quinta-feira, 8 de setembro de 2016

TER BONS AMIGOS É TER MAIS SAÚDE E FELICIDADE





Ter amigos verdadeiros é um bem precioso na vida de qualquer pessoa. Amigos são pessoas que nos elegeram pelo coração, que gostam da gente com defeitos e virtudes, coisa que os familiares, maioria das vezes, não toleram e vivem a tecer críticas. Os familiares querem a pessoa perfeita, segundo a visão deles. Esquecem-se, maioria das vezes, que cada ser humano possui defeitos e virtudes. Não existe um ser perfeito. Já os amigos nos aceitam como somos.
Para saber quem são nossos amigos, a pessoa deve fazer um flashback, tentar relembrar os momentos mais marcantes que já viveu ou em quais companhias se sente mais feliz. Lembrar com quem a pessoa estava nos momentos mais bonitos e, ainda, naqueles tristes. Certamente estarão na sua história os verdadeiros amigos. Escolhidos a dedo ou impostos pelo acaso, eles servem de combustível para enfrentarmos desafios do dia a dia, dividindo experiências boas e ruins.
Dizem os sábios ser a amizade uma das formas de aprimoramento do ser humano. A amizade rompe as fronteiras do preconceito e torna-se essencial, seja entre colegas, vizinhos, pais e filhos, irmãos, namorados ou marido e mulher. E o nosso corpo agradece. Ter amigos traz benefícios tanto para a saúde mental quanto física. Segundos estudiosos há muitas vantagens quando se cultiva um bom círculo social, em meio a verdadeiros amigos,
Risco menor de doenças - As boas amizades propiciam mais imunidade ao nosso corpo. Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos EUA, identificaram que pessoas muito solitárias, ao longo da vida, tendem a ser mais indefesas, ter noites ruins de sono e sofrer mais com as complicações enfrentadas ao longo da vida, como o estresse. Outro estudo americano, publicado no Journal of the American Medical Association, apontou uma relação entre solidão e o risco maior de ter doença de Alzheimer.
Vida mais longa – A presença de bons amigos aumenta em 50% a chance de a pessoa viver mais. O dado vem de pesquisadores da Brigham Young University, nos EUA, que analisaram 148 estudos feitos durante sete anos e meio. Segundo eles, quem passa grande parte da sua vida sem interações sociais tem um prejuízo relacionado à longevidade que pode ser comparado a fumar cigarros todos os dias, ser alcóolatra ou ser obeso.
Mais otimismo no seu dia a dia – Ter amigos leais e confiáveis propicia uma felicidade contagiante. Essa afirmação resulta de um estudo da Universidade de Califórnia e de Harvard, nos EUA. Durante duas décadas, cinco mil pessoas foram analisadas. Como resultado, a probabilidade de sorrir mais para a vida cresceu em até 60% nos participantes que conviviam com pessoas alegres. É um efeito dominó: se você é otimista, a chance de seu amigo e até do amigo do seu amigo também ficarem felizes é muito maior.
Saúde para o coração – Está comprovado, cientificamente, que vínculos afetivos estimulam as emoções positivas. Essas emoções, por sua vez, influenciam nos batimentos cardíacos. Um estudo que durou dez anos, da Universidade Columbia, nos EUA, mostrou que pessoas normalmente felizes, entusiasmadas e satisfeitas têm menos chance de serem depressivas e apresentam um risco 22% menor de ter infarto ou desenvolver doenças cardíacas.
A melhor forma de dividir seus sentimentos – Ter amigos é uma necessidade natural de todo ser humano, pra poder compartilhar experiências e sensações. A cumplicidade explica a ligação que torna os amigos inseparáveis. A compreensão que existe nesse tipo de relacionamento é profunda e marcada por muitas descobertas em conjunto, diferente do que acontece no ambiente familiar onde as posições estão marcadas. Há aqueles “ditos” melhores do que outros.
Relações amorosas duradouras – A amizade verdadeira é uma espécie de cola, une pessoas, une marido e mulher por muitos anos. Não é tanto o amor que faz essa união duradoura, mas a amizade. Para o psicólogo John Gottman, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, 70% da paixão, do romance e do sexo para os homens decorre da amizade, e a porcentagem é ainda maior para as mulheres.
Amadurecimento longe da depressão - Manter e ter bons amigos ajuda a amadurecer e isso serve principalmente para as crianças. De acordo com um estudo da Universidade do Maine, nos Estados Unidos, apenas um amigo de verdade já é suficiente para ajudar os pequenos a se desenvolverem psicologicamente e mandaram para longe a depressão, a baixa autoestima, a ansiedade e a depressão.
Físico em forma - Ter amigos nos livra de muitos problemas relacionados à depressão e ao tédio. Estudo da Universidade de Bristol, no Reino Unido, apontou que se seus melhores amigos praticam atividades físicas, as chances da pessoa também sair do sofá são grandes. Tudo por conta da capacidade de influência das amizades.

