segunda-feira, 28 de julho de 2008

FRASE DO DIA


A boa educação é como moeda de ouro: Em toda parte tem valor. E o exemplo não é a melhor forma de ensinar, mas a única. (Anônimo)

domingo, 27 de julho de 2008

COOPERAÇÃO E COMPETIÇÃO: PILARES DA EDUCAÇÃO CIDADÃ

A pretensão deste artigo é convidar as pessoas, modo geral, sem distinção de raça e credo, a se comportarem com a vontade de experimentar e acreditar na aprendizagem que nós educadores somos capazes de transmitir, refletir, vivenciar, aproximando mais o professor, aluno, família, amigos uns dos outros, formando uma grande corrente que não pese, mas sim, que nos una cada vez mais।

Acredito que a dificuldade humana, no mundo atual, volta-se, prioritariamente, ao comportamento das pessoas em relação às outras। Algumas agem como senhoras absolutas da vida e, assim, vão esmagando, subjugando outras. Umas tantas aceitam, passivamente, viver sob o mando absolutista, curvando-se à vontade de alguém que tem poder e que desconhece cooperação e competição. Afinal, competir não é diminuir o outro e sim mostrar-lhe diferenças na forma de lutar na vida. Assim, cooperação e competição estão nas bases filosóficas da educação cidadã.

Mas, afinal, o que vem a ser educação? A literatura aborda variados conceitos e dentre tantos se escolhe aquele de Edgar Morin(2005): “educação não é somente transmitir conhecimentos, mas criar um espírito para toda vida, onde ensinar é viver em transformações consigo próprio e com os outros”। Com base nesse princípio é possível afirmar que fatores que garantem essa educação estão assentados em palavras como cooperação e competição. Assim é importante saber o que significam:
Cooperação (aprende-se)
A compartilhar, respeitar e integrar diferenças;
A conhecer nossos pontos fracos e fortes;
A ter coragem para assumir riscos;
Sentimentos e emoções com liberdade;
A participar com dedicação;
A ser solidário, criativo e cooperativo;
A ter vontade de estar junto.
Competição (inicia-se)
Com a discriminação e a violência;
Com o medo de arriscar e fracassar;
Em fazer por obrigação;
Pela repressão de sentimentos e emoções;
Pelo egoísmo, individualismo e competição excessiva.
Nota-se, então, que COOPERAÇÃO é um processo onde os objetivos são comuns e as ações são benéficas para todos. Enquanto a COMPETIÇÃO é um processo onde os objetivos são comuns, mutuamente exclusivos e as ações são benéficas somente para alguns. Neste sentido, Cooperação e Competição são processos distintos, porém, não muito distantes. A principal diferença é que no primeiro todos cooperam e ganham, eliminando-se o medo do fracasso e aumentando-se a auto-estima e a confiança em si mesmo. Ao passo que no segundo, a valorização e reforço são deixados ao acaso ou concedidos apenas ao vencedor, o que gera frustração, medo e insegurança.

Concluindo, diz-se que a educação moderna está em crise, porque não é humanizada, separa pensador do conhecimento, o professor da matéria, o aluno da escola, enfim, separa o sujeito do objeto. Mas nem tudo está perdido, ainda há tempo para cada um refletir sobre a vida, o jeito de ser feliz. Então o caminho é a Cooperação e a Competição, no sentido de construir um amanhã melhor. Pois como diz Carl Young, “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta"!

DICAS DE GRAMÁTICA
EXMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO ou EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO?
- Depende da titulação da pessoa a quem se destina o tratamento. É muito usual na Justiça o cabeçalho endereçado ao EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO. Todavia, a tendência moderna é atribuir o designativo de doutor somente a quem de fato tem doutorado ou pós-doutorado. Por isso às vezes se vê escrito “Prof. Dr. Amâncio Flores”, ou mesmo “Prof. Amâncio Flores, Dr.", com a titulação no final . Sendo assim, é o bastante escrever EXMO. SR. JUIZ DE DIREITO . Na correspondência, oficial ou não, de cunho mais recente, dispensa-se qualquer titulação na frente do nome quando o destinatário não é mesmo doutor Ph.D.

A MAIORIA DAS PESSOAS FALTOU À FESTA ou A MAIORIA DAS PESSOAS FALTARAM À FESTA?
- As duas frases são consideradas corretas, mas a primeira é a mais recomendável: "A maioriadas pessoas faltou à festa". Neste caso, o verbo concorda com o núcleo do sujeito (maioria), que está no singular.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

COMO DEVE SER O PROFESSOR DO SÉCULO XXI


O artigo traz reflexão sobre o papel social do professor neste século XXI. Em verdade, o professor perdeu o prestígio. Hoje é figura apática, perdeu as cores que outrora o faziam cidadão excelso, bem como viu abaterem sua capacidade e autoridade em terreno pouco fértil. Todavia, continua a ser figura imprescindível no mundo, pois não há ensino-aprendizagem sem professor.Então, como resolver esse conflito entre o desprestígio e o necessário ao mundo educacional? Como deve ser o professor do século XXI?
O mundo contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos os setores da sociedade, inclusive o educacional। Estas mudanças, irreversíveis, estão relacionadas ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação, que instituem diferentes concepções de tempo e de espaço e possibilitam ao professor desenvolver novas práticas pedagógicas. É necessário, então, que os professores do século XXI, em primeiro lugar, adquiram fluência tecnológica – vinculada à reflexão e ao uso de ferramentas digitais – e sejam os profissionais que o mundo globalizado está a exigir.

