segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DISCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

 

Luisa AAL flores

Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg

Recebo, com honra e humildade, a Presidência da Academia Acreana de Letras. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco -- nunca imaginei chegar a esta instituição. Agradeço aos confrades que aqui me conduziram, por meio de uma eleição ampla, irrestrita e democrática, da Diretoria intitulada “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

E, nesta breve mensagem eu me curvo diante deste sodalício que me elegeu à Presidência da mais elevada instituição de cultura do Acre: a Academia Acreana de Letras. Quem conhece o berço da imensa Selva Amazônica sabe de onde vim e dos caminhos que percorri na vida. Muitos sabem como se faz para se alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos na misteriosa floresta que embala as nossas vidas. Aprendi, desde cedo, a olhar acima da copa das árvores e saber que havia um mundo para conquistar e o caminho era o da educação, das Letras. E nessa área fui aluna de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Levei a vida inteira a estudar, desde os 5 anos de idade.

Sou uma cabocla, mesclada com o sangue português e holandês, mas me vejo, hoje, tomada de emoção. Não de tristeza, mas de intensa gratidão aos nobres confrades que a vida me presenteou como bons e fraternos amigos. Os senhores sabem, assim como eu, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu. A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfrentamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da própria existência. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem. Eu não me escondo, não tenho a alma subalimentada de sonhos, sempre fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, com dignidade.

Sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir para longe e ele me dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a saída para quem não possui riqueza material”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento. Compreendi, desde muito jovem, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e fazer o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu ou viveu no seio da Floresta Amazônica, como eu -- dentre tantos outros aqui presentes – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.

E, agora, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – quando vejo o filme de muitas histórias da minha vida – eu digo o seguinte: - o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte à minha vida, assim como o saber, a cultura, os meus pais, minhas duas filhas, meus dois netos, os amigos, minha sublime profissão de professora, pesquisadora, educadora. Desta última, fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre.  Como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E tudo indica que vamos afinar ainda mais a canção acreana e porque não dizer brasileira, com essa Diretoria “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

Aqui, fiz breve relato da mulher que hoje se coloca diante da sociedade acreana como Presidente da Academia Acreana de Letras. Nesse cargo dedicarei o melhor dos esforços para cumprir os objetivos da AAL diante da sociedade regional e brasileira. Sou do mundo das Letras, e sei que produzir literatura é algo difícil para quem vive mergulhada no mundo da ciência. Mas eu já compreendi que a literatura antecipa a existência. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios, como está fazendo agora. Pois é a literatura uma arte que nos defende contra as ofensas da vida.

Esta Casa, que a partir de agora presido, é uma Academia. A importância das Academias de Letras flui do liame profundo que existe entre estes sodalícios e a cultura. Aqui, no Acre, sua importância salta aos olhos mais atentos de quem olha a cultura como um motor que traduz a vida em sociedade. Isso porque Cultura significa cultivar, do latim colere. Genericamente, a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano.

E, nesse contexto cultural, aqui no Acre, a Academia Acreana de Letras é, possivelmente, a maior referência no mundo cultural do Estado, uma vez que seus membros, chamados “imortais”, traduzem o lastro cultural do povo. Sendo assim, uma Academia tem o condão de desabrochar aspirações, e de estimular o desenvolvimento da literatura, além de premiar os méritos dos seus mais destacados cultores das letras. Deve penetrar nas regiões do Estado e fazer florescer os gênios dos vales do rio Abunã, Acre, Purus, Juruá. Neste último faço reverência ao meu berço natal: Tarauacá.

Então, falar em Academia é pensar em livros, penetrar na noite dos tempos para encontrar auroras boreais. E, com esta intenção, tateando no desconhecido, pouco a pouco, descobrem-se os indícios primeiros da arte de pensar. O fluir da vida vai acumulando experiência e sabedoria no delta da maturidade, que passa a ser um bem comum, usufruído por todas as gerações e idades, constituindo-se, desse modo, em patrimônio da própria sociedade.

Na Academia Acreana de Letras, cada geração deixa um legado: Amanajós de Araújo, Paulo Bentes, Omar Sabino de Paula, Mauro Modesto e Clodomir Monteiro da Silva. Processo vagaroso, a exigir tempo para tomar corpo e se mostrar. Assemelha-se à formação do universo que, em movimento rotatório, vai condensando energia, gás e luz, até assumir a fosforescência das galáxias, em expansão contínua, onde brilha a centelha da criação.

Por isso tudo, entendo que uma Academia deve espelhar a alma, retratar o espírito, expressar a gênese e as potencialidades de um povo. Guardiã zelosa da língua, o maior patrimônio nacional, a Academia Acreana de Letras deve corrigir desvios, depurar o idioma e preservar sua integridade expressional. Nada distingue mais um povo do outro que sua literatura. No Acre, cabe à AAL resguardar as fontes puras de onde brotam o sentir e o externar das gentes, trabalhá-las e difundi-las para criar a literatura própria, imprescindível de um país enquanto nação. Será nesta Academia que deverão se organizar as trilhas literárias da região e do Estado. Nós, deste sodalício, confreiras e confrades, somos os herdeiros do esplendor do conhecimento humano. Vamos assumir nosso papel, a sociedade nos convida a este dever.

Neste pretendido mandato, a AAL deverá estar presente nas mais diversas discussões sociais, políticas e de caráter comunitário, devendo ser representada em vários conselhos, em nível federal, estadual, municipal. Também deverá promover, periodicamente, debates sobre questões atuais ou problemas regionais, assim como incentivar a produção literária e cultural no Estado do Acre.

Deverá, esta Academia, encadear discussões de natureza diversa:

Ø O idioma pátrio e a literatura de expressão regional;

Ø Trabalhar as questões culturais por bacias hidrográficas, com a participação efetiva dos acadêmicos, para descortinar o potencial humano dessas bacias; o potencial literário; o potencial histórico; o potencial ecológico; o potencial econômico, enfim, tudo aquilo que espelhar a cultura regional.

Ø Deverá a Academia otimizar políticas, junto ao Governo do Acre, para organizar antologias dos movimentos literários, para dar a conhecer ao Acre e ao país os monumentos de expressão acreana, bem como:

Ø Incentivar e promover encontros culturais para sedimentar, sempre, a produção literária;

Ø Estimular os Acadêmicos para profícua atuação junto à sociedade, no sentido de promover oficinas de:

· textos;

· crônicas;

· Poesia;

· Gêneros Literários.

Ø Deverá a AAL realizar encontros de confraternização no meio acadêmico, não somente para festejar a arte do encontro, mas também para conhecer as produções dos confrades e confreiras, no sentido de confeccionar Antologias e discutir estratégias para divulgação das produções dos acadêmicos.

Ø Deverá fazer Concursos literários para incentivar novos talentos. Criar os programas "A Escola vai à Academia e a Academia vai à escola", para que os estudantes conheçam os acadêmicos escritores, cronistas, poetas, historiadores, juristas, literatos, linguistas e demais profissionais.

Essas propostas reúnem um pedaço do grande “TECIDO DA CULTURA ACREANA” que iremos tecer, de forma harmônica e compartilhada, sodalício, entidades, governos e sociedade organizada.

Essas propostas justificam o título da Diretoria” TECIDO DA CULTURA ACREANA” e de todo sodalício. É como pensa Max Weber, que o ser humano é um animal amarrado em teias de significação que ele mesmo teceu. O estudo da cultura não deve ser experimental à procura de leis, mas interpretativo, à procura do significado (Geertz, 1989, p. 15). Assim, como tecedor da cultura, o sujeito caracteriza-se pela atividade; é (re)criador/construtor da estrutura teia que o prende. Está-se diante da própria ideia de complexus, isto é, o que é tecido em conjunto, como diz Morin, (2001, p. 20). Assim, ao tecer a cultura (teia), o sujeito é tecido em conjunto (tece-a ao tempo em que é tecido nela).

De tudo que aqui falo, reflito, manifesto, digo aos senhores, senhoras, ao sodalício da AAL, que poderão apertar minhas mãos e sentir que estou afinada com a arte, a cultura, a vida e o humanismo. E que deixaremos, nessa geração de imortais, imenso legado cultural e intelectual como lição àqueles que chegam depois.

Conclui-se com a célebre frase de John Kennedy: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão, com certeza, perder o futuro”. Iremos trabalhar para dignificar a Academia Acreana de Letras, aproximá-la dos escritores, poetas, cientistas e a comunidade do Acre e do mundo. Aí, então, como diz o hino acreano:

(...) ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil

MUITO OBRIGADA!

O QUE É A AMIZADE?

 

O artigo sobre Amizade não é aula de gramática, mas uma reflexão para um mundo melhor, ao trazer assunto valioso. Algumas pessoas banalizam e acreditam tratar-se de interesses pessoais, oportunidades, proveitos próprios. Mas Amizade é um bem que enriquece e enobrece quem a tem e aquela pessoa que sabe ser amiga. A amizade é uma das mais belas virtudes. Infelizmente, tanta gente desconhece e a deixa passar na vida “em brancas nuvens”.