DICAS DE GRAMÁTICA
HAJA VISTA ou “HAJA VISTO, professora?
HAJA VISTA  - É a única expressão correta, pois neste contexto a palavra “vista” é invariável. Mas o verbo “haver” admite concordância com o substantivo a que se refere.
- Ex 1: “Haja vista o ocorrido, não irei trabalhar”
- Ex 2: “Hajam vista os acontecimentos, não irei trabalhar”
Dica: como a expressão “Haja Visto” não existe, deve-se dar a preferência ao uso da forma invariável HAJA VISTA.

DOMINAR A LÍNGUA ESCRITA É QUESTÃO DE CIDADANIA




Sabemos que a língua escrita é uma representação da fala, mas não uma mera reprodução dela, considerando possuir estratégias de organização específicas que lhes são peculiares. A linguagem é um objeto simbólico construído pela humanidade. Os seres humanos primitivos usavam uma expressão bastante correta, composta pela fala e pelo gesto. A escrita passa a ser caracterizada por um instrumento mais generalizante, com o desenvolvimento do pensamento humano, pois ela tem sua origem nos primeiros signos utilizados pelos povos primitivos com o intuito de ajudar à memória.
Na opinião de Vygotsky e Lúria (1996, p. 120):
Tudo o que a humanidade “enculturada” lembra e conhece hoje em dia, toda sua experiência acumulada em livros, vestígios, monumentos e manuscritos, toda essa imensa expressão da memória humana – condição necessária para desenvolvimento histórico e cultural do homem, deve-se à memória baseada em signos.

Assim, a história da escrita está intimamente ligada à evolução do passado da humanidade, de como o ser humano se desenvolve para controlar sua memória, passando, desse modo, da linguagem oral para a linguagem escrita, seja a escrita pictográfica, na qual se utilizavam imagens visuais para transferir os pensamentos e conceitos, sena a escrita ideográfica ou hieroglífica, que utilizava símbolos que se afastava do objeto.
Na concepção de Cagliari (1993, p. 96):
A escrita é algo com o qual nós, adultos, estamos tão envolvidos que nem nos damos conta de como vive alguém que não lê e não escreve, de como a criança encara essas atividades, de como de fato funciona esse mundo caótico e complexo que nos parece tão familiar e de uso fácil.

Imaginar que uma pessoa, nos dias de hoje, ainda vive sob a escuridão provocada pelo desconhecimento da linguagem escrita, causa certo mal estar, porque, como o autor colocou acima, a escrita se tornou algo essencial para a sobrevivência humana, tornando-se quase que imperceptível a sua ausência em determinado grupo.
Por isso, a atenção para a aprendizagem da criança a partir da mais tenra idade, se faz necessária, porque é inconcebível que ela permaneça crescendo e se desenvolvendo, intelectualmente, dentro de um mundo onde a escrita e leitura estejam distantes uma da outra.
Em uma pesquisa realizada, no país, pelo Programa “Retratos da Leitura do Brasil”, sobre a leitura, os resultados são os seguintes: mais de 60% da população brasileira considera a leitura uma fonte de conhecimento para a vida. É o que diz a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”
A verdade é que ler traz muitos benefícios a quem o pratica de modo correto. A leitura desenvolve e aumenta o repertório geral, auxilia para que o indivíduo tenha senso crítico, amplia o vocabulário, estimula a criatividade e, finalmente, facilita a escrita. Aquela pessoa que não domina o código escrito é como uma árvore sem raízes, que balança e cai a depender da intensidade dos ventos que sopram. Deixa de ser competitiva no mercado de trabalho.
Finalmente indaga-se: de quem é a culpa de haver analfabetos no Brasil? A responsabilidade dessa falta de qualidade, não deve recair sobre educadores e trabalhadores da área de educação, pois é uma questão muito mais ampla, e a solução depende de investimentos por parte dos governantes que sempre enganam o povo. Antes da eleição dizem: vamos priorizar EDUCAÇÃO. Depois de eleitos elegem por prioridades os interesses particulares. Essa gente deveria ser banida da política. Desviar dinheiro da Educação é o maior crime cometido contra o povo de uma nação. Dominar a língua escrita é questão de cidadania.