Assim, a função do bom professor do século XXI não é apenas a de ensinar, mas de levar seus alunos ao reino da contemplação do saber। Para tanto, deve caminhar, com passos firmes, entre o desenvolvimento tecnológico e suas práticas pedagógicas. Há trilhas importantes rumo ao desenvolvimento humano, quais sejam:

1º - Aprimorar o educando como pessoa humana - A grande tarefa do professor não é a de instruir, mas a de educar o aluno como pessoa humana que vai trabalhar no mundo tecnológico। Um mundo povoado de corações, dores, incertezas e inquietações. A escola não pode mais se limitar a educar pelo conhecimento destituído da compreensão do homem real, de carne e osso, corpo e alma. Pois de nada adianta o conhecimento bem ministrado em sala de aula, se fora da escola o aluno se torna um homem brutalizado, desumano e patrocinador da barbárie.

2º - Preparar o educando para o exercício da cidadania - O cidadão não começa quando os pais registram seus filhos no cartório nem quando os filhos, aos dezoito anos, tiram suas carteira de identidade civil। A cidadania começa na escola, desde os primeiros anos da educação infantil e se estende à educação superior, nas universidades.

3º - Construir uma escola democrática - Os professores devem ter na gestão democrática um princípio primordial, que não arredam pé, não abrem mão। Quem exercita a democracia em pequenas unidades escolares, constrói um espaço próprio e competente para assumir responsabilidades maiores na estrutura do Estado.

4º - Qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho - A escola, através de seus professores, poderá qualificar o aluno para aprender a progredir no mundo do trabalho, ensinando-o a dar respostas às novas demandas sociais, sem medo de perdas, sem medo de mudar, sem medo de se qualificar, sem medo do novo, principalmente o novo que vem nas novas ocupações e empregabilidade।

5º - Fortalecer a solidariedade humana - É papel de a escola favorecer a solidariedade, masnão a solidariedade de ocasião, que nasce de uma catástrofe, mas do laço recíproco e cotidiano ede amor entre as pessoas। A solidariedade que chega como adesão às causas maiores da vida, principalmente às referentes à existência humana.

6º - Fortalecer a tolerância recíproca - Um dos mais importantes princípios de quem ensina e trabalha com crianças, jovens e adultos, é o da tolerância, sem o qual todo magistério perde osentido de ministério, de adesão aos processos de formação do educando। A tolerância começa na aceitação, sem reserva, das diferenças humanas, expressas na cor, no cheiro, no falar e no jeito de ser de cada educando.

7º - Zelar pela aprendizagem dos alunos - O domínio de conhecimento não deve estar dissociado da capacidade de ensinar, de fazer aprender। De que adiante e conhecimento e não saber, de forma autônoma e crítica, aplicar as informações? O conhecimento não se faz apenas com metalinguagem, com conceitos a, b ou c, e sim, com didática, com pedagogia do desenvolvimento do ser humano, sua mediação fundamental.

8º- Colaborar com a articulação escola/família - O professor do novo milênio não é mais pedestal, dono da verdade, representante de todos os saberes, capaz de dar respostas para tudo। Ele deve articular-se com as famílias de alunos, na busca de contornar situações desafiadoras em sala de aula. 9º - Participar ativamente da proposta pedagógica da escola - A proposta pedagógica nãodeve ser exclusividade dos diretores da escola. Cabe ao professor participar dela, até mesmo para definir de forma clara os grandes objetivos da escola para seus alunos.

10º - Respeitar as diferenças - Se de um lado levanta-se a bandeira da tolerância, como um dos princípios do ensino, o respeito às diferenças conjuga-se com esse princípio, de modoa favorecer a unidade na diversidade, a semelhança na dessemelhança।

Nesse cenário do século XXI, o educador deve ter a preocupação de reeducar-se de forma contínua, uma vez que a sociedade ainda traz, no seu tecido social, as teorias da homogeneidade para as realizações humanas, teoria que, depois de 500 anos, conseguiu apenas reforçar as desigualdades sociais. A missão do professor é dizer que as pessoas podem amar, viver e ser felizes com as diferenças, pois nelas poderão ser encontradas muitas semelhanças históricas e ancestrais. As diferenças podem somar valores e multiplicar gestos de fraternidade e paz entre as pessoas. Enfim, os professores precisam adquirir novas competências e habilidades para que os alunos possam aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser - aprendizagens fundamentais à Educação para o século XXI.