Segundo os dicionaristas, amigo é aquele “que quer bem, quem tem amizade”. Talvez ainda seja vago, mas procurando o significado da palavra Amizade, encontram-se como sinônimos, entre outros, os termos afeição, amor, boas relações, dedicação, benevolência. Em latim, Amizade significa amicus>amigo, que possivelmente se derivou de amoré>amar, ainda que se diga também que a palavra provém do grego e seja uma relação afetiva, em princípio, sem características romântico-sexuais. Um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas. É entendimento, fraternidade e bondade.

Sabe-se ser a amizade uma realidade presente na vida concreta de todos os seres humanos, ao longo da vida. Desde o início da história escrita há disso testemunhos. E como a realidade é, certamente, mais antiga que os primeiros relatos, a amizade, antes de ser contada e explicada, é um fato que os humanos vivem. Ela é algo próprio do ser, pertence à natureza humana, enquanto ser social criado para amar.

A amizade é uma gota mitigada no deserto; uma ponte colocada no abismo; um porto avistado na tormenta; a alvorada de uma noite mal dormida; uma trilha orientando a chegada; um retorno consolando a saudade; um sinal de Deus entre as pessoas. Por isso tudo a amizade é a coisa mais difícil do mundo de se explicar. Não é uma coisa que se aprende na escola. Mas, se uma pessoa não aprendeu o significado da amizade, a pessoa realmente não aprendeu nada na vida.

Amizade é aquilo que a gente não precisa cobrar, é algo que surge a partir da confiança, e quando se fortalece, nem mesmo o tempo e a distância pode derrotar. Amizade é o gesto de doar sem esperar nada em troca. É a união da lealdade com o companheirismo, um pouco de segurança. Durante as tempestades, um abrigo sempre pronto a acolher. É a mão sempre pronta a se estender. O ouvido em que se possa desabafar. É aceitar os defeitos e exaltar as virtudes. É ouro dos sábios que o dinheiro não pode comprar. O que é a amizade:

· É algo capaz de amenizar a dor e levar a um coração triste e amargurado um pouco de luz e calor.

· Estar sempre presente nos momentos felizes e nas horas difíceis da vida. É o descendente mais nobre da família do amor.

Difícil dizer alguma coisa sobre algo tão maravilhoso que se vive, se sente e se experimenta; pô-lo em palavras é quase impossível. Só se aprende mesmo o que é amizade vivendo. Amizade significa criar laços. É uma fonte que não retém a água para si (seria poço se o fizesse), mas a dá espontaneamente.

A amizade tem uma linguagem que só se compreende com o coração. É por isso que a amizade resulta numa compreensão grande entre pessoas, porque as palavras de gratidão são ditas com gestos de coração para coração. A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando a gente descobre que alguém acredita e confia em nossa pessoa. Isso é sublime!

Amigos não são pessoas que passam por nossa vida e se tornam um fato, mas sim aquelas que permanecem eternamente no coração, na saudade, no cotidiano da lembrança. Por tudo que é a vida e a amizade, é sábio reservar tempo para rir, é esta a música da alma; reservar tempo para ler, é esta a base da sabedoria; reservar tempo para pensar, é esta a fonte do poder; reservar tempo para trabalhar, é este o preço do êxito; reservar tempo para divertir-se, é este o segredo da juventude eterna; reservar tempo para ser amigo, é este o caminho da felicidade; reservar tempo para sonhar, é este o meio de ligar a uma estrela o carro em que se viaja na Terra; reservar tempo para amar e ser amado, é este o privilégio dos deuses; reservar tempo para ser útil aos outros, esta vida é demasiada curta para que sejamos egoístas.

Sabe-se ser a amizade indispensável ao bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. A amizade é um aroma que perfuma a vida, uma suavidade que a encanta, uma lembrança que a embeleza. A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe, alguns descobrem, mas poucos reconhecem.

Finalmente, fruto do hábito e da vontade, a Amizade, segundo Aristóteles -- que a eleva à categoria de virtude -- é uma disposição permanente que decorre de uma escolha livre e recíproca. Além disso, o outro é amado por ele próprio e não por um cálculo mais ou menos egoísta: Aristóteles desqualifica as amizades estabelecidas com base na utilidade ou simples prazer. Esta concepção muito forte da amizade encontra-se em Montaigne: «Na verdadeira amizade, diz ele, dou-me ao meu amigo mais do que dele quero para mim.» Sob esta forma, a amizade é considerada, desde a Antiguidade, como a própria expressão da felicidade.

DICAS DE GRAMÁTICA

MAU e MAL, como usá-los professora?

- Da seguinte forma, Cássio:

Mau, o contrário de bom, é adjetivo – portanto sempre acompanha um substantivo – e tem o feminino (plural: maus e más):

· Fez um mau negócio, num mau momento.

· Os homens maus e as mulheres más sempre se dão mal.

· O lobo mau enfrentou um homem bom.

Mal tem por antônimo a palavra bem e pode ser

(1) advérbio de modo; neste caso fica invariável e no mais das vezes acompanha um verbo ou um adjetivo:

· Quando ele se comporta mal, nada vai bem.

Isso pegou mal.

· Ela joga muito mal.

· Ele é mal-humorado.

· Estamos mal servidos.

(2) substantivo:

· O pequeno mal que o remédio provoca é compensado pelo bem que lhe traz.

· Ele não imagina o mal que fez.

(3) conjunção:

· Mal chegou de viagem, já deseja partir.

IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO MUNDO DO TRABALHO

 

Este artigo não traz receita, mas uma reflexão sobre sentimentos, atitudes, auto-estima, respeito ao próximo, qualidade no ambiente de trabalho, lugar onde as pessoas passam a maior parte de suas vidas. Nesse espaço, algo precisa ser feito, trabalhado, melhorado. A intolerância, o desrespeito, o pouco caso nas relações interpessoais não deve ser permitido. Afinal, a humanidade deve caminhar para o aperfeiçoamento e não para o caos.

Nesse sentido, não é admissível se chegar a um local, uma empresa, uma indústria, uma repartição pública, e encontrar alguém de cara feia, de má vontade, que não responde a um simples e cordial bom-dia. Afinal, o que faz uma pessoa assim num ambiente de serviço? Ainda mais num espaço público e educacional?!

Porém, entre tantas firulas existentes no serviço público, aquela que mais me choca e envergonha é entrar num lugar cujo lema é Educação e ali ouvir pessoas falando de outras, dos chefes, dos colegas, sem o mínimo pudor, respeito, ética. Por isso entendo ser urgente encontrar um novo estilo de administração, voltado para o trabalho em equipe e o desenvolvimento das potencialidades humanas, acabando, de vez, com feudos e grupos parasitários que se apossam de bens e serviços públicos como se fossem coisas pessoais. Gente que age dessa forma deveria ser penalizada, perder o emprego, ir para uma clínica, hospício etc. O serviço público, como o nome diz, existe para servir o público e servir bem, sem cara feia.

E qual solução se tem para este quadro lastimável? É urgente que ele seja melhorado. E, para tanto, devem-se analisar alguns aspectos do ser humano, como por exemplo, a personalidade dos indivíduos; as habilidades sociais e técnicas; as atitudes; os processos de comunicação, percepção, feedback, entre outros. São aspectos fundamentais ao sucesso do serviço público.

Entendo que a base para a melhoria das relações interpessoais é a compreensão de que cada pessoa tem uma personalidade própria, que precisa ser respeitada. Cada ser humano traz  consigo necessidades sociais, materiais e psicológicas, que precisam ser satisfeitas, pois elas influenciam o seu comportamento e, conseqüentemente, os resultados na produção das tarefas executadas. Mas há pessoas que precisam ser tratadas com psicólogos, psiquiatras, analistas. Há gente que não gosta de si mesma, então, como vai gostar dos outros e tratá-los bem?

Por isso tudo entendo que as relações interpessoais atuam como uma disposição interior, uma aceitação do outro, que transparece no modo de falar, de olhar, na conduta com o outro e, sobretudo, na forma de agir educadamente. Assim, os líderes, os chefes de setores, os governantes, administradores, precisam conhecer aqueles que os cercam e desenvolver a coragem de intervir com sinceridade, firmeza, clareza, determinação, no sentido de coibir abusos, incentivar boas condutas, que cada pessoa faça a aquilo que lhe compete, da melhor forma possível. Trabalhar não é um favor que se faz a alguém, é uma obrigação, um dever social, cívico de cada pessoa.

