta e desestimula, permite que possamos refletir sobre as fontes dos infortúnios brasileiros, entre as quais a crescente crise moral. Não bastasse a inflação e a vergonhosa posição do Brasil em todos os indicadores de desenvolvimento e civilidade, as notícias veiculadas pela mídia, nos últimos tempos, levam-nos a concluir que vivemos em estado de barbárie. A crise no Brasil não é somente econômica, é, sobretudo, social e moral. Assim, eu creio que não poderia haver melhor momento para o povo brasileiro fazer profunda reflexão comportamental e mudar a cultura naquilo que diz respeito às transgressões, levar vantagem em tudo. É o momento de incentivar campanhas sobre ética e moralidade. A Educação é o único caminho viável, pois, na visão de Kant, “é somente a partir da educação que o homem pode alcançar, com plenitude, sua humanidade, pois a educação o “constrói.”
DICAS DE GRAMÁTICA
SÃO UMA HORA DA TARDE ou É UMA HORA DA TARDE, PROFESSORA?
- Não esquecer que o verbo deve, sempre, concordar com as horas. Assim diga: “é uma hora da tarde”, “são duas horas da tarde” e assim por diante. Ainda, sem esquecer de dizer que “são doze horas”, mas se for substituir o “doze horas” por “meio-dia”, então diga “é meio-dia”.
HOUVERAM MUITOS DESENTENDIMENTOS ou HOUVE MUITOS DESENTENDIMENTOS?
- Quando ao verbo haver for atribuído o sentido de existir ou acontecer, ele é impessoal, isto é, sem sujeito, portanto, só pode ser usado no singular. O correto é “houve muitos problemas”.

Luísa Galvão Lessa Karlberg - É Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montreal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Presidente da Academia Acreana de Letras; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da International Writers And Artistes Association - IWA; Professora aposentada da UFAC;  Embaixadora da Poesia pela Casa Casimiro de Abreu; Pesquisadora DCR – CNPq/FAPAC; Poeta, Escritora.




segunda-feira, 3 de abril de 2017

SABER ESCREVER É UMA EXIGÊNCIA DO MUNDO ATUAL





           Tenho observado a grande dificuldade dos estudantes, nas escolas, com a comunicação escrita. Eles dominam a língua portuguesa na feição oral, mas quando chega à hora de escrever é um Deus nos acuda... Muitas vezes não entendem ser a língua escrita diferente da feição oral. A escrita requer aprendizado, domínio das regras gramaticais e textuais.  Então, é preciso saber que a linguagem e, sobretudo, a comunicação escrita, conta com especialistas, requer aprendizado. Não é — como o processo educacional leva-os a acreditar — uma coisa natural. Natural é a fala, não a escrita. É por isso que a escrita conta com tantos aparatos: dicionários, gramáticas, revisores, editores, intérpretes, etc.
            De outra parte, a dificuldade não está, apenas, com os estudantes, considerando que muita gente boa não domina a feição escrita da língua, quando esta é indispensável no mundo atual. Já passou o tempo em que às pessoas ficavam somente nas palavras... Agora é importante saber escrever, é uma exigência do mercado de trabalho. O mundo está repleto de mensagens eletrônicas, manuais, revistas, códigos de conduta, relatos, cartazes, anúncios, enfim, um mundo de leituras. A pessoa lê, registra, arquiva, reflete, analisa e escreve. Porém, não há nada de anormal em não se saber escrever, segundo a expectativa de um padrão ditado por razões sociais e culturais. Tem gente no alto escalão da República que não sabe escrever, embora saiba falar. Mas isso não simboliza modelo para ninguém seguir. Pois mesmo diante de dificuldades, não se deve deixar de escrever bons textos, considerando ser a escrita fonte de criação, conhecimento, memória, interação social e sucesso profissional garantido.
            Ainda, a comunicação escrita, dependendo do contexto e da finalidade, assume características muito peculiares. Por isso, não se pode pensar o texto como algo monolítico, como uma família em que todos tenham a mesma fisionomia. Há textos e textos, e assim é preciso que os redatores [escritores] se dêem conta dessa numerosa diversidade. Para muitas pessoas escrever um simples ofício é tarefa tão árdua quanto falar em público: as palavras nunca parecem adequadas, as idéias recusam-se a seguir uma ordem lógica e o resultado final, quase sempre, fica abaixo das expectativas. E, nestes tempos de comunicação virtual, as pessoas parecem estar perdendo a capacidade de escrever. E o pior, estão dando pouca importância à qualidade da comunicação escrita, cada vez mais restrita às mensagens telegráficas dos e-mails.
            Assim, face às expectativas do mundo atual, é basilar saber escrever. Isso não significa que cada pessoa se torne um especialista da escrita. Não, não é isso. Porém é preciso reconhecer que uma capacitação técnica ajuda e muito a melhorar o desempenho cotidiano. Desse modo se ganha tempo, produtividade e excelência. Mas isso — fique claro — nada ou pouco tem a ver com gramática, como muitos pensam. A urgência reside na necessidade cotidiana e imperiosa de se escrever e de se utilizar a língua como ferramenta de trabalho.
            Por isso tudo é importante seguir um aprendizado, mas com a certeza que ele não acontece por "milagre" e nem será do dia para a noite que há de se aprimorar a comunicação escrita. Escrever é como andar de bicicleta: uma questão de prática. Só se aprende tentando. É preciso investir na capacitação profissional, porque cada pessoa é aquilo que fala e escreve. Alguns escrevem mais e melhor que outros. Então, se é importante competir, também é importante dominar esse código da escrita, não apenas desenhando letras, mas produzindo textos (orais e escritos) que digam daquilo que cada um é diferentemente do outro. Aí, então, a comunicação escrita fará a diferença no mundo do trabalho, hoje tão competitivo, garantindo o sucesso das pessoas.