DICAS DE GRAMÁTICA

DEBAIXO e DE BAIXO, como usá-los?
Nosso idioma parece estar marcando, aqui, a distinção entre "lugar onde" e "lugar DE onde". Compara:
(1) Ele estava debaixo da cama (onde)
(2) Ele saiu de baixo da cama (de onde)
Na frase (2), de baixo se opõe a de cima; é a mesma oposição que vamos encontrar em "ele mora no andar de baixo", "ele mora no andar de cima".

DETRÁS, DE TRÁS?
- O advérbio detrás também expressa "lugar onde"; é sinônimo de atrás. A expressão de trás expressa "lugar de onde"; essa preposição "DE" é exigida por um grupo expressivo de verbos de movimento. Compare:
(3) Ele se escondeu detrás da pedra. (onde)
(4) Ele veio de trás da pedra. (de onde)
(5) Tirou o violão de trás do armário. (de onde)
Nas frases (4) e (5), de trás se opõe a da frente; é a mesma oposição que vamos encontrar em "de trás para a frente, da frente para trás".
Mas pense o leitor que nem tudo são rosas, quando se trata desse enigmático espacinho em branco. Veja, por exemplo, na frase "A criatura surgiu detrás/de trás da pedra"; separado, significa que ela veio de lá; junto, que foi lá que ela nasceu (ou se materializou).

O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS: ENSINAR, FORMAR, EDUCAR E INSTRUIR


Educar, como tantos acreditam, não é ministrar conteúdos. É, antes de tudo, despertar aptidões naturais nas pessoas e orientá-las, aprimorando-lhes as faculdades intelectuais, físicas e morais. Por isso, manifestei, dia desses, preocupação com o comportamento desagregador e destrutivo de jovens estudantes na vizinhança de uma escola pública, no Bairro José Augusto, na capital Rio Branco.

Sábado, 19.07.08, no Jornal “A Gazeta”, li brilhante artigo do jovem jornalista Rutemberg Crispim, intitulado “Juventude sem sonhos”. Uma leitura recomendável aos pais, alunos, professores, educadores, a sociedade em geral. Ali o jornalista diz ser necessário investir mais e melhor na juventude. É preciso corrigir falhas para que elas não se transformem, no futuro, em caos.

O que todos desejamos é uma sociedade harmônica, onde cada pessoa saiba se conduzir, sem agredir, insultar, maltratar, matar o seu semelhante. Esse triste fato, envolvendo jovens entre 19 e 20 anos, em crime brutal, tendo como vítima o Conselheiro de Saúde Joseh Alexandre Leitão, assusta, preocupa as pessoas, particularmente aquelas que têm filhos em processo de formação, que necessitam receber boa formação escolar e familiar. Essas duas instituições são a redenção da humanidade.

Por isso, o artigo de hoje reflete o significado de quatro palavras importantes, que só ganham sentido quando trabalhadas no processo educacional, partilhadas na instituição da família e ancoradas pelo corpo social: ensinar, formar, educar e instruir. O educar se constitui no processo onde a criança ou o adulto convive com o outro. E, ao conviver com o outro, se transforma, espontaneamente, com um modo de viver mais harmônico, com o seu espaço e o espaço do outro. E esse conviver se aprende na família e na escola. Depois disso é a vida real, com os “casos” e “acasos”, como disse a professora daquela escola, na sua contestação ao meu texto. Não compreendeu que a educação humana tem como fundamentos a prática dos valores universais: verdade, retidão, paz, amor e não-violência. É um processo que não se esgota nas paredes das salas de aula, transcende os muros de uma escola.