O psicólogo e educador francês Pierre Weil (1971), estudioso das relações interpessoais, propõe dez mandamentos a serem observados pelos membros de um grupo: 1º) Respeitar o próximo como ser humano; 2º) Evitar cortar a palavra a quem fala, esperar sua vez; 3º) Controlar as suas reações agressivas, evitando ser indelicado ou irônico; 4º) Evitar o “pular” por cima de seu chefe imediato, quando o fizer dar explicação; 5º) Procurar conhecer melhor os membros de seu grupo, a fim de compreendê-los; 6º) Evitar o tomar a responsabilidade atribuída a outro, a não ser a pedido deste ou em caso de emergência; 7º) Procurar a causa das suas antipatias a fim de vencê-las; 8º) Estar sempre sorridente; 9º) Procurar definir bem o sentido das palavras no caso de discussões em grupo, para evitar mal entendido; 10º) Ser modesto nas discussões, pensar que talvez o outro tenha razão e, senão, procurar compreender-lhe as razões.

As sugestões aqui postas, se colocadas em prática, podem mudar o quadro das relações interpessoais tanto no setor de trabalho quanto no seio de uma família. A questão da comunicação entre as pessoas é hoje um aspecto que ganha destaque por sua relevância na qualidade de vida. Não raras vezes, assistimos, assustados, episódios nos telejornais, expondo situações corriqueiras, próprias do cotidiano, que terminam em ações violentas, chegando, por vezes, às ultimas conseqüências. Do mesmo modo assistimos conflitos que envolvem até os órgãos responsáveis, eles próprios, pela segurança das pessoas.

          Todos esses sintomas vão delineando um formato social preocupante, onde o imediatismo, a intolerância com a dificuldade, seja em que grau for, vai assumindo a tonalidade predominante nas relações pessoais. Nos setores onde houver necessidade, estas são algumas sugestões que podem ser observadas, analisadas e aplicadas dentro das organizações, repartições públicas, enfim, entidades governamentais ou não governamentais. É preciso trabalhar com qualidade, atender com qualidade e viver com qualidade.

Então, se desejarmos uma sociedade diferente, teremos que mudar as pessoas, a maneira de pensar e sentir, para que se possa alterar a conduta, já que são essas maneiras de ser que determinam o comportamento do ser humano. Relacionar-se é dar e receber ao mesmo tempo, ou seja, é estar aberto para o novo. É a capacidade de escolher, de desenvolver uma visão para si mesmo, reescrevendo a vida, iniciando um novo hábito ou abandonando um antigo em prol da felicidade. E a felicidade é democrática, todos têm o direito a ela.

DICAS DE GRAMÁTICA

POSSO DIZER: "ENTRAR DENTRO"?

- NÃO! NUNCA! Também não diga: Sair fora ou para fora; elo de ligação; monopólio exclusivo, já não há mais; ganhar grátis;viúva do falecido.

VENDEU "UMA" GRAMA DE OURO?

- Não! Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas.

Agora é possível dizer: a grama do jardim cresceu; comprei uma bonita grama para o jardim.

A grama é relva; O grama é peso.

ELEGÂNCIA NO FALAR E NO ESCREVER

 

 photo elegante.gif

 

No dia-a-dia de nossas atividades estudantis, profissionais ou de lazer, nos discursos, na correspondência, ou mesmo no bate-papo entre amigos, qual de nós não cometeu algumas impropriedades de linguagem? O tempo passa e, se não exercitarmos o que estudamos e aprendemos, certamente alguma coisa vai escapar. E vai daí que... Pensando nisso tudo, apresentamos uma série de formas próprias e impróprias de nos expressar, evitando, assim, 'gafes' desnecessárias. Na coluna da esquerda, apresentamos as formas impróprias, ou seja, incorretas; à direita, estão as formas próprias, ou corretas.

IMPRÓPRIAS

PRÓPRIAS

A defesa entrou com recurso

A defesa interpôs recurso

Aposentados recebem vencimentos

Aposentados recebem proventos

As injeções já foram aplicadas

As injeções já foram feitas

As sentenças são anunciadas

As sentenças são prolatadas ou proferidas

Caiu dentro da piscina

Caiu na piscina

Chefes dos Executivos recebem vencimentos e ajuda de custo

Chefes dos Executivos recebem subsídios e ajuda de representação

Despachos de juízes são assinados

Despachos de juízes são exarados

Despesa é limitada

Despesa é fixada

Ele está atendendo a telefonema dela

Ele está atendendo ao telefonema dela

Empregados regidos pela CLT recebem ordenados

Empregados regidos pela CLT recebem salários

Escreventes da Justiça são funcionários

Escreventes da Justiça são serventuários

Estive na divisa do Brasil com a Bolívia

Estive na fronteira do Brasil com a Bolívia

Exonerações são decretadas

Exonerações são concedidas

Falou no telefone

Falou ao telefone

'Habeas corpus' são requeridos

'Habeas corpus' são impetrados

Impetra-se mandato de segurança

Impetra-se mandado de segurança

Juiz dá parecer ou opinião

Juiz vota, dá sentença ou julga

Juiz expede mandato de busca e apreensão

Juiz expede mandado de busca e apreensão

Ministério é 'staff' governamental

Ministério é Secretaria de Estado

O carro chocou-se contra o poste

O carro chocou-se com o poste

O custo do processo é muito elevado

As custas do processo são elevadas

O guarda extraiu a multa

O guarda aplicou a multa

O legista fez a autópsia no cadáver

O legista fez a necropsia no cadáver

O Presidente pôs veto na lei

O Presidente opôs veto à lei

O que é bom para a gripe?

O que é bom contra a gripe?

Os promotores promovem libelos

Os promotores proferem libelos

Parlamentares exercem representação

Parlamentares exercem mandatos

Parlamentares recebem vencimentos

Parlamentares recebem subsídios

Prisões preventivas são expedidas

Prisões preventivas são decretadas

- Quem é? É fulana? - É ela mesma!

- Quem é? É fulana? - Sim, sou eu!

Quero falar consigo

Quero falar com você (ou com o senhor)

Questões de ordem no Parlamento são requeridas

Questões de ordem no Parlamento são levantadas

Receita é calculada

Receita é estimada

Recorre-se da decisão do juiz

Apela-se da decisão do juiz

Recursos são requeridos

Recursos são interpostos

Temos várias alternativas

Temos alternativas
(opção entre duas coisas)

Tirou a criança para fora do buraco

Tirou a criança do buraco

Venci na vida às minhas custas

Venci na vida à minha custa

Viúvas e herdeiros recebem proventos

Viúvas e herdeiros recebem pensões

Conclui-se o texto dizendo ser importante o bom uso da linguagem, em qualquer situação da vida, pois a linguagem é como espelho, ferramenta, lugar. Deverá o leitor ficar atento para evitar situações embaraçosas, sobre o que dizer ou não dizer em conversas, relacionamentos pessoais, apresentações, discursos, textos escritos. Na vida, a linguagem traduz cada pessoa, sua forma de ser, agir, pensar. È uma arma com a qual a pessoa poderá ganhar ou perder. Portanto, todo cuidado será pouco.

DICAS DE GRAMÁTICA

ONDE ou AONDE e DONDE, quando usar uma forma e outra?

- Use ONDE nos casos que não admitem uma substituição por PARA ONDE, como as situações estáticas:

"Onde moras?"

"O lugar onde vives é muito bonito."

"Onde colocaste o Domínio?"

- Use AONDE nos casos que admitem uma substituição por PARA ONDE, como nas situações dinâmicas, onde aparecem verbos de movimento:

"Aonde vamos?" ("Para onde vamos?")

"Aonde te diriges?" ("Para onde te diriges?")

- Use DONDE para indicar procedência, causa ou conclusão.

Exemplos:

"Donde vens? E donde esta cara triste?"

"Ele nunca adoece, donde se conclui que tem boa saúde."

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

VERDADES DO CORAÇÃO

 

 photo mlusjz145pk8.gif

Hoje a razão
Resolveu entrar em contato
Com o meu sofrido coração.

E fizeram assim...
Após longa e boa discussão,
Ambos decidiram unidos
Tomar uma decisão...

Qual seja:
Não suportam mais as mentiras
Muito menos a ingratidão.
Por isso, a partir de hoje,
Chega de viver de ilusão.

Juntas...
Resolvem esquecer o passado,
Os enganos e traições,
Também darão adeus
À temível solidão.

Como farão isso?
Para obter forças resolvem
Unir razão e coração

E caminharem juntas
Numa nova paixão.

Verdade?
Sim, esquecerão de vez
Quem covardemente partiu
Sem dar uma explicação.
Assim serão novamente felizes,
A razão e o coração!

ENVELHECER

 

 

Conforme a pessoa envelhece, fica mais fácil ser positiva. É nessa altura da vida que a gente se preocupa menos com o que os outros pensam da gente. Eu já me questionei muito e deixei de fazer tantas coisas por cobranças minhas. Hoje penso que ganhei o direito de estar errada porque a idade me libertou de muitos dogmas. Eu gosto da pessoa que me tornei.  Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.  Eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer). E vou procurar ser sempre feliz, realizada naquilo que faço, que escolhi para a minha vida. Aprendi a lutar comigo mesma, a vencer medos. Mas por vezes eu temo o tempo, embora saiba que envelhecer ainda é a única maneira de viver mais tempo. E se o tempo envelhece meu corpo, ele ativa a minha emoção, fortalece minha alma e me renova para a eternidade. Assim que estou bem na minha idade. Obrigada, grande Deus!