DICAS DE GRAMÁTICA

A PÉ, DE PÉ, EM PÉ?
·   Estar a pé = estar sem carro, "desmotorizado". Ir (vir, viajar etc.) a pé = deslocar-se sem qualquer tipo de veículo.
·   Estar / ficar de pé = continuar firme, subsistir, resistir, manter-se.
·   Estar em pé = estar ereto sobre seus próprios pés, sem ser sentado ou deitado. Nesta acepção, também se diz de pé: Permaneci de pé / em pé a missa toda.
A FAVOR ou EM FAVOR?
São expressões equivalentes, cujo uso varia muito em razão do antecedente: vento a favor, nem contra nem a favor; trabalhei em seu favor, fiz um pedido em favor do compadre.
Ex.: Os políticos evitam se posicionar a favor / em favor do aborto.
ASSUNÇÃO ou ASCENSÃO?
Cada forma com um sentido diferente. Veja:
Assunção = ato de assumir; elevação a um cargo.
Ascensão = ato de ascender; subida
Ex.: Desejamos transmitir nossos parabéns por sua assunção no cargo de governador desse próspero Estado.
Dizem as más línguas que nada explica tão rápida ascensão na vida.

O MUNDO EXIGE MELHORES EDUCADORES


              O mundo atual, tão cheio de novidades, faz-nos faz pensar como será a educação de amanhã, posto ser muito difícil prever o futuro, ainda mais no campo educacional, que se defronta com uma complexidade interminável de problemas, tanto de natureza socioeconômica como de diversidade cultural e de valores. E a educação, como tanta gente diz, é o motor do mundo. A educação deve ser, sempre, tema de grande reflexão para a sociedade. É nela que depositamos a nossa confiança para que nossos filhos tenham um futuro melhor. A educação, segundo Paulo Freire, deve primar pela formação integral do ser humano, ou seja, contemplar seus aspectos culturais, éticos, morais, sociais, profissionais e espirituais, intermediados pelo mundo.
            Este ingresso no século XXI está marcado por profundas mudanças no modo de vida do homem ocidental. As ideias cartesianas ‘das partes’, da ‘razão pura’ deixam de ser verdades absolutas para ceder lugar a novos pensamentos sobre a pessoa humana. Pois este momento concebe um ser integrado ao mundo. Por isso urge uma mudança de pensamentos e valores na elaboração de novos paradigmas. A educação deve avançar, com urgência, além dos paradigmas da ‘educação bancária’. Hoje, é imprescindível o aprender, o aprender a fazer, o aprender a ser, o aprender a conviver.  O mundo necessita de Paz e Amor! Humanismo se faz urgente!
            Assim, a educação deve olhar o ser humano a partir dele próprio, de sua afetividade, do seu egocentrismo, de sua subjetividade, de sua intersubjetividade e de seu altruísmo. Neste momento da pós-modernidade é urgente que, em todos os níveis, educadores estejam presentes em salas de aula. Este milênio exige da escola um novo trabalhador, polivalente, flexível, motivado, criativo, apto à participação e à interação com seus pares na geração de soluções para os problemas do cotidiano, na produção de bens e serviços em quantidade cada vez maior, de qualidade cada vez melhor e a um custo cada vez mais reduzido.