DICAS DE GRAMÁTICA
COMO USAR “SE NÃO” ou “SENÃO”, PROFESSORA?
SE NÃO - É o mesmo que “caso não”, como na frase “Se não dormir mais cedo, vou acordar mais tarde”
SENÃO - É o mesmo que “do contrário”, como na frase: “Eu estava dormindo, senão atenderia”; ou o mesmo que “a não ser”, como na frase “Não faço outra coisa senão amar você.”
Uso de “TÃO POUCO” ou “TAMPOUCO”
TÃO POUCO - É o mesmo que “muito pouco”, como no exemplo “Ganho tão pouco que não dá nem pro cafezinho.”
TAMPOUCO - É o mesmo que “também não”, como no exemplo “Não comi a salada tampouco a sobremesa.”

CAMINHO PARA UMA SOCIEDADE HARMONIOSA E RESPEITOSA




E fato conhecido que desde que o ser humano tomou consciência do poder intelectual que desenvolve, ele vem criando, ao longo do tempo, meios e técnicas que facilitem e aprimorem seus conhecimentos, na busca de conhecer-se e conhecer o mundo se expande à sua volta, buscando na escrita, na codificação e decodificação, registrar sua história, adaptando-se aos vários fatores que, paulatinamente, vão se inserindo nessa história humana e modificando-a de forma quase que irreversível.
Deste modo, o que antes era indecifrável, descontextualizado, paradoxal, na atualidade ganha novas perspectivas, mediante o domínio da natureza, dos símbolos, da fala, da escrita/leitura. O ser humano passa a imperar a partir do domínio de todos esses signos naturais, linguísticos, históricos, que passam a se entrelaçar à cultura, à sociedade e à vida da humanidade. Ler e escrever tornou-se algo tão importante que as pessoas que elas não mais desejam permanecer alheias aos acontecimentos da vida, querem registrar fatos do dia-a-dia como uma questão imprescindível para perpetuar a história da espécie humana na terra.
A partir dessa concepção, a educação, que antes era destinada para poucos, para os nobres, ganha novos paradigmas, ampliando-se cada vez mais, com o objetivo de edificar para sempre a inteligência humana. O ato da leitura ganha novos significados, enraíza-se, definitivamente, quer seja através de papiros, panfletos, livros, revistas, jornais, entre outros. O mundo letrado avança e passa a representar grandes progressos para as pessoas, permitindo a absorção de novos conhecimentos, tomada de consciência de seus valores, direitos e deveres, permitindo a sua inserção no mundo ainda mais dinâmico e globalizado.
Nesta altura da vida social, salta aos olhos o papel essencial da família, que deve apresentar situações onde o estudante participe de atos de leitura/escrita, enquanto interlocutor. Todavia, a família de hoje não mais se reveste de valores éticos, morais, sociais e educacionais como outrora. Os hábitos da juventude de hoje os distanciam da educação difundida pela escola. E a escola não pode suprir, nunca, o papel da família. Para agravar esse quadro deficiente, soma-se a ausência de políticas públicas de qualidade, bem como apoio e incentivo à educação, para que ela realmente seja boa e de qualidade.
Considerando a fragilidade nas políticas públicas, a educação começa a caminhar com passos mais lentos e ociosos, falhando onde mais deveria se fazer presente, contribuindo para que os discentes não encontrem nela um pilar de sustentação para a construção de sua própria cidadania, abrindo um abismo imensurável no ensino-aprendizagem. Associado à carência familiar, o discente se depara com uma situação que o deixa desprovido de recursos e motivações para poder prosseguir na própria alfabetização, tornando-o descompromissado com o seu aprender.
Em função disso, a criança passa de uma série para outra com enorme carência linguística, ganhando proporções abismais no tocante à aprendizagem. O que seria construído firmemente, nas fases iniciais de aprendizagem, passa a ser desfragmentado e desmascarado nas séries seguintes, prejudicando em demasia o desenvolvimento cognitivo do aluno.
Na era pós-moderna essa deficiência de aprendizagem vem se tornando motivo de angústias, questionamentos e entraves sociais. Não saber ler e escrever, no mundo atual, é um caos. E, nesse sentido, as escolas procuram desenvolver projetos voltados principalmente para a leitura e a escrita, buscando com isso, minimizar os conflitos que se estendem praticamente em todas as áreas de conhecimento sistemático. Mas é uma investida frustrada, os estudantes não conseguem superar as cicatrizes que carregam da família e da má política educacional. Os remendos não funcionam.
Com esses “projetos salvadores”, o máximo que o governo consegue é gastar recursos sem alcançar metas. Melhor seria investir nos primeiros anos escolares, incutir nos estudantes a necessidade de ler e compreender o mundo e, então, nele habitar em paz e harmonia, enquanto cidadão decente e digno, compreendendo a si e ao outro, respeitando a si e ao outro. Esse é o caminho para uma sociedade harmoniosa e respeitosa.