Não carrego questão pessoal contra estudantes, professores, administradores do colégio vizinho. Meu sagrado dever no magistério impõe preocupação mais nobre com pessoas, particularmente aquelas com comportamentos destoantes do meio social e dos preceitos educacionais. É desejo nosso que os alunos, modo geral, cresçam e se vejam cidadãos, sabendo aquilo que podem e não podem fazer. Uma vida, em comunidade, exige um conjunto de regras a serem cumpridas. Então, que a escola contextualize a educação curricular, também, para o viver social. Transmitir conteúdos e obter notas elevadas no IDEB não vai servir de nada se esses jovens não aprenderem as regras do bom convívio social. Os conteúdos curriculares não devem ser guardados em gavetas ou folhas de papel, mas aplicados na vida. A educação, enquanto sistema, configura um mundo, e os educandos confirmam, em seu viver, o mundo que vivem na educação escolar e familiar.
Para explicitar, com maior clareza, aquilo que percebo prioritário ao sistema educacional, trago um estudo etimológico de quatro palavras básicas do vocabulário pedagógico-educacional: ensinar, formar, educar e instruir. O objetivo é caracterizar as nuances de seus significados e a história contextualizada de seus sentidos. Com isso, é possível ofertar elementos capazes de iluminar as idéias pedagógicas no ambiente cultural em que vivemos – também no interior daquela escola e fora dela --- para construir uma sociedade mais humana, sem que se leiam notícias como essa tragédia que fala Rutemberg Crispim, envolvendo jovens que poderiam estar imbuídos do bem social e não à margem dele.
E por que elegi essas palavras? Porque elas são o norte no sistema educacional em todo o mundo. Não é uma invenção de momento. Elas carregam um significado que deve ser lembrado, diariamente, na vida dos educadores, ao lidar com alunos, com a comunidade. Vygotsky -- professor e pesquisador russo, contemporâneo de Piaget --- construiu uma teoria de caráter histórico-social, onde a questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio. Ele diz que “uma palavra sem significado é um som vazio’. Então, o sistema educacional deve ouvir as vozes sociais, para trabalhar nas respostas que equacionem a vida das pessoas. Sem essa preocupação o sistema perde seu real valor. A educação não existe para si mesma, mas para melhorar a vida dos seres humanos em sociedade.
A palavra ensinar surgiu no Séc. XI, na língua francesa enseigner e, no Séc. XIII, na língua portuguesa, vindo do latim insignare, que significa indicar, designar, marcar com um sinal. Ao tempo que pode transmitir uma idéia de imposição, pode, por outro lado, indicar o nascimento do caráter do estudante, uma vez que, em grego, sinal é Karakter. Assim, a escola é o lugar onde a intervenção pedagógica intencional desencadeia o processo ensino-aprendizagem, na moldagem da cidadania.
A palavra formar, registrada no francês do Séc. XII, former, e no português do Séc. XIII, veio do latim formare, verbo que remete ao substantivo forma, ou seja, fôrma, molde. Essa palavra formar guarda um significado concreto, mas alcança, também, um registro abstrato, de natureza filosófica, que nos lembra Platão, ou melhor, a tradução latina (forma) do grego eidós, por sua vez ligado a idéia. E no seu sentido mais nobre, polido, evoca o processo de fazer aflorar o conhecimento, como sugere Platão. Esta concepção platônica serve de pano de fundo e inspiração para a filosofia pedagógica de Dewey, que tanta influência teve no Brasil.

A palavra educar, presente em português e em castelhano, é registrada no séc. XVII. Aparece em francês no séc. XIV, como éduquer. Do latim educare, forma derivada de educere, contém a idéia de conduzir. A palavra educar representa uma práxis em que se focaliza, enfaticamente, a finalidade e os objetivos do processo pedagógico. Seu uso foi difundido através da publicação de Emílio, de Jean-Jacques Rousseau (1762), um marco da filosofia iluminista, por um dos mais eminentes enciclopedistas. Portanto, fica claro que as idéias de Progresso, implícitas no Iluminismo, difundidas pela Encyclopédie e, em última instância, associadas à Revolução Francesa, se traduzem e se condensam no verbo Educar.

A palavra instruir, do latim instruere, surge em português no séc. XVI. Em francês, instruire entrou no vocabulário no séc. XII, na forma enstruire, cujo final sofreu a influência de construire. A palavra chegou ao latim com uma raiz indo-européia, significando semear, lançar grãos ao solo, estender. Daí vieram, também, outras palavras, como construir, que originalmente significava semear coletivamente. A palavra instruir, uma das mais antigas para indicar o processo pedagógico, carregando o belo significado original de semear, evoluiu, na contemporaneidade, para treinamento de atividades mecânicas e repetitivas. Mas instruere ressurge em construir, isto é, semear coletivamente. Esta é a palavra que nos últimos tempos tem sintetizado e veiculado as posições pedagógicas mais avançadas.

Estas palavras ensinar, formar, educar e instruir, pelos sentidos que transportam, mostram que no processo pedagógico-educacional elas podem duplicar o mundo, criar nele espaço para todos, numa vida de respeito, dignidade, harmonia, educação. Pois não há consciência, nem discurso interior sem palavras, ainda mais quando elas se esvaziam. Assim, não há educação sem a execução do sentido real dessas palavras. As palavras não carregam sentidos por simples enfeite ou adereços, constituem o meio pelo qual se produzem acumulações quantitativas e qualitativas de mudanças, que possam fazer brotar nos jovens --- o futuro do mundo -- uma nova forma ideológica de sentir, viver e construir o processo educacional, trazendo significativos resultados à vida cotidiana. Construir é semear e dessa semeadura participam alunos e professores. A colheita é uma nova sociedade, um novo conceito de cidadania, é a felicidade.

DICAS DE GRAMÁTICA

BANCO QUE VOCÊ CONFIA ou O BANCO EM QUE VOCÊ CONFIA? - Quem confia, confia em alguma coisa. Portanto, ‘O banco em que você confia’.