            Vê-se, então, que a tarefa do professor reside em orientar, conduzir as pessoas para a solução dos problemas do mundo. Assim, deverá incuti-las no hábito do trabalho, das profissões, dos ofícios, do convívio social, da vida harmônica. Assim, enquanto o professor pode ser um funcionário das instituições onde trabalha, um especialista em reprodução de conhecimentos, uma peça no aparelho ideológico de estado, o educador, ao contrário, é um fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos, idealizador de sonhos. Educador há os milhares. Mas professor não, a profissão não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão, é vocação. Toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.
Ser professor é apenas uma função técnica, ser educador
vai além. A escola que trabalha voltada para o conteúdo, onde cada professor pensa que
sua obrigação maior é "dar o programa", precisa reestudar a sua função. Temos de nos convencer de que a base do compromisso educacional é o "objetivo' e não a "matéria", pois não basta a escola ser um simples difusor de conhecimentos. Ensinar a ler, a contar, a conhecer a geografia, a história, as ciências é sem dúvida tarefa meritória. Mas a vida moderna exige da escola muito mais: ela tem de levar o aluno a pensar, a contextualizar, a analisar comparativamente, a quebrar preconceitos, a buscar soluções gradativas para problemas que afetam a sua comunidade.
            E, neste contexto, como ser professor e educador? Aprender a ser professor passa pelos caminhos acadêmicos, pelas aulas teóricas e práticas, pelo mundo dos métodos e técnicas. Aprender a ser educador é seguir um pouco mais adiante: entrar no mundo dos sonhos e pensamentos carregados de luz, cor e sabor. Aprender a ser educador passa pelos caminhos da humildade do ensinar aprendendo e aprender ensinando; passa pelos caminhos do amor, pelos caminhos do calor, do acolhimento, pelos caminhos do coração. Aprender a ser educador passa pelos caminhos do saber que nada se sabe só porque a sabedoria é construída em teia, tecida por caminhos de conhecimentos comungados com o outro.
Uma sociedade onde caibam todos só será possível num mundo no qual caibam muitos mundos. “A educação se confronta com essa apaixonante tarefa: formar seres humanos para os quais a criatividade e a ternura sejam necessidades vivenciadas em elementos definidores dos sonhos de felicidade individual e social”. (ASSMANN, 1998, p.29)
            Vê-se, pois, neste momento do século XXI, a grande urgência, em todos os níveis, de educadores presentes em salas de aula. O ser humano enquanto ser in natura traz dentro de si os valores essenciais, no entanto, o tecnicismo do ato pedagógico colocou a técnica à frente do ser. O que significa o viver está além do fazer, está na essência do ser. Então, que o “fazer” não tenha mais valor que o “ser”, mas que juntos sejam coadjuvantes no semear de sonhos para fazer nascer um mundo melhor.

DICAS DE GRAMÁTICA

FELICIDADE TEM PLURAL, PROFESSORA?
- É claro que esse vocábulo flexiona em número. O dicionário do Houaiss registra o plural exatamente com o sentido de congratulações: "felicidades - s.f. pl. votos de feliz êxito; congratulações".

COMO SE LÊ "HOUAISS"?
- Caro leitor, esse era o sobrenome do autor, Antônio Houaiss, não se pode trocar. A pronúncia é simples, assim: /uais/. É a melhor coisa que já fizeram em termos de dicionário da nossa língua. Vale a pena adquirir a obra.