O BEIJO

 

 

O melhor beijo é aquele desejado,

O beijo do ser amado,

O beijo mais apaixonado,

O beijo da minha vontade,

Dado com docilidade.

O melhor beijo é aquele sem tempo,

Que toma a vida da gente,

De um jeito ardente,

Pleno de cheiro e sabor,

Dado com intenso calor.

 

O melhor beijo é aquele do ser amado,

Do anjo conquistado,

O amor querido e sonhado,

Nunca por ele enganado,

Sincero, fiel desejado.

 

O melhor beijo é aquele de quem se ama,

De quem se alimenta a chama,

De amor, paixão, ternura,

Dedicação, meiguice, candura,

De vida eterna e pura.

 

O melhor beijo é aquele do ser amado,

Do ser desejado,

Da pessoa conquistada,

O beijo ardente e sonhado.

 

O melhor beijo é aquele de quem ama,

De quem se alimenta a chama aedente,

O beijo divino! o anseio delirante,

Na eterna vontade amante...

 

O melhor beijo é aquele da despedida,

Sem hora, sem tempo de acabar,

É o viver eterno de amar,

Querer, desejar conquistar.

 

O melhor beijo é aquele de quem se ama,

De quem se alimenta a chama,

De paixão, amor, ternura,

É o beijo quente, que enche a alma da gente.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

DISCURSO DE POSSE DE NOVOS MEMBROS DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

 

 

Luisa Galvão Lessa Karlberg

Presidente da Academia Acreana de Letras

Apresento-vos, em nome do sodalício da Academia Acreana de Letras, palavras de agradecimento, alegria e gratidão. Elas se estendem a todos os convidados presentes e àqueles que estão aqui em pensamento. Cumprimento as autoridades, os familiares e amigos que aqui se juntam a nós, alegrando, com suas presenças, esta bela noite. Agradeço ao Colegiado Acadêmico da nossa AAL, pela calorosa acolhida que dão aos novos membros do sodalício.À Comissão de Posse da AAL pelo primor de organização da solenidade.

Digo-vos que a Academia Acreana de Letras é uma instituição de literatos, historiadores, professores, linguistas, médicos, advogados, jornalistas, antropólogos, pedagogos, juristas, teólogos, artistas. Tem por objetivo principal cultivar, estimular o culto ao idioma pátrio, a produção, a divulgação literária, a pesquisa científica e social no Acre. Importante, para nós, é que desse diversificado colegiado tenhamos produções literárias que deem voz ao Estado do Acre, a exemplo de outras unidades da Federação. O culto ao idioma pátrio é dever de todos, porque escrever é doar ao mundo aquilo que existe dentro do nosso mundo.

O Acre, berço de uma história ímpar, no Brasil, destaca-se, diante do mundo, por sua história inigualável. Ainda, por sua posição geográfica, estando ao lado de países andinos e, também, por situar-se no centro-oeste da Amazônia, lugar habitado por gente hospitaleira, ordeira, gentil. E, nesse cenário, a Academia Acreana de Letras, através dos seus confrades, vem prestando relevante papel junto à sociedade, na contribuição lítero-cultural.

Hoje, novos acadêmicos são empossados:

---- Renã Leite Pontes, que tem por antecessor José Higino de Sousa Filho, homem de integridade ímpar, primoroso nas letras de seus belos romances. E, nesse cadeira senta Renã, um homem de caráter ilibado, profissional brilhante, professor, poeta internacional, sonetista grandioso, amigo dos amigos, esposo exemplar tal qual o Higino. Esta casa Vos acolhe com a alegria do presente e a saudade do passado.

---- Arquilau de Castro Melo, tem por antecessor Omar Sabino de Paula, um jurista renomado que tantos feitos legou ao Acre. Em sua cadeira chega Arquilau de Castro Melo --Desembargador aposentado, advogado, estudioso da literatura regional -- com a mesma precaução, cuidado, zelo, compromisso com o Acre. Estudioso não apenas do Direito, senão também da Literatura, onde encontrou em Euclides da Cunha a vocação para desvendar o Eldorado Brasileiro que se acreditava achar escondido no coração da floresta amazônica. Este foi o sonho alimentado por muitos exploradores e cientistas europeus, do inicio do século XX. E foi nesse universo que deu-se o encontre de Arquilau com Euclides da Cunha, que o trouxe, nesta noite, à AAL.

----- Reginâmio Bonifácio de Lima, que tem por antecessor Manoel Mesquita. Reginâmio é amante das Letras, da Teologia, da História. Ciências ligadas à vida, à linguagem. Também possui similaridade com o antecessor que tanto amava a Academia, a história regional. Reginâmio convive com os infantos, e neles encontra a pureza, muitas, vezes, perdida nos adultos. Mas acredita, assim como nós do sodalício, que ora abraça, que a verdadeira literatura purifica almas, igualmente a ciência, como Pesquisador do CNPq e Professor da UFAC.

----- Gilberto Braga de Mello, que tem por antecessor Francisco Thaumaturgo, homem que tanto fez pelo Acre, pela Cultura, pela política. Gilberto, um advogado e jornalista, debruçado em marketing e propaganda, vai tecendo sua literatura em meio à política, preocupado com o social, a região, as pessoas. Não são caminhos opostos, eles se confluem no observar os cenários para modificá-los, sempre em prol do bem comum, do sonho de toda uma sociedade.Aqui, Gilberto, na sua arte, realiza uma procura apaixonada, tanto na literatura quanto na política. E, em ambas, a comunicação, o discurso, o texto, é que realiza os propósitos e sonhos, para que não fiquemos “de bubuia”, na vida, como descreve essa expressão, em seu dicionário.

Senhoras e Senhores, Acadêmicos, a AAL, como ícone maior da Língua e Literatura de expressão portuguesa no Estado do Acre, arcando com o ônus do protelamento de inserir os nomes de Vossas Excelências em seu Quadro de Acadêmicos,(foram eleitos há mais de 1 ano) cumpre, hoje, o nobre dever de justiça, de incluí-los como Membros Titulares e imortais do nosso sodalício, enaltecendo-os como quatro próceres da Cultura e Literatura Acreana.

Então, senhoras e senhores, estimados confrades e confreiras, é meu dever sagrado, nesta noite, evocar os antecessores, buscar cumplicidade com as experiências passadas, com as histórias humanas que já se foram, com as existências que lutaram e superaram suas contingências. Celebra-se, portanto, nesta noite, a feliz coincidência de contar com antecessores que trilharam caminhos tão semelhantes aos que os novos confrades irão percorrer. E, sob a inspiração desses antecessores, com o espírito pacificado e a vaidade sob intenso controle, desejamos que abracem este momento de Vossas vidas, sem perder de vista o legado que terão que deixar na bagagem que trazem hoje e naquela que irão consolidar junto ao sodalício. O nosso desafio social, cultural e linguístico é imenso.

Entrar numa Academia de Letras não torna ninguém melhor escritor, não transforma nulidades em criadores, medíocres em gênios. Mesmo porque a humanidade é gregária e associativa, as Academias de Letras reúnem criaturas que desejam superar suas próprias limitações, pessoas inconformadas consigo mesmas, com as injustiças do existir, com a própria finitude da vida. E porque as mais nobres ações humanas são voltadas para a defesa da vida, esses que se associam, na Academia de Letra, escolheram as palavras, a criação literária, como arma para enfrentar a brevidade da vida. Ars longa, vita brevis, disseram os antigos. A arte perdura, a vida é curta.

Assim, Renã, Arquilau, Reginâmio e Gilberto nós, da Academia, nos identificamos por afinidades culturais, linguísticas e literárias. Comungamos dos mesmos ideais: olhar um Acre sempre altaneiro, igualmente a bandeira hasteada no pavilhão do Estado que se fez brasileiro.

