quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CIÚME E TRAIÇÃO CAMINHAM JUNTOS?

A literatura mundial que trata do ciúme é abundante, e as divergências de opinião acerca do assunto também o são. Embora o conceito de ciúme tenha uma dimensão pluralística, no sentido de admitir a coexistência de vários princípios na tentativa de explicá-lo, é freqüente que os autores se respaldem na definição fornecida, em 1981, pelo autor Gregory White, por contemplar um número maior de fatores e por ser menos contraditória em relação a todas as outras que lhe sucederam. É por essa razão que neste artigo busca-se esboçar um breve panorama como o ciúme e a traição são compreendidos, a fim de que se possa aproximar de uma padronização conceitual, ao menos para os nossos objetivos.

Numa perspectiva mais ampla, que remonta há aproximadamente vinte e quatro séculos atrás, Aristóteles (2001) definia o ciúme como o desejo de ter o que outra pessoa possui, isto é, originariamente ele era concebido como uma qualidade boa e se referia ao desejo de imitar uma nobre atitude característica de outra pessoa. Nesta acepção, o filósofo pensava o ciúme em termos de uma nobre inveja.

Mais tarde, encontram-se nas referências bíblicas ilustrações que denotavam como o ciúme já tinha sido concebido como algo belicoso à boa vivência do amor. Salomão, em seu livro “Cântico dos Cânticos”, acreditava que o amor era forte como a morte e o ciúme, concebido enquanto uma paixão, era cruel como um túmulo.

Treze séculos depois, o escritor clássico e moralista francês François de la Rochefoucauld reconhecia no ciúme uma tendência egocêntrica ao dizer: “há no ciúme mais amor-próprio do que amor”. Este autor ainda identificava o amor como substrato para a gênese do ciúme: O ciúme nasce sempre com o amor, mas nem sempre morre com ele. Rochefoucauld (2006) ainda associa o ciúme às grandes mazelas humanas, em suma, para ele, o maior de todos os males.

No século XIX, na Alemanha, o ciúme, era concebido por Freud como um estado emocional. Segundo Freud (1922/ 1976), “O ciúme é um daqueles estados emocionais, como o luto, que podem ser descritos como normais” (p. 271). No texto Alguns mecanismos neuróticos no ciúme, na paranóia e no homossexualismo, o autor faz uma distinção entre três tipos de ciúmes, o competitivo ou normal, o projetado e o delirante.

Assim, para Freud, o ciúme poderia estar associado, no próprio ciumento, com as suas próprias traições. Então, é o desejo e a possibilidade virtual de trair o parceiro que faz brotar em cada pessoa o próprio ciúme. E esse ciúme já é algo ruim, perverso, que não traz nenhuma felicidade ao ser humano.

Para Stendhal (França,1999), o ciúme tinha uma conotação negativa e estava atrelado à vaidade quando dizia que o que tornava a dor do ciúme tão aguda era a vaidade que não contribuía para nos ajudar a suportá-la. Enquanto a traição, que destrói e anula relacionamentos, está envolta em engano e hipocrisia.

De outro lado a ciência etologia afirma que o ciúme é um sentimento universal, e sua existência pode ser constatada nos mais diferentes povos e raças. Apesar das diferenças na sua forma de manifestação, essa universalidade sugere um componente genético. Dessa forma, alguns autores abordam o ciúme do ponto de vista evolutivo e dizem que ele é uma manifestação biológica inata, que tem a função de garantir a propagação dos genes e, conseqüentemente, a perpetuação da espécie, um provedor para a prole, no caso do gênero feminino, e, sobretudo, a garantia da paternidade para o gênero masculino.

Enquanto a traição é um ato de vilania, pode ser abstrata (ver, sentir, omitir, esquecer) ou concreta (conjugal, carnal, infidelidade no agir, atraiçoar alguém). A fidelidade não é obrigação é escolha. E desta escolha pode nascer à satisfação ou a frustração das pessoas. E, na vida, é fundamental, antes de tudo, respeitar as pessoas, sob todos os prismas e formas. O respeito é a âncora de uma vida harmônica. Por isso ciúme e traição não são antagônicos, caminham de mãos dadas, povoam a mente, o caráter, o coração, os pensamentos das pessoas, fazendo-as seres inferiores, portanto, sofredoras e infelizes.

DICAS DE GRAMÁTICA

O JOGO ACONTECERÁ NO ARENA DA FLORESTA ou O JOGO ACONTECERÁ NA ARENA DA FLORESTA?

- Arena da Floresta é um Estádio de Futebol, palavra masculina. Portanto o jogo acontecerá no Estádio Arena da Floresta. Por elipse de estádio, “o jogo acontecerá no Arena da Floresta”, por favor!

ESCREVE-SE JUNTO OU SEPARADAMENTE?

AFIM = Igual, semelhante. Ex.: Temos estilos afins.

A FIM DE = para. Ex.: Saiu a fim de divertir-se.