QUANDO ELE VIR SUAS NOTAS, FICARÁ MUITO FELIZ?
- Certamente, tanto pelas notas quanto pelo emprego do verbo, pois este é o futuro do subjuntivo do verbo ver, que pode ser confirmado em qualquer gramática, ou no Houaiss e no Aurélio eletrônicos, que têm um mecanismo de conjugação verbal. Assim, se diz: Quando eu vir o filme", "quando vires", "quando ele vir".
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Luísa Galvão Lessa – Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Presidente da Academia Acreana de Letras.

ESSE SENTIMENTO CHAMADO AMOR




Na escola aprendemos que o amor é um sentimento abstrato, que não podemos pegar, apalpar, só sentir, vivenciar. A palavra amor tem sua origem no latim, amor, tal como conhecemos, e na língua portuguesa assume muitos outros significados, podendo ser um sinal de: compaixão, afeição, atração física que pode convergir em paixão ou um bem querer. Também ganha o significado de misericórdia, desejo sexual. Também pode ser entendido como no sentido familiar, amor de pai, amor de mãe, entre irmãos. Amor em latim tem mais duas variações que recebem o mesmo significado, dilectio e charitas. Uma palavra tão pequenina, mas tão rica e com tantos desdobramentos, é isso que ele significa, uma amplitude maior do que não podemos mensurar.
Os gregos também tinham palavras para definir amor: Eros, o amor expresso em uma forma física; Pragma, aquele que procura o lado prático da coisa, simbolizado por aquela pessoa que só entra em um relacionamento se tiver certeza que vai conseguir algum objetivo prático; Philia, cujo significado é generosidade, altruísmo, o contrário de pragma, aquele que pensa antes no outro.
Robert Stenberg (1998), psicólogo norte-americano, formulou uma teoria triangular do amor, a qual engloba três componentes distintos: a intimidade, a paixão e o compromisso. No que toca à intimidade, de caráter mais emocional, estamos diante de uma relação de confiança mútua que inclui a proteção e a necessidade de estarmos perto do outro. É através da intimidade que duas pessoas compartilham as suas experiências pessoais e o que mais íntimo há de si. A paixão, que se baseia essencialmente na atração sexual, envolve um sentimento irreprimível de estar com o outro. Por sua vez, o compromisso é a expectativa de que o relacionamento dure para sempre, numa intenção de comprometimento mútuo.
Na Psicologia, o amor é definido como sendo não simplesmente o gostar em maior quantidade, mas sim um estado psicológico qualitativamente diferente. Isto porque, ao contrário do gostar, o amor inclui elementos de paixão, proximidade, fascinação, exclusividade, desejo sexual e uma preocupação intensa.
Mais tarde, professores de psicologia da Texas Tech University Susan Hendrick e Clyde Hendrick criaram a Escala de Atitudes Amorosas, a partir dos seis tipos de amor classificados por Alan John Lee os pesquisadores observaram as relações interpessoais correlacionadas.
Ágape: o altruísmo em forma de amor, esse é verdadeiramente espiritual, sem necessidade de ser retribuído, existe para ajudar o próximo.
Psique: um sentimento superior, quase espiritual, fundamentado na mente e nos sentimentos filosóficos.
Ludus: um jogo, jogo onde só pode haver um vencedor ou que brinca com os sentimentos da pessoa amada.
Eros: o mais próximo do que conhecemos por paixão, fundamentado na beleza física, nas aparências.
Storge: o amor que surge com o tempo, muitas vezes se inicia por uma amizade que vai amadurecendo, com sentimentos e gostos semelhantes.
Pragma: um amor mais egoísta, pragmático que surge geralmente com um objetivo, com uma necessidade que beneficia apenas uma pessoa.
Mania: onde a emoção fala mais forte, muito instável e se aproxima do sentimento de paixão que pode evoluir para um ciúme doentio e sentimento de posse.
Psicologismos à parte, o que será, entre nós, sabedores do senso-comum, o amor? Será uma mistura entre loucura e paixão, sentimentos que centralizam o nosso pensamento única e exclusivamente na pessoa que amamos? Ou será um sentimento de desejo incontrolável que nos torna incessantemente ansiosos por estar com o outro, numa troca recíproca de carinho, afeto, confidências, palavras e olhares? De fato, o amor pode ser uma conjugação de todos estes aspectos, em que nenhum é dispensável, mas todos são imprescindíveis.
Numa tentativa de simplificar a definição de Amor, os psicólogos sociais recorreram à definição de seis diferentes formas de amar. São elas seis: 1) o amor romântico – envolve paixão, unidade e atração sexual mais usual na adolescência; 2) o amor possessivo – determinado pelo ciúme, provocando emoções extremas; 3) o cooperativo – nasce de uma amizade anterior, sendo alimentado por hábitos e interesses comuns; 4) o amor pragmático – característico de pessoas ensinadas a reprimir os seus sentimentos, o mais possível, sendo estas relações desprovidas de qualquer manifestação de carinho; 5) o lúdico – baseia-se na conquista e na procura de emoções passageiras; 6) o amor altruísta – praticado por pessoas dispostas a anular-se perante o outro, tendendo a “isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e atue exatamente ao contrário”.
Há quem defenda que o amor é uma história construída ao longo da vida que, no correr do tempo, transpõe a mera atração física, passando para uma preocupação com o bem-estar do outro para o seu próprio bem-estar. Manifesta-se numa influência mútua, no qual a (in) felicidade de um causa a (in) felicidade do outro. A paixão e o desejo tendem a não ser tão intensos, fortalecendo-se antes a cumplicidade, a intimidade e o companheirismo.
Vejo, por meio de tantas leituras, que nenhum amor é eterno. Isso significa que se Shakespeare, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Camões, não fizeram poemas com juras eternas, nem amores eternos, quem criou essa coisa de “para sempre” fomos nós humanos. Nenhum amor é eterno, por isso mesmo a pessoa tem que aproveitar todos como se fossem, porque cada amor é único, tem que ser vivido da forma mais intensa possível, todos os dias tem que ser guardado na memória como um sentimento sublime.