DESCULPE A NOSSA FALHA, está correto falar assim? - Não. Se você passa alguma informação errada em seu blog, no jornal, não diga “desculpe a nossa falha”. Quem desculpa, desculpa alguém de (ou por) alguma coisa. Então: Desculpe-nos pela falha.


sábado, 12 de julho de 2008

LOUVOR AO POETA MÁRIO QUINTANA

Sou fã incondicional de Mário Quintana. Adoro todas as coisas que escreveu, desde poesias a frases. Tenho profunda identificação com esse poeta. Diziam os amigos mais íntimos, que ele era o poeta das coisas simples e fazia pouco caso em relação à crítica. Conforme costumava comentar, sua poesia era feita simplesmente por sentir necessidade de escrever. Daí escrevia muito em poucas palavras. As mensagens são divinas! Divido-as, em parte, com meus leitores amigos, que podem criticar os meus textos e admirar os de Quintana.

Somos donos de nossos atos, mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos...Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo.
Mário Quintana

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Mário Quintana
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos. Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda... Mário Quintana

Não quero alguém que morra de amor por mim…Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando। Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade। Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…E que esse momento será inesquecível। Só quero que meu sentimento seja valorizado।
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor। Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,que faço falta quando não estou por perto। Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele।E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo।Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz।Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez obterei êxito e serei plenamente feliz।Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”।Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,sem ter de me preocupar com terceiros…Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento।Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…e que valeu a pena। Mário Quintana

ÉTICA E PRÁTICA EDUCATIVA, OUTRA VEZ

Qual é um significativo fundamento para a conduta ética e o que isso tem a ver com a prática educativa? Lee Yarley, professor de Religião na Stanford University, em um texto, que serviu de base para um diálogo com o Dalai Lama e outros pesquisadores, publicado no livro Emoções que Curam: conversas com o Dalai Lama sobre mente alerta, emoções e saúde, da Editora Rocco, 1999, sintetizou, de modo singular, as três posições éticas assumidas na filosofia ocidental, ao longo da história।

A primeira delas é “o individualismo [que] restringe a ética aos desejos do indivíduo। Ética, [no caso], envolve imaginar o que desejamos, e depois agir para obtê-lo”. Nessa perspectiva, uma conduta é ética, quando ela atende nossos interesses individuais, não importa como esse atendimento se faça. Importa que sejam atendidos. O centro de atenção é o nosso “eu”, ele é que deve ser satisfeito.


A segunda posição, detectada pelo autor, é a do “perfeccionismo [que] julga se os desejos do indivíduo são bons ou maus com relação ao ideal de uma pessoa perfeita। Esse ideal geralmente repousa na noção relacionada com o melhor estado possível da natureza humana”. Aqui há uma suposição metafísica de qual seja a conduta perfeita e todas as nossas condutas deverão ser avaliadas diante dessa, de tal modo que nossas decisões, no cotidiano, devam aproximar-se desse ideal. O que importa é a busca da perfeição da conduta em comparação com aquela que está definida como a ideal. Quem define esse ideal?


E, finalmente, a terceira posição identificada é a do racionalismo, característica a mais “moderna e ocidental da três। Ele sustenta que a razão é o único guia ético adequado, definindo a razão como aquilo que possibilita que as pessoas pensem a respeito de proposições universais abstratas”. Aqui é a razão que deve definir o que é bom e o que não o é. Emanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII, com muita influência sobre a sociedade moderna, dizia que deveríamos, em nossas vidas, “fazer as coisas de tal forma que todos pudessem fazer igual a nós”. Nesse princípio da ética kantiana não há um conteúdo a ser levado em consideração, mas somente uma forma racional pela qual devemos pautar nossas condutas, ou seja, devemos evitar agir de uma maneira que os outros não possam agir da mesma forma que nós. Somente pela razão podemos nos orientar nessa tarefa.


Concordo com o quadro sintético que esse autor traça das orientações assumidas pelo pensamento filosófico sobre a conduta ética no mundo ocidental, na medida em que esses têm sido os seus fundamentos, teoricamente, expostos pelos filósofos ao longo do tempo na história do ocidente। São fundamentos abstratos, metafísicos, praticamente sem vínculos com a vivência direta e imediata do ser humano em seu cotidiano, que envolve a si mesmo e aos outros.


Se o fundamento do ato ético depende do desejo de cada um de nós, deveríamos existir como seres isolados e independentes uns dos outros। Mas nossa realidade é individual e social, ao mesmo tempo. Somos seres sociais e não vivemos abstraídos das relações com os outros. Por outro lado, se o fundamento for a idéia de perfeição, quem definirá esse ideal e a partir de que parâmetro? Será um parâmetro existencial, histórico, ou será um parâmetro abstrato, sem contato com a experiência humana? E, por último, o parâmetro racionalista também nos coloca numa situação abstrata e metafísica, devido tomar como parâmetro a possibilidade do outro “fazer o que eu decido fazer e faço”. Então, a afirmação será: “O outro poderá fazer o que desejar, é claro! Cada um é livre de fazer o que quiser. Então, veremos quem pode mais; eu faço, os outros que façam se quiserem”. Nesse caso, chegaremos à barbárie, que, de certa forma, já vivenciamos em nosso cotidiano. Cada um faz o que quer, mas usualmente, não assume a responsabilidade pelo que fez. Quando as ações praticadas vêm à publico, o esforço é para negar que foi dessa forma que ocorreram as coisas. Vemos isso no noticiário veiculado pela imprensa diária em nossos meios de comunicação. Assim sendo, nenhum desses fundamentos são suficientemente satisfatórios para configurar uma prática ética que permeia as relações entre os seres humanos.