DICAS DE GRAMÁTICA
COMO EMPREGAR ONDE E AONDE, PROFESSORA?
- ONDE - É empregado para ideia de algo fixo, que não tem movimento. Exemplo: Onde você mora? Onde está localizada a casa da professora?
- AONDE - Acompanha verbos que dão ideia de movimento, de mudança. Exemplo: Aonde você foi nesta noite? Aonde vão aquelas moças tão bonitas?
COMO USAR DENTRE ou  ENTRE, PROFESSORA?
ENTRE - É utilizado nos casos em que o verbo não exige a preposição de, como no exemplo: Entre as pessoas desta sala, tenho mais chance de passar no ENEM.
DENTRE -  Significa “no meio de” e é fruto da união das preposições de + entre. Mas para que esta união ocorra, o verbo precisa exigir a preposição de. Veja exemplos:
Ele ressurgiu dentre as pessoas. (quem ressurge, ressurge de algum lugar. Neste caso, de onde? De entre as pessoas, ou do meio das pessoas);
Os músicos saíram dentre as primeiras filas. (quem sai, sai de algum lugar. De onde? Do meio das primeiras filas).

sábado, 20 de agosto de 2016

BREVE VIAGEM EM “UM PARAÌSO PERDIDO” DE EUCLIDES DA CUNHA


É incontestável verdade que através do livro “Um Paraíso Perdido” Euclides da Cunha cumpriu a fantástica missão de revelar a Amazônia à consciência nacional, enquanto esteta da linguagem, ensaísta e humanista. É uma obra merecedora de múltiplas leituras e viagens para melhor compreensão do ser humano amazônico e sua interação com a natureza. Aqui é um mundo diferente.
No contexto em que escreveu a valiosa obra, (1904-1909), Euclides da Cunha vivia um momento de inquietação pessoal: novos parâmetros sociais, econômicos, políticos e culturais eram impostos ao cotidiano das pessoas da época. E, embora seja uma obra escrita no século XIX, ela me parece muito atual, porquanto é inconteste em três áreas: a Geografia, a História e a Sociologia da Amazônia. Sobre essas áreas há muito para escrever, dizer, construir. E, embora a obra tenha sido escrita no contexto das transformações materiais e espirituais da Belle Époque Amazônica, a viagem euclidiana ainda é bastante atual. Sinaliza, na releitura, que a Amazônia continua a ser um grande desafio para o mundo.  Pela magnitude de “Um Paraíso Pedido” , Euclides foi notado como grande conhecedor da Amazônia  e cumpriu a missão de revelar a Amazônia à consciência nacional, em face aos novos parâmetros sociais, econômicos, políticos e culturais da época.
Em “Um Paraíso Perdido”, aparece o “seringueiro”, o “cauchero”, o “Judas-Asvero” entre outras. São figuras humanas que não combinam com a modernidade, ainda que resistam aos tempos modernos. São obstáculos à civilização do país percebidos pela sensibilidade do escritor que demonstra um desencantamento do mundo, no sentido weberiano do termo. Esse desencantamento reflexo dos paradoxos da modernidade que não alcança todas as pessoas, as desigualdades sociais, o desconhecido mundo-natureza ao visitante estrangeiro.
“Um Paraíso Perdido” é, também, uma obra que tenta desconstruir mitos acerca da região. Um deles era a crença no clima inóspito, descrito por cronistas e viajantes, como determinante inclusive para o caráter perturbador das pessoas da região. Euclides da Cunha reconheceu as dificuldades que o estrangeiro tinha em se aclimatar, mas admitiu não ser o clima o grande responsável pela baixa densidade demográfica da região e sim a ausência de uma via de transporte e comunicação por terra, visto que além de perigosa, era muito dispendiosa a navegação pelos rios da região, daí a necessidade de se construir a Transacreana (obra que perdura há dois séculos e ainda não reflete as construções deste século XXI).