DICAS DE GRAMÁTICA

Uso de “MAU” ou “MAL”
MAU é o oposto de “bom”, como no exemplo: “Eu sou mau. Vou para o inferno”
MAL é o oposto de “bem”, como no exemplo: “Ele fala muito mal“. Ele não fala bem.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Ao público leitor: TECIDO DO CORAÇÃO








 TECIDO DO CORAÇÃO” é um livro em homenagem ao AMOR, esse sentimento que comanda a vida humana e desperta, em nós, os mais diferentes humores, tais como alegria, entusiasmo, melancolia, nostalgia, tristeza, esperança, fé, confiança, inquietação, paz, dor da partida, da saudade, do silêncio, da noite, do fogo, do vulcão, da solidão. É um livro que fala diretamente ao coração de homens e mulheres. É, ainda, um livro que interroga a vida, bem como a forma que, por vezes, as pessoas têm que remar contra ventos e marés para poderem por de pé um projeto de vida.
É uma obra iniciada antes mesmo de ser escrita, pois teve seu começo quando aprendi a olhar e a sentir o mundo, sempre com a alma despida de outros sentimentos que não fosse o amor, a coragem, determinação, fé. Aqui, há olhares, saudades, trocas de beijos e afagos, encontros, despedidas, reencontros, sonhos, desejos, enfim, a sensibilidade que povoa uma alma que sente os sentimentos do mundo.
Engana-se quem pensar, aqui, descortinar um retrato autobiográfico. Ao contrário, os sentimentos descritos habitam as almas humanas e revelam que o amor, para surgir, não  necessita de cenários espetaculares ou qualquer outra coisa, mas de uma perfeita oportunidade de sentir. E, ao final, indaga-se: há algo melhor do que a poesia para ser representante do amor, com todas as suas nuances?! Leia a obra, aprecie os poemas, e realize sua viagem em direção ao coração.
Como todo livro de poesia, este, definitivamente, também vem embriagado de sensibilidade e profundidade, com experiências de amar, grandeza interior e pureza d’alma. É, então, um livro para ser lido e relido naqueles dias em que nosso coração dolorido pede um pouco de poesia para acalentar a alma.
Saudações, leitores!
Luísa Karlberg
                Autora


A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.