Recentemente, temos compreendido que existe um fundamento muito mais significativo para a conduta ética। É a solidariedade. Ela, sim, é, a meu ver, um fundamento consistente para a conduta ética do ser humano. Enquanto as posições tomadas pelos filósofos ao longo do tempo, no ocidente, são abstratas, a solidariedade é concreta, na medida em que eu e o outro nos relacionamos na concretude do dia a dia. É no processo desse relacionamento que podemos encontrar um fundamento consistente para o nosso agir ético.


Entre os objetivos da educação para o século XXI, elaborados pela Unesco está o objetivo de “aprender a viver juntos”, que significa manter a nossa identidade e sobrevivência com dignidade, garantindo a identidade e a sobrevivência do outro। Esse objetivo expressa singularidade e a pluralidade de cada ser humano nas relações entre si. Afinal, e em primeiro lugar, somos todos seres humanos, e, em segundo lugar, nascidos no seio de povos, etnias, grupos culturais e religiões diferenciados. Deste modo, somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Assumir esse ponto de partida, a meu ver, é garantir um excelente fundamento para a conduta ética.


Na parte final do livro citado acima, o Dalai Lama diz que o fundamento para a conduta ética é a compaixão. “A força dominante da mente humana, ainda é a compaixão”, diz ele. Compaixão, aqui, não é uma pieguice, mas sim uma ação solidária para consigo mesmo e para com o outro. Eu necessito de viver bem, o outro também. Todos nós necessitamos dos outros e todos os outros necessitam de nós. As profissões são a expressão disso: todos nós necessitamos dos serviços e ações especializados dos outros e os outros necessitam das nossas ações e dos nossos serviços especializados, realizados com os cuidados necessários. Necessitamos e os outros necessitam de afeto, de atenção, de amizade, acolhimento e de solidariedade na aprendizagem e no viver.
O que isso tudo tem a ver com a prática educativa? A conduta ética do educador eficiente tem a ver com a solidariedade com o educando em sua trajetória de aprender e, por isso, garantir o seu desenvolvimento।


Todo ser humano tem direito à aprendizagem e ao desenvolvimento; e, como tal, o educando, se dirige à escola, pública ou particular, está em busca de aprendizagens significativas e, conseqüentemente, do seu desenvolvimento. No caso, o educador tem por compromisso, pelo lugar que ocupa na prática educativa, de ser solidário com o educando e isso significa ensinar eficientemente bem para que ele aprenda e, por aprender, se desenvolva.

terça-feira, 1 de julho de 2008

COMO NASCEU O AMOR ROMÂNTICO?


A pergunta que se faz não interessa a muita gente. Mas refletir sobre ela faz lembrar que o Amor nunca é demais e que as pessoas devem se amar mais e melhor em cada novo dia, dando maior sentido à vida. Essa motivação deve povoar qualquer terra em que os seres humanos amem, bem como qualquer tempo onde as pessoas sonhem. Deve habitar a vida.

Refletindo sobre a questão, andei por muitos lugares procurando uma resposta। Apelei para os historiadores, li sobre o amor através dos tempos e, seguindo, passo a passo, a construção da civilização ocidental, estudei o amor entre os Gregos, o amor entre os Romanos, o amor entre os Judeus। Entrei no cristianismo e li o amor na ótica de Agostinho, Jerônimo e Tertuliano, e me vi na Idade Média e lá contemplei o amor dos plebeus e dos nobres, e até o amor escondido nos conventos. Depois, saí pelos castelos acompanhando os trovadores e vi nascer entre eles o amor cortesão, onde só os filhos primogênitos se casavam por causa das heranças, que não eram divididas. Assim, sobravam vários jovens solteiros que se apaixonavam pelas damas e que só podiam viver um amor idealizado, logo sofrido.
Também, notei que o amor se fez ridículo, desprestigiado, tanto que na Idade da Razão ele fora reduzido à mera sensualidade। Seduzia-se pelo prazer de seduzir e não necessariamente pelo prazer do amor. Foi ali que encontrei Giovani Jacopo, Casanova e Don Juan Tenório de Servilha, o célebre Don Juan, personagem encantador da comédia de Tirso Molina, no século XVII. Nasceu, nesta esteira, no Ocidente, o amor romântico, tendo por base um conjunto de práticas que povoam as mentalidades amorosas desde o século XII, quando surgiu o amor cortês. Entre elas estão: a não aproximação dos corpos, comunhão de almas propostas pelo cristianismo, idealização do bem amado, abdicação ao amor a si próprio, completa fidelidade. A principal característica é amar o ato de amar, ou seja, amar o amor e não um outro, não importando possuir o objeto de amor, mas sim o sofrer e até o morrer por amor. Antes, as pessoas não casavam por amor. Isso é uma coisa recente, uma vez que o casamento era algo muito sério para se misturar com amor.