Sentimos, que este Sodalício, na noite de hoje, está feliz. Sentimo-nos honrados, orgulhosos e cativados por Vossas Excelências, pela bagagem que trazem convosco para esta Casa de saber. Todavia, estamos cientes dos desafios que este século XXI nos impõe. A verdade é que vivemos na época da velocidade, das gigantes aeronaves, da Internet, do WhatsApp, do Tuitter, mas nos sentimos enclausurados no tempo da ciência revolucionária, da tecnologia que fecha e abre mundos. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; a nossa inteligência, emperdenidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Dizemos uma coisa e fazemos outra. Beijamos alguém que dizemos amigo e o apedrejamos quando nos dá às costas. Que mundo é esse que tanto oferece e tanto nos tira? Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A Internet fez do mundo uma aldeia, assim como a Televisão. Mas pensando bem, a própria natureza desses inventos só faz sentido se o mundo for melhor. E, para isso, as pessoas precisam ser melhores. Tudo isso é um apelo eloquente à bondade do ser humano... um apelo à fraternidade ... ao companheirismo... à união de todos nós em prol do bem comum. E um desses bens maiores reside no mundo das letras, da literatura, que é a expressão da sociedade, assim como a palavra é a expressão do ser humano. E para viver bem e feliz devemos ser terrivelmente sinceros. No entanto, vive-se um paradoxo. É incrível, quando se atinge a verdade passamos a fazer ficção, que é a invenção ou criação. Devemos ter cuidado, atenção com as palavras, armas de constroem, mas que também destroem o mundo, a vida, as pessoas.

Mas de tudo que digo, o mundo da literatura, das letras, é fantástico, nos permite navegar por muitos mares. A esse respeito, escutemos a voz de grandes literatos:

Mário Quintana - Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo."

Fernando Pessoa - "A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta".

 
 

Machado de Assis – “Não importa ao tempo o minuto que passa, mas o minuto que vem."
Goethe - O declínio da literatura indica o declínio de uma nação”.

Salamah Mussa - Não é a beleza mas sim a humanidade o objetivo da literatura”.

Émile Zola - “Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa”.

Max Frisch – “A literatura pode ser uma boa terapia pessoal, uma espécie de psicanálise na qual não se paga um psicanalista”.

Roland Barthes - “A literatura não permite caminhar, mas permite respirar”.

Cesare Pavese - “A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida”.

Adrian Frutiger - As páginas mais belas de um texto são aquelas em que todas as letras compõe uma unidade em perfeita harmonia”.

Perboyre Sampaio - “Quando um texto nasce, já cumpriu sua principal função: harmonizar a alma de quem o criou”.

Saunders Lewis - Está claro que o "homem comum" não pode entender o extraordinário, exceto na plenitude do tempo; e o extraordinário é a essência da literatura".

Fernando Pessoa - "A literatura torna o mundo real, dando-lhe forma e permanência".

 
 
 
 

Caríssimos confrades, tendo eu a cultura e o saber como causa acadêmica e projeto de vida, não poderia saudá-los se não conhecesse a escrita. Esta questão do que é a sabedoria, e da dificuldade de compreender as informações que se tem, é a grande agonia do tempo atual, da sociedade da informação, em que faz chover, como tempestade, e inunda as pessoas de tanta informação, assim como a enchente que invade os rios amazônicos e fazem as nossa alagações.

Por fim, eu não vou mais cansá-los, senhoras e senhores, confrades e confreiras. Percorri este caminho para enaltecer a chegada destes ilustres pares à Academia Acreana de Letras. Mas o percorri, sobretudo, porque foi a escrita que nos fez, embora em ofícios distantes, comungar um mesmo ideal: o idioma pátrio, a cultura, a literatura. É a escrita que promove o grande encontro desta noite.

Vindes, Renã, Arquilau, Gilberto, Reginâmio, integrar-vos ao seleto pugilo – com a só exceção desta que vos fala --- de gente distinguida, condutora e defensora dos ideais mais nobres, eis que promanam do culto à sagrada Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.

Labor omnia vincit improbus... O trabalho perseverante vence tudo.

Muito OBRIGADA e tenham todos uma Boa Noite!

DISCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA ACADEMIA ACREANA DE LETRAS

 

Luisa AAL flores

Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg

Recebo, com honra e humildade, a Presidência da Academia Acreana de Letras. Eu, nascida no Igarapé Humaitá, Seringal São Luís – situado às cabeceiras do Rio Muru, distante de Tarauacá oito dias de barco -- nunca imaginei chegar a esta instituição. Agradeço aos confrades que aqui me conduziram, por meio de uma eleição ampla, irrestrita e democrática, da Diretoria intitulada “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

E, nesta breve mensagem eu me curvo diante deste sodalício que me elegeu à Presidência da mais elevada instituição de cultura do Acre: a Academia Acreana de Letras. Quem conhece o berço da imensa Selva Amazônica sabe de onde vim e dos caminhos que percorri na vida. Muitos sabem como se faz para se alcançar os frutos no alto das árvores e vencer os medos na misteriosa floresta que embala as nossas vidas. Aprendi, desde cedo, a olhar acima da copa das árvores e saber que havia um mundo para conquistar e o caminho era o da educação, das Letras. E nessa área fui aluna de graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado. Levei a vida inteira a estudar, desde os 5 anos de idade.

Sou uma cabocla, mesclada com o sangue português e holandês, mas me vejo, hoje, tomada de emoção. Não de tristeza, mas de intensa gratidão aos nobres confrades que a vida me presenteou como bons e fraternos amigos. O senhores sabem, assim como eu, que nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Esse sentimento sempre me moveu.

A vida exige de nós - o tempo todo - uma grande capacidade de adaptação, mudanças, enfrentamentos, superação. E aqueles que temem a mudança nunca vão adiante, levam uma vida estática por medo de novos desafios decorrentes da própria existência. E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça. Receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem. Eu não me escondo, não tenho a alma subalimentada de sonhos, sempre fui à luta, ‘caí no mundo’, como se diz popularmente. E foi nele que aprendi as lições mais sublimes, que redimem meus pecados e lavam a minh’alma feminina, forte e livre para ir adiante, com dignidade.

Sempre procurei superar os desafios desde muito jovem. Sai de casa aos seis anos de idade para um colégio alemão. Agarrava-me às pernas de meu pai para não ir para longe e ele me dizia: “filha, é preciso ir, estudar é a saída para quem não possui riqueza material”. Foi aí que comecei a aprender a transformar sentimentos menos elevados em prol da grandeza da vida, da escola, do conhecimento. Compreendi, desde cedo, que o caminho do coração é o caminho da coragem. Deixar o passado para trás e fazer o futuro SER. Também aprendi que a vida é perigosa, mas somente os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. Somente quem nasceu ou viveu no seio da Floresta Amazônica, como eu -- dentre tantos outros aqui presentes – sabe o significado dessa palavra CORAGEM. Ela vem da raiz cor, que significa coração. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.

E, agora, para enxugar o meu pranto, neste momento de intensa emoção – quando vejo o filme de muitas histórias da minha vida – eu digo o seguinte: - o Amor e a Ternura são sentimentos revolucionários, eles sempre deram norte à minha vida, assim como o saber, a cultura, os meus pais, minhas duas filhas, meus dois netos, os amigos, minha sublime profissão de professora, pesquisadora, educadora. Desta última, fiz meus votos de fé. Tem dado certo. E o melhor de tudo é que embora não estejamos diante do mesmo espelho, estamos nos olhando sempre.  Como diz Guimarães Rosas “o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Afinam ou desafinam. E tudo indica que vamos afinar ainda mais a canção acreana e porque não dizer brasileira, com essa Diretoria “TECIDO DA CULTURA ACREANA”.

Aqui, fiz breve relato da mulher que hoje se coloca diante da sociedade acreana como Presidente da Academia Acreana de Letras. Nesse cargo dedicarei o melhor dos esforços para cumprir os objetivos da AAL diante da sociedade regional e brasileira. Sou do mundo das Letras, e sei que produzir literatura é algo difícil para quem vive mergulhada no mundo da ciência. Mas eu já compreendi que a literatura antecipa a existência. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios, como está fazendo agora. Pois é a literatura uma arte que nos defende contra as ofensas da vida.

Esta Casa, que a partir de agora presido, é uma Academia. A importância das Academias de Letras flui do liame profundo que existe entre estes sodalícios e a cultura. Aqui, no Acre, sua importância salta aos olhos mais atentos de quem olha a cultura como um motor que traduz a vida em sociedade. Isso porque Cultura significa cultivar, do latim colere. Genericamente, a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano.

E, nesse contexto cultural, aqui no Acre, a Academia Acreana de Letras é, possivelmente, a maior referência no mundo cultural do Estado, uma vez que seus membros, chamados “imortais”, traduzem o lastro cultural do povo. Sendo assim, uma Academia tem o condão de desabrochar aspirações, e de estimular o desenvolvimento da literatura, além de premiar os méritos dos seus mais destacados cultores das letras. Deve penetrar nas regiões do Estado e fazer florescer os gênios dos vales do rio Abunã, Acre, Purus, Juruá. Neste último faço reverência ao meu berço natal: Tarauacá.

Então, falar em Academia é pensar em livros, penetrar na noite dos tempos para encontrar auroras boreais. E, com esta intenção, tateando no desconhecido, pouco a pouco, descobrem-se os indícios primeiros da arte de pensar. O fluir da vida vai acumulando experiência e sabedoria no delta da maturidade, que passa a ser um bem comum, usufruído por todas as gerações e idades, constituindo-se, desse modo, em patrimônio da própria sociedade.