Vejamos, então, que a visão de Euclides é atualíssima. A Amazônia enfrenta as mesmas dificuldades de dois séculos atrás, com mais agravantes: os rios não são navegáveis como outrora. Também, as estradas e rodovias não atendem às necessidades dos habitantes regionais e muitas cidades, construídas após “Um paraíso pedido”, permanecem, como uma saga, perdidas no tempo, massacradas pelo assombroso atraso de vias de comunicação e transporte. Mesmo a centenária Capital do Acre, Rio Branco, não possui voos de empresas aéreas do período diurno, o aeroporto e um verdadeiro caos, as passagens caras e cansativas. Temos os horários mais temerários ao bem-estar da vida humana.
Outro aspecto a considerar, em “Um Paraíso Perdido”, é a natureza como um dos elementos centrais na narrativa. Ela aparece como opositora do ser humano. É ela quem dita o significado e o avanço da civilização na Amazônia.  De fato a natureza é detentora da qualidade de vida regional. Hoje, mais do que nunca, a natureza dá respostas. As pessoas estão destruindo a flora e fauna, as florestas, os rios e, assim, tornando inóspita (como antes) a vida na Amazônia. Muito bom reler “Um Paraíso Perdido”. A compreensão da vida regional implica em entender o binômio “civilização-natureza”.
Percebe-se em “Um Paraíso Perdido” que Euclides via, na sua leitura amazônica, uma natureza imperfeita e instável, igualmente um “gigante adormecido ou recalcado”. (Hoje se rebela com enchentes e secas) Portanto, a ideia euclidiana de natureza está permeada na fronteira móvel e plástica entre a “primeira” e a “segunda natureza” idealizadas por Cícero (apud. NAXARA, 2001, p. 27/28): a “primeira natureza” consiste na natureza selvagem e indócil, ela é a dona de si mesma e da História. A “segunda natureza” consiste na natureza já trabalhada pelas mãos do homem, mas ainda não domada completamente.
Percebe-se, na obra de Euclides da Cunha, o seu desejo de fazer da natureza amazônica a “terceira natureza”; representação cunhada, ainda no Renascimento, e que serviu para designar a natureza totalmente domesticada pelo ser humano e, também, submetida as suas intervenções essencialmente motivadas por valores estéticos, éticos e morais. Essa é a utopia da obra euclidiana, visto que, a verticalidade, enquanto elemento do discurso civilizador era completamente inexistente na região, sendo, portanto a horizontalidade que dominava a paisagem da Amazônia. Aí reside o binômio “civilização-natureza.”
É certo que muito necessita ser feito. A Amazônia tem sido olhada como um problema para o mundo. No entanto ela deve ser vista como solução. Há, aqui, uma natureza rica em espécies animais e vegetais. Um subsolo desconhecido, enfim, um mundo a ser desbravado e um povo a ser compreendido, em suas peculiaridades, e necessitado, ainda, da graça de alcançar as benesses da vida moderna deste século XXI.
 

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.