No século XVII o amor chegou com novo alento। Trazia sonhos e fantasias. Era o amor romântico, o amor de Pierrot e Colombina, Romeu e Julieta, o amor de Tristão e Isolda, todos rígidos e marcados por impossibilidades. Quanto mais obstáculos a transpor, mais apaixonado ele se torna. Entretanto, em um determinado momento, interesses econômicos introduziram esse tipo de amor no casamento, transformando toda a sua história. A chegada do amor romântico fez do casamento o meio para as pessoas realizarem suas necessidades afetivas.

Até a Revolução Industrial, no final do século XVIII, as pessoas moravam mais no campo, junto a vários outros membros da família, o que fazia com que sentissem afetivamente amparadas। Os casamentos aconteciam por razões econômicas e políticas. Por isso duravam a vida toda. Não havendo romance nem expectativa de satisfação sexual, não havia decepções, e ninguém pensava em se separar. Mas as fábricas e os escritórios que surgiam foram atraindo os homens para trabalhar nos centros urbanos. Nasceu, então, a família nuclear - mãe, pai, filhos - agora sozinhos na cidade. Para que o casal suportasse viver assim, longe daqueles com quem tinha laços afetivos, inaugurou-se o amor romântico no casamento.

O modelo de amor romântico, cuja paternidade foi atribuída a Rousseau, consistia em um projeto amoroso que era também uma proposta filosófica e política para a sociedade burguesa em ascensão। Na visão rousseauniana, o amor apaixonado devia ser a base da construção da família, pilar da sociedade. Assim, o ideal de amor romântico integra a sexualidade natural do homem com o amor e o casamento, propondo um amor recíproco e indissolúvel, cuja finalidade última é a felicidade. O amor deve ser exclusivo e eterno para garantir a estabilidade da família e levar adiante o projeto político. O amor romântico integra a natureza humana com os objetivos da sociedade política, pondo as paixões a serviço da comunidade e da vida pública.

Ao concluir, observe o leitor haver muito para ser dito. Há uma tese interessante do suíço Rougemont, onde ele afirma que a idéia do amor romântico nasceu no Ocidente, no século XII, do encontro entre a poesia trovadoresca e o pensamento de uma seita herética. Válida ou não, interessante ler e, também, mergulhar no mito de Tristão e Isolda, nos filmes hollywoodianos, passando por Shakespeare, Mozart e Freud, enfim, perceber o que dizem sobre o amor romântico, um amor que embala a vida de tantas pessoas e que o mundo moderno parece ter devorado. Mas tanto o amor cortesão quanto o amor romântico são invenções da cultura, e como a cultura muda com o tempo, uma concepção de amor que foi boa em determinada época pode se tornar anacrônica e até ridícula em outra. Importa perceber que o Amor é plural e não singular e que há inúmeras formas de amar, tantas quantas culturas existem no mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA
RESIDENTE À/ NA RUA XV?
A rigor, como os verbos morar, residir, situar, localizar e semelhantes regem a preposição em, deveria se usar na e não à nos casos específicos. Tudo bem, tanto é que se fala assim:
¨ Residimos na rua Tupi. ¨ A casa está situada na avenida dos Guararapes. ¨ Você ainda mora na mesma travessa? ¨ A sede do Partido se localiza na rua XV.
Mas, por obra do dinamismo da língua, incorporou-se à escrita o emprego de à no lugar de na como complemento de tais verbos diante de logradouros como rua e avenida. O mesmo acontece com seus derivados morador, residente, domiciliado: ¨ Residente à rua XV. ¨ Manoel Silva, morador à rua Bosque, requer... ¨ Vende-se casa (situada/sita) à Avenida Nações Unidas. ¨ Aluga-se imóvel (localizado) à Av. Getúlio Vargas. ¨ Vamos estudar no IESACRE, à Rua Ponta Porã, nº 100.
GRAFIA DAS HORAS
¨ A grafia que deve ser adotada em jornais, sentenças, acórdãos, convites, convocações, cartazes e coisas do gênero é a seguinte: - Hora redonda: às 8 horas ; 10 horas ou 10 h [abreviação sem ‘s’ e sem ponto]- Hora quebrada: às 8h35min; 10h05min; 10h35 [sem dar espaço entre os elementos]¨ A grafia por extenso – que é menos visual – se reserva para convites formais como o de um casamento: A cerimônia será realizada às dez horas do dia vinte de maio.