Na Academia Acreana de Letras, cada geração deixa um legado: Amanajós de Araújo, Paulo Bentes, Omar Sabino de Paula, Mauro Modesto e Clodomir Monteiro da Silva. Processo vagaroso, a exigir tempo para tomar corpo e se mostrar. Assemelha-se à formação do universo que, em movimento rotatório, vai condensando energia, gás e luz, até assumir a fosforescência das galáxias, em expansão contínua, onde brilha a centelha da criação.

Por isso tudo entendo que uma Academia deve espelhar a alma, retratar o espírito, expressar a gênese e as potencialidades de um povo. Guardiã zelosa da língua, o maior patrimônio nacional, a Academia Acreana de Letras deve corrigir desvios, depurar o idioma e preservar sua integridade expressional. Nada distingue mais um povo do outro que sua literatura. No Acre, cabe à AAL resguardar as fontes puras de onde brotam o sentir e o externar das gentes, trabalhá-las e difundi-las para criar a literatura própria, imprescindível de um país enquanto nação. Será nesta Academia que deverão se organizar as trilhas literárias da região e do Estado. Nós, deste sodalício, confreiras e confrades, somos os herdeiros do esplendor do conhecimento humano. Vamos assumir nosso papel, a sociedade nos convida a este dever.

Neste pretendido mandato, a AAL deverá estar presente nas mais diversas discussões sociais, políticas e de caráter comunitário, devendo ser representada em vários conselhos, em nível federal, estadual, municipal. Também deverá promover, periodicamente, debates sobre questões atuais ou problemas regionais, assim como incentivar a produção literária e cultural no Estado do Acre.

Deverá, esta Academia, encadear discussões de natureza diversa:

Ø O idioma pátrio e a literatura de expressão regional;

Ø Trabalhar as questões culturais por bacias hidrográficas, com a participação efetiva dos acadêmicos, para descortinar o potencial humano dessas bacias; o potencial literário; o potencial histórico; o potencial ecológico; o potencial econômico, enfim, tudo aquilo que espelhar a cultura regional.

Ø Deverá a Academia otimizar políticas, junto ao Governo do Acre, para organizar antologias dos movimentos literários, para dar a conhecer ao Acre e ao país os monumentos de expressão acreana, bem como:

Ø Incentivar e promover encontros culturais para sedimentar, sempre, a produção literária;

Ø Estimular os Acadêmicos para profícua atuação junto à sociedade, no sentido de promover oficinas:

·de textos;

·de crônicas;

·de Poesia;

·de Gêneros Literários.

Ø Deverá a AAL realizar encontros de confraternização no meio acadêmico, não somente para festejar a arte do encontro, mas também para conhecer as produções dos confrades e confreiras, no sentido de confeccionar Antologias e discutir estratégias para divulgação das produções dos acadêmicos.

Ø Deverá fazer Concursos literários para incentivar novos talentos. Criar os programas "A Escola vai à Academia e a Academia vai à escola", para que os estudantes conheçam os acadêmicos escritores, cronistas, poetas, historiadores, juristas, literatos, linguistas e demais profissionais.

Essas propostas reúnem um pedaço do grande “TECIDO DA CULTURA ACREANA” que iremos tecer, de forma harmônica e compartilhada, sodalício, entidades, governos e sociedade organizada.

Essas propostas justificam o título da Diretoria” TECIDO DA CULTURA ACREANA” e de todo sodalício. É como pensa Max Weber, que o ser humano é um animal amarrado em teias de significação que ele mesmo teceu. O estudo da cultura não deve ser experimental à procura de leis, mas interpretativo, à procura do significado (Geertz, 1989, p. 15). Assim, como tecedor da cultura, o sujeito caracteriza-se pela atividade; é (re)criador/construtor da estrutura teia que o prende. Está-se diante da própria ideia de complexus, isto é, o que é tecido em conjunto, como diz Morin, (2001, p. 20). Assim, ao tecer a cultura (teia), o sujeito é tecido em conjunto (tece-a ao tempo em que é tecido nela).

De tudo que aqui falo, reflito, manifesto, digo aos senhores, senhoras, ao sodalício da AAL, que poderão apertar minhas mãos e sentir que estou afinada com a arte, a cultura, a vida e o humanismo. E que deixaremos, nessa geração de imortais, imenso legado cultural e intelectual como lição àqueles que chegam depois.

Conclui-se com a célebre frase de John Kennedy: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão, com certeza, perder o futuro”. Iremos trabalhar para dignificar a Academia Acreana de Letras, aproximá-la dos escritores, poetas, cientistas e a comunidade do Acre e do mundo. Aí, então, como diz o hino acreano:

(...) ergueremos então destas zonas
Um tal canto vibrante e viril
Que será como a voz do Amazonas
Ecoando por todo o Brasil

MUITO OBRIGADA!

O TEMPO É UM MESTRE

 

Luisa Karlberg          lessaluisa@yahoo.com.br

TEMPO

Muita gente vive pensando no tempo de ontem, outros no de hoje, alguns no amanhã, no tempo... Mas, afinal, o que vem a ser o tempo, como definir sua grandeza e dizer o que se faz com ele? A resposta não é simples. Exige reflexão, análise, coisa que ninguém gosta de fazer, por absoluta falta de tempo. Esse tempo que é uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. Esse tempo consumido quase que inteiramente na luta pela vida, na batalha diária que se estende durante anos, décadas.

A verdade é que durante o desenrolar da peleja cotidiana, dessa insana luta, algumas pessoas conseguem reservar umas poucas horas semanais para o lazer e o descanso. Todavia, não se organizam para meditar sobre as questões cruciais da vida. Para essas coisas não se dispõe de tempo, não se pode, absolutamente, perder tempo com isso. Enquanto para uns o tempo é demorado, ligeiro ele se faz para outros. Mas será isso verdade? Não será o tempo igual para todos?! Dizem, até, ser o tempo a coisa mais democrática que existe. Se assim é, ele é o mesmo para todas as pessoas.

No que diz respeito à velocidade, o tempo explica-se pela vivência. É a vivência do ser humano que muda a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registram numericamente a passagem humana dentro do tempo. O tempo não passa, as pessoas é que passam dentro dele. O tempo não é um acidente. Ele acompanha a pessoa humana desvendando o modo de cada um acompanhar a vida.

Para passar bem o tempo, esse mestre impiedoso, cada pessoa deve olhar a sua volta, ver os sinais do tempo que passou. Depois, perceber que é preciso compreender o tempo de cada coisa, para dar respostas ao que a vida pede e espera de cada criatura humana. E na distribuição do tempo de existência, há tempo para cada coisa, etapa, momento, sonho. Tempo para a luta, o trabalho o esforço. Tempo de enfrentar desafios e superar limites. Tempo de ser humilde e reconhecer-se limitado. Tempo de buscar a sabedoria do repouso, de pacificar os impulsos, ordenar os desejos, sem perder de vista os sonhos mais impossíveis...

Ainda, há nesta vida o tempo da novidade e da surpresa, do surpreendente e do inusitado, quando o espetáculo da vida é todo brilho, festa e luz. Há o tempo do cotidiano e da rotina, do encantamento dos pequenos gestos, das alegrias suaves e duradouras. O tempo de cada pessoa ficar consigo mesma. Tempo da necessária bem-vinda e frutuosa solidão. Tempo dos silêncios que falam. Tempo de recolhimento reflexivo ao mais profundo de cada ser. Tempo do encontro, da partilha emocionada de gestos e palavras, do abraço afetuoso, da expressão do desejo, da paixão, da amizade essencial.

Assim, o tempo não para, pois em todo o tempo que existe há aquele de grandes avanços e conquistas. Tempo de realizações de projetos e sonhos. Tempo em que tudo que se toca é ouro e alegria, tempo dos grandes e pequenos fracassos. Tempo de recuos estratégicos e outros, inevitáveis. Tempo de despedida, perdas, danos e ganhos. Tempo de voltar à estaca zero e começar tudo de novo. O tempo de envelhecer, perder células cerebrais, força muscular, a capacidade de enxergar de perto, de perceber os sons mais agudos e os cheiros mais sutis.

Aquele tempo inexorável, mestre impiedoso, que põe cinzas nos cabelos e deixa a mesa cheia de ausências. O tempo que passa carregando consigo o novo e deixando para trás o tudo que envelheceu.

Seguindo adiante, há muitos outros tempos, como aquele em que a vida fecha portas na cara. O tempo em que, por teimosia e coragem, a pessoa ousa escancarar janelas com vistas para montanhas e mares, horizontes e vales. O tempo em que a esperança é apenas um jeito de sentir saudade daquilo que virá, do que se vai construir. E, desse modo, em todo e qualquer tempo, é possível descobrir que, apesar de pequeno e frágil, os seres humanos são raros e preciosos. É preciso valorar o tempo para maior sabor da vida e viver o tempo do amar, do querer, do receber, porque tudo na vida quer tempo e medida. - Mensura omnium rerum optima.