EXERCÍCIO ÉTICO COMO CONDUTA DE VIDA


O exercício do magistério oportuniza ao professor muita conversa com seus alunos। Assim tem sido no Curso de Comunicação Social, no IESACRE, quando se fala, francamente, sobre a ética no jornalismo, na academia, sobre condutas de vida. É importante, ao professor, trabalhar áreas ligadas à humanidade das pessoas. Os estudantes, nos textos que escrevem, manifestam opiniões diversas. E, de tudo quanto se tem dito sempre há algo para acrescentar. Pois a ética não é uma norma pronta, em abstração, mas uma conduta que deve ser experimentada no dia a dia da vida, desde o trato com amigos e familiares, às normas de conduta na universidade, na empresa onde se trabalha, nos lugares que se freqüenta. Enfim, a ética é um caminho bom a ser seguido, para a boa e salutar convivência social.


Por isso, daquilo que li, compreendo a ética no jornalismo como um modo de pensar que “dá forma aos impasses que requerem decisões individuais e sugerem equações para resolvê-los”। É um pacto de confiança entre público e instituição. Tem que ser contextualizada para acompanhar a mentalidade do público alvo e, com isso, não romper o debate ético.


Para esses alunos do Curso de Jornalismo eu diria, antes de tudo, que o jornalista precisa ser um cidadão ético। Os valores morais precisam estar enraizados nele e não serem seguidos por mera subordinação. A integridade pessoal do jornalista define seu preço no mercado, porque sabe oferecer, ao outro, seu potencial, talento, sem desnudar-se dos valores éticos que carrega, sem subordinar-se aos meios, que fazem da ocasião uma oportunidade financeira, passando ao largo, grande parte das vezes, da ética e da verdade dos acontecimentos.


Também, esses estudantes sabem a função da imprensa num país democrático. Ela deve fiscalizar o poder e estabelecer-se como instituição de cidadania. Por isso mesmo ela é palco constante de ideais diversos, proporcionando o conflito. Só neste cenário é possível que a ética seja discutida – de preferência com o público que sustenta a imprensa. A ética jornalística não se resume a uma normatização do comportamento de repórteres e editores. Ela também encarna valores que só fazem sentido se forem seguidos, tanto por empregados da mídia como por empregadores – e se tiverem como seus vigilantes os cidadãos que formam o grande público.
Outro aspecto importante a considerar, nos meios de comunicação, é a notícia, pois ela é o alimento do jornalismo na construção não apenas dos gêneros midiáticos, mas da identidade social, da opinião pública। Ela quebra o isolamento social. Mas notícia não é somente uma novidade, é a novidade que, de alguma forma, muda fatos, poderes ou idéias. No aspecto do novo, que trás a notícia, ela consiste em publicar o que outros querem esconder, mas que o cidadão tem o direito de saber. Por exemplo, as reportagens denunciadoras de tortura e corrupção que, posteriormente, modificando idéias, fizeram com que a democracia se instaurasse no Brasil. Isso é compromisso ético.


Da reflexão de hoje enumeram-se dez aspectos, que podem resumir os mandamentos do bom jornalismo:
1) Desejar, sempre, descobrir a verdade;
2) Pensar na conseqüência do que se publica;
3) Contar a verdade com fundamentação;
4) Possuir impulso de educar;
5) Distinguir opinião pública de popular;
6) Distinguir legitimidade de popularidade;
7) Ter disposição para liderar;
8) Mostrar coragem;
9) Ter disposição de admitir o próprio erro;
10) Respeitar e honrar as palavras।


Encerrando a breve reflexão, diz-se que o profissional do jornalismo precisa ter sólida formação ética, olhar crítico, atualização, independência, talento, intuição, reflexão, educação, humildade para servir ao público e com ele dialogar. Pois a ética aqui comentada não surgiu, apenas, como adjetivo, mas na sua origem substantiva de transportar valores, normas de conduta ao exercício da vida. Ela não é sinônima da honestidade de um indivíduo, mas um conjunto de valores que devem ser seguidos e debatidos com sensatez. Por isso, sua prática exige humildade, sinceridade, força de vontade, liberdade. Seguir esses preceitos é missão importante para os atuais e futuros jornalistas.

DICAS DE GRAMÁTICA
As expressões “em que pese” e “a nível de” são corretas?
- Do ponto de vista gramatical elas não existem, embora estejam presentes no cotidiano de muitas pessoas.
Comentários:
1. Apenas em que pese não existe. O correto é em que pese a.
E o que quer dizer? – Significa: 1. Ainda que custe, doa, pese, a (alguém). 2. P. ext. Apesar de; não obstante.
Exemplos:
a) Ele foi mais do que uma esperança, foi uma ardente afirmação, em que pese à artimanha política que utilizou;
b) Em que pese à necessidade de estrutura política é prudente examinar as escolhas e indicações aos cargos públicos.
Em que pese a, por se tratar de uma expressão como um todo, não concorda no plural. Assim, domine o desejo de concordar no plural: em que pese os apelos para concordar, não o faça
A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.