MÁSCARA DA POLÍTICA EDUCACIONAL NO BRASIL

 

Luisa Galvão Lessa Karlberg colunaletras@yahoo.com.br

 

Sabedoria de Deus

Falam especialistas que o Brasil avançou nos últimos 20 anos, mas a educação freou o desenvolvimento desse período, segundo o IDHM 2013 (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado na segunda-feira, 29/07/2014.

No Brasil, entra Governo e sai Governo e a conversa é sempre a mesma: “vamos investir em educação”. Em ano eleitoral, dizem os políticos: “o país avançou muito”. Talvez tenha avançado para o abismo, pois segundo índice divulgado pela Pearson Internacional, que faz parte do The Learning Curve (Curva do Aprendizado, em inglês) e mede os resultados de três testes internacionais aplicados em alunos do 5º e do 9º ano do ensino fundamental, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Dão lições ao mundo a Finlândia e a Coreia do Sul, os dois primeiros lugares. O Brasil só ganhou da Indonésia. É um resultado vergonhoso.

Os dados não são invenção e não possuem coloração partidária. É a constatação de uma educadora que muito trabalha em prol de mudanças positivas. Uma educadora que contribuiu para composição dos livros didáticos do Estado de São Paulo. O Acre não quer ajuda nessa área, há, aqui, “medalhões nos salários”, mas que nada escrevem, falam bajulações. Isso não ajuda, prejudica o Estado, o sistema educacional como um todo.

Então, votando aos dados, eles saíram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), do documento Tendências em Estudo Internacional de Matemática e Ciência (TIMSS) e do Progresso no Estudo Internacional de Alfabetização (PIRLS) que compreendem o aprendizado de matemática, leitura e ciência dos alunos.

Veja-se o Ranking Global de Habilidades Cognitivas e Realizações Educacionais:

1. Finlândia
2. Coreia do Sul
3. Hong Kong
4. Japão
5. Cingapura
6. Grã-Bretanha
7. Holanda
8. Nova Zelândia
9. Suíça
10. Canadá

11. Irlanda
12. Dinamarca
13. Austrália
14. Polônia
15. Alemanha
16. Bélgica
17. Estados Unidos
18. Hungria
19. Eslováquia
20. Rússia

21. Suécia
22. República Tcheca
23. Áustria
24. Itália
25. França
26. Noruega
27. Portugal
28. Espanha
29. Israel
30. Bulgária

31. Grécia
32. Romênia
33. Chile
34. Turquia
35. Argentina
36. Colômbia
37. Tailândia
38. México
39. BRASIL
40. Indonésia

Fonte: Pearson/EIU

O desempenho de cada país mostra se ele está acima ou abaixo da média calculada a partir dos dados de todos os participantes. Segundo esses dados divulgados no último dia 27 de julho de 2014, 27 dos 40 países ficaram acima da média, enquanto 13 estão abaixo do valor mediano. O Brasil, que teve pontuação de -1.65, foi incluído no grupo 5, onde estão as sete nações com a maior variação negativa em relação à média global. É um dado assustador, fruto do descaso e do pouco compromisso com a educação brasileira.

A ONU, em 14/07/2014, por meio do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), diz que o Brasil deve investir em "políticas educacionais ambiciosas", para mudar a sua demografia.Todos os dados apontam que o Brasil vai mal, muito mal nas políticas educacionais. É um país que não respeita os professores.

E como é um sistema educacional eficaz? É aquele em que os alunos aprendem, passam de ano e concluem a educação básica. Esta é uma afirmação de que poucos vão discordar. Entretanto, a maioria dos sistemas educacionais no Brasil não cumpre essa missão. Há descaso, desvio de recursos, investimentos pífios, salários aviltantes pagos aos professores, escolas sem segurança, mal aparelhadas, sem infraestrutura, que pouco ou nada atraem os jovens, que preferem as ruas, as drogas, a violência, os furtos. Quando não, ficam em casa e quando saem para a escola procuram ir para lugares mais agradáveis.

O governo brasileiro, por meio do INEP, definiu metas para os sistemas educacionais e as escolas aperfeiçoarem a qualidade da educação oferecida, criando um índice de qualidade, chamado IDEB, para cada um dos três segmentos da educação básica. Mas de tudo que se diz, fica a pergunta: essas metas no INEP são suficientes para o país sair do atraso educacional?

Há medidas urgentes: escolas em tempo integral; professores motivados; escolas aparelhadas para que as pessoas nelas desejem permanecer com alegria, satisfação. Então, qualquer política de melhoria da qualidade dos sistemas escolares devem contemplar os três aspectos simultaneamente: o professor deve ensinar; o aluno deve aprender e passar de ano.

Finaliza-se com a frase memorável de Eduardo Campos: “ O Brasil tem jeito”. Devemos exigir prioridade à Educação, sem ela NUNCA avançamos, exceto para cair no abismo onde o país está mergulhado. Necessitamos de ações, promessas nem os santos aceitam mais.

ESTAÇÕES DA VIDA

Luisa Karlberg

Vida

 

Há quanto anos vi florir os meus pensamentos

Tal a primavera, estação dos encantamentos,

Que o beija-flor bebe o néctar dos mananciais,

Dos jasmins, cerejeiras, azaleias e roseirais.

 

As gotas a nutrir, nas doçuras do mel,

As patativas, os sabiás, as noivas de véu

Aurora a sorrir, a renovar sonhos agora,

Das tristezas, desilusões de outrora.

 

Virgem minha protetora, sua bênção eu peço,

Desta minha vida arrebatada e insubmissa,

Que pelos caminhos incertos tropeço.

 

Eu quero amar, zelar, respeitar o marido,

Sem submissão, rebeldia ou insensatez,

Mas ser mulher altiva, sempre seblante erguido.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

AMOR E PAIXÃO

 

 

Sentir amor é ter paixão,

Não há paixão sem amor,

Amar é sentir no coração,

Paixão é receio de sim e não.

Amar é verbo infinitivo,

Paixão, um nome substantivo,

Amar, um querer definitivo

Paixão, sentimento conflitivo.

Entre o verbo e o substantivo,

Fico com a sede do amar,

Fujo da paixão sem atrativo.

E embora eu ame o substantivo,

É no verbo intransitivo,

Que encontro na vida lenitivo.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

I LOVE YOU

 

Eu penso em ti e fico feliz,

Por saber que temos afinidade,

Que estamos olhando os sonhos nossos com lealdade.

É importante que a gente se compreenda,

Sinta-se, se entenda,

Nos bons momentos de cada dia,

E ouvir o canto alegre a falar da magia:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

É maravilhoso saber que tenho você a meu lado,

É um sentimento simples e repleto de significado.

Estar apaixonada é querer estar sempre juntinho,

Partilhar a vida de mansinho,

E dizer com jeitinho:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

Somos o universo na poesia,

O céu e as estrelas no infinito,

O nosso amor é mais que bonito,

Nada se compara ou se explica,

O alfabeto não tem palavras na escrita

Para enfeitar no amor o nosso grito,

Nenhum segundo será pouco para dizer:

I Love you...

I Love you...

I Love you...

És o meu sol eu a tua lua,

A vida traçada em beijos de carinho,

O respeito na palavra e pele nua,

Escrita em pergaminho...

Juntos no mesmo caminho,

Dizendo baixinho:

I love you...

I Love you...

I Love you...

Você, na mais exata medida, deu o toque de partida,

Alimentou minha paixão,

Fez renascer a esperança perdida no coração,

Você me conquistou rapidamente,

Plantou a sua semente que logo brotou em flor.

E em um desenho de rara magia,

Aos poucos você solidificou o nosso amor.

Você é como as estrelas no firmamento,

Presente o meu pensamento:

I love you...

I Love you...

I Love you...

É como se fosse um presente que a vida,

Gentilmente, deu-me alegria,

E posso afirmar com verdade

Que até mesmo na saudade,

Você enfeita a minha vida.

Você, razão do meu puro sorriso,

Faz-me perder o juízo nos momentos de amor.

Estarei sempre ao teu lado,

Com o coração apaixonado, seja lá onde for,

A cantar as palavras mágicas:

I love you...

I Love you...

I Love you...

CORAÇÃO PULSANTE

 

Poesia não dá casa e nem comida,

Mas quando o poeta tem um coração pulsante,

Anda pelo mundo itinerante,

Sem temor,com certeza de guarida.

Nunca fui andarilha e nem poeta,

Mesmo assim vivo a versejar,

Entre um e outro mar,

Numa busca de um amor encontrar.

Não pensem que seja volúvel,

Exigente, intrigante ou infeliz,

Sou uma alma assim solúvel,

Nos dias canto feliz.

Se um dia o pranto rolar,

Acreditem que sofri,

Foi um vento a soprar,

Para um amor que desisti.

FERA DA VIDA

 

 

Luisa julho1

A vida não é eterna, tudo tem prazo,

Nossas vontades mudam, assim como o ocaso,

Em cada dia uma ventura,

Uma história de conquista,uma ternura,

Um amor bandido,enganador fingido,

N’outro um dia santo, com reinos

Fadas, príncipes, castelos e encantos.

Mas nunca acredito, que todos sejam anjos,

O mundo não é só habitado por arcanjos,

Há entes sombrios, maldosos, desonestos,

Que na gente pregam peças e deixam restos.

Mas quero crer que a vida é sempre bela,

Não há mal que dilacera,

O coração de quem é fera.

SINFONIA

 

Tão bom ter o dia a dia...

Sentir os raios do sol,

O canto do rouxinol,

O amanhecer em melodia.

Tão bom ter o dia a dia...

Viver cada momento,

Não sentir tormento,

Ser um canto em sinfonia.

Tão bom ter o dia a dia...

Sem uma triste lembrança,

Mas com plena esperança,

De vida em harmonia.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O BEIJO

 

O melhor beijo é aquele desejado,
O beijo do ser amado,

O beijo mais adequado,

O beijo da minha vontade,

Dado com docilidade.

O melhor beijo é aquele sem tempo,

Que toma a vida da gente,

De um jeito ardente,

Pleno de cheiro e sabor,

Dado com muito calor.

O melhor beijo é aquele do ser amado,

Do anjo conquistado,

O amor querido e sonhado,

Nunca por ele enganado,

Sincero, fiel desejado.

O melhor beijo é aquele de quem se ama,

De quem se alimenta a chama,

De amor, ternura,

Dedicação, candura,

De vida eterna e pura.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ESQUECI DE TI

 

TEMPO

Andei pelo mundo, caminhei, naveguei,

Mas em ti eu não mais pensei,

E agora, neste recomeço, sem tropeço,

Eu já nem penso em ti…

Mas por vezes eu me indago,

Todas as vezes que falo,

Se deixei de lembrar de ti.

A lembrança presente na mente,

Os fatos diante dos olhos,

A certeza dos dias somente,

Do viver sem nenhum imbróglio,

Longe de questão inquietante,

Das palavras ditas sem portfólio,

Fico a ler a Divina Comédia de Dante.

Ah! Que alívio! Não mais os telefonemas,

Nem os sinais dos duvidosos fonemas,

Das frases feitas, sem direção ou tema,

Ganhar a serenidade do meu poema,

Fazer cada dia um novo alvorecer,

Sem nada para chorar ou temer,

Distante da prolixidade de inquieta alma,

Hoje na glória de mão em palma.

terça-feira, 2 de junho de 2015




                                               

  SUÉCIA E SEUS ENCANTOS
 
Suécia é uma monarquia constitucional com um sistema parlamentar de governo, com uma economia altamente desenvolvida e diversificada. O país ocupa o quarto lugar do mundo no Índice de democracia, depois da Islândia, da Dinamarca e da Noruega, segundo a prestigiada revista inglesa "The Economist". O país ainda é considerado um dos mais socialmente justos da atualidade, apresentando um dos mais baixos níveis de desigualdade de renda do mundo. Isso se reflete no fato da Suécia estar, desde que a ONU começou a calcular o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de seus membros na década de 1980, entre os mais bem colocados países do mundo de acordo com o indicador.
A Suécia é um país belíssimo, com paisagem espetacular, cidades incríveis, uma população educada (a maioria dos quais fala inglês) e uma história e cultura muito mais antigas do que o nosso Brasil. É um país voltado para as inovações e que deu ao mundo nada menos que o Prêmio Nobel, os carros da Volvo, os móveis da IKEA, as embalagens Tetra Pak, as roupas da H&M, a vodka Absolut, os grupos ABBA e Roxette, entre tantas outras coisas.
Mas morar por aqui é mais do que conviver com tudo isso. É conhecer a língua, se deparar com os novos desafios e aprender a cultura local. Agradando ou não, desde que cheguei à terra dos vikings sou uma estudiosa atenta. Num primeiro momento, certas coisas me pareceram estranhas (e algumas ainda continuam parecendo), mas se esse é o país com o qual tenho ligações civis, nada mais sensato que entender, respeitar e incorporar, no meu dia a dia, os costumes locais.
A língua sueca é muito difícil e uma das cinco  línguas germânicas setentrionais (ou línguas nórdicas). É falada por nove milhões de pessoas, predominantemente na Suécia e em partes da Finlândia, especialmente na costa e nas ilhas Åland. É mutuamente inteligível com as duas línguas nórdicas vizinhas, o dinamarquês e o norueguês. O islandês está mais afastado, em grande parte devido ao seu caráter arcaizante.
Os costumes, aqui, são bem diferentes. Vajamos alguns:

1 - Tirar o sapato antes de entrar: na nossa própria casa, na casa dos outros, na academia e muitas vezes até no trabalho e na escola. Esse costume começou por causa da neve no sapato, mas todo mundo faz isso mesmo no verão. Toda casa tem uma sapateira logo no hall de entrada. (acho que vou copiar isso, achei legal);

2. Fika: É uma pausa que se faz de manhã, entre 9:30 e 10:30, e/ou à tarde entre as 14:00 e 16:00 para tomar um café com um pãozinho ou doce. Mas o conceito de fika vai além do café com pão, é um momento de contato social e descontração;

3 - Fredagsmys: Na sexta-feira depois do trabalho ou escola a família se reúne para um jantar (normalmente tacos ou pizza) e para assistir a um filme juntos ou jogar algum jogo de tabuleiro ou videogame;

4 - Kosläpp (soltura das vacas): Aqui na Suécia existe uma lei que obriga as vacas a serem criadas soltas durante os meses quentes. Por isso no início de maio as fazendas de leite fazem a soltura das vacas. É a primeira vez que elas ficam ao ar livre depois de muitos meses dentro do curral. Elas saem todas felizes pulando. Normalmente esse evento é aberto ao público e as pessoas levam as crianças para ver;

5 - Janela decorada: As janelas suecas são tradicionalmente preparadas para colocar enfeites que normalmente são compostos por um abajour e uma planta, às vezes uma escultura, que dá um charme todo especial na casa tanto do lado de dentro quanto de fora (É bonito demais).

A cultura sueca é uma cultura aberta, fácil e igualitária, trata-se de uma cultura que recebeu influencias de outros países, por diferentes correntes, pela Alemanha, pela Igreja Católica, pelos Anglo-Saxões. Todos estes fatores têm deixado a sua marca na cultura sueca, sem mencionarmos o prémio Nobel que nasceu neste país. A Literatura e a música são partes importantes da cultura deste país, para não mencionar que a sua origem é Viking.

A Literatura sueca é desde fins do século XIX vibrante e ativa. August Strindberg é um dos mais populares escritores suecos. Atualmente Henning Mankell, com seus romances de Kurt Wallander, é conhecido mundialmente. Hoje em dia, a Suécia conta com mais um grande autor, Stieg Larsson, nascido em 1954 na cidade de Skelleftehamn e morto vítima de um ataque cardíaco em 2004, aos 50 anos, pouco após entregar aos seus editores a trilogia Millenium.

 
DICAS DE GRAMÁTICA

AO INVÉS DE ou EM VEZ DE, Professora?

- EM VEZ DE indica substituição, como no exemplo: “Coma verduras e legumes em vez de frituras para ter uma boa saúde”.

- AO INVÉS DE apresenta ideia contrária, uma oposição. Por exemplo: “Você deve ouvir mais ao invés de só falar, falar”.

HAJA VISTA ou  HAJA VISTO?

- HAJA VISTA é a única expressão correta, pois neste contexto a palavra “vista” é invariável. Mas o verbo “haver” admite concordância com o substantivo a que se refere.

- Ex 1: “Haja vista o ocorrido, não silenciarei, irei lutar.”

- Ex 2: “Hajam vista os acontecimentos, não irei negligenciar em nada.”

Dica: como a expressão “Haja Visto” não existe, deve-se dar a preferência ao uso da forma invariável HAJA VISTA.

=================================

Luisa Karlberg - É membro da Academia Acreana de Letras; Membro Fundadora da Academia dos Poetas do Acre; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da International Writers and Artists Association (IWA), sediada na cidade de Toledo, Ohio, USA. Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa (Campus Floresta (2011-2018); Orientadora de Pós-Graduação em nível de Mestrado e Doutorado; Orientadora de Pós-Graduação Lato Sensu; Orientadora de bolsistas PIBIC (Campus Floresta - UFAC); Pesquisadora DCR do CNPq (2015-2018). Grã-Chancelar da medalha J.G. de Araújo Jorge, pela Academia Juvenil Acreana de Letras; Embaixadora da Poesia pela Casa Casimiro de Abreu.
A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.