INDISCIPLINA E AGRESSIVIDADE NO CONTEXTO ESCOLAR

Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Hoje, porém, novos elementos vieram tornar o trabalho docente ainda mais difícil. A disciplina parece ter se tornado particularmente problemática. E analisar as causas do fato é preocupação sobre a qual, hoje, se debruçam todos os que estão envolvidos com educação, que desejam uma escola de qualidade. É claro que são inúmeros, não apenas um, os elementos que concorrem para a atual e caótica situação educacional brasileira. Aqui enumeramos alguns itens responsáveis pela indisciplina escolar:

a) Incompetência emocional - grande parte dos problemas de violência provém de uma falta de controle das emoções;

b) Aumento do individualismo - o egocentrismo impede o aluno de ver o outro como um mediador na busca do conhecimento escolar, seja o outro professor ou o colega nas trocas indispensáveis nos trabalhos em grupo. Tentativas constantes de fazer a aula girar em torno de seus interesses e ideias;

c) Desapego da escola - as mesmas atitudes individualistas e a falta de sentido de cooperação levam a um desapego do aluno a respeito da instituição escolar como micro sociedade na qual convive em grande parte do tempo;

d) Condutas violentas - a aprendizagem da violência, em um contexto no qual esta aparece como única forma de solução dos conflitos leva a atitudes e comportamentos violentos, o que freqüentemente é potencializado pela incompetência emocional anteriormente assinalada;

e) Ausência de limites sociais – fato que gera interrupções inoportunas, confusões, conflitos em sala de aula, que perturbam o ambiente externo adequado a uma boa aprendizagem;

f) Desvalorização, desqualificação do professor – é questão grave que afeta todo o sistema educacional como um todo;

g) Tendência à intolerância - os contra-valores mencionados, de individualismo, competitividade, falta de solidariedade, etc., freqüentemente levam, também, a uma intolerância com o diferente;

h) Tensões - grande ansiedade junto com a conduta indisciplinada causando alterações no foco de atenção, atrapalhando a memória imediata e do meio prazo em testes e provas, perturbando as construções de relações lógicas apoiadas nas informações do momento e nas anteriores;

i) Atenção dispersa - dividida, voltada para as brigas, trapaças, roubos, etc., em que esteja envolvido direta ou indiretamente, ou seja, simples “torcedor” na sala de aula ou fora dela;

j) Perda de aulas - por atraso ou retirada de sala por indisciplina ou ainda suspensões disciplinares, gerando descontinuidade na construção de determinados conhecimentos;

k) Não cumprimento de tarefas escolares – essas atividades são suportes para a aprendizagem, limites, disciplina, respeito etc. Quando o aluno não faz as tarefas ele desrespeita o sistema educacional.

Assim, em todos esses casos, é fundamental à educação saber estabelecer limites e valorizar a disciplina. E, para isso, é necessária a presença de uma autoridade saudável, capaz de conduzir os alunos ao bom caminho, para que eles saibam o que podem ou não fazer dentro ou fora da escola. A educação é um processo amplo, longo, não se encerra nos muros da escola, se estende pelas ruas, praças, avenidas, casas, transportes, relações interpessoais, familiares, escolares, sociais. O estudante necessita aprender a conviver em sociedade, respeitar a escola, os professores, os pais, os amigos, enfim, respeitar as ruas por onde ele transita como uma pessoa que está construindo a sua cidadania.

A indisciplina e a agressividade constituem-se em um desafio para os docentes, representa um dos principais obstáculos ao trabalho pedagógico, demonstra a ausência de regras e limites por parte da criança. Necessitamos de uma postura compartilhada em relação à indisciplina, investindo na prevenção. A escola deve funcionar através de espaços e tempos geridos com critérios adequados à participação e ao diálogo entre os alunos e destes com os professores, onde o problema deve ser contextualizado, analisando as suas causas profundas e favorecendo a mobilização de ações alternativas.

DICAS DE GRAMÁTICA

QUAL O PLURAL DE PÉ-DIREITO

- A este termo usado para indicar a altura do pavimento ao teto, formado por um nome e um adjetivo, aplica-se a regra do exemplo anterior, ou seja, ambos os elementos vão para o plural.

Assim:

Pé-direito            -      pés-direitos.

Amor – perfeito   –    amores-perfeitos.

Surdo-mudo    -     surdos-mudos.

O PAPEL DA ESCOLA EDUCADORA

Temos falado, de forma cansativa e até exaustiva, de questões que afetam às escolas brasileiras. Particularmente se tem falado da violência escolar. E não há respostas para reparar essa chaga social, acontece essa violência e cada dia, a todo instante. Então, nesse sentido, este texto procurar trazer alguma luz para ajudar a sociedade contemporânea a vencer esse duelo entre a violência escolar, a construção da paz, a aprendizagem, a formação da cidadania.

Entre as medidas que deveriam ser adotadas em uma escola -- para enfrentar os problemas de convivência, sem renunciar por isso aos princípios de compreensividade e de escola educadora – está o fato de dar maior ênfase aos aspectos preventivos do que aos meramente punitivos. Entre as medidas preventivas menciona-se a criação de um currículo que seja negociado com os interesses dos alunos, para o qual -- e uma via adequada e ao alcance dos nossos sistemas educativos -- é trabalhar com os temas transversais, que tratam de desenvolver a declaração retórica de todos os sistemas educativos e perseguir uma educação integral das pessoas, tais como:

a) Educação para a paz: promove o valor-meta desenvolvendo o conhecimento, as atitudes e as destrezas para a solução dialogada, não-violenta dos conflitos interpessoais, tão freqüentes em coletividades, onde convivem pessoas diferentes.

b) Educação emocional: objetivando uma questão que está muito relacionada aos problemas de convivência, especialmente na adolescência, como o controle das próprias emoções, o respeito e a atenção às emoções dos outros.

c) Educação intercultural: de forma crescente, nossas salas de aula vão se tornando cada vez mais multiculturais. Por isso, às vezes surgem conflitos derivados da falta de tolerância entre grupos, bairros, valores comportamentais, disputas, exaltação de valores xenófobos aprendidos fora da escola. Uma educação intercultural promoverá um maior conhecimento e integração de culturas e valores diferentes, no sentido de obter respeito, promovendo entre os alunos a noção de enriquecimento mútuo.

d) Educação democrática: em razão de atitudes violentas ou indisciplinadas de determinados alunos – fatos que representam uma ponta de iceberg de mal-estar – bem como pela imposição autoritária de normas, por parte da instituição escolar. Diante disto, a educação democrática promoverá a participação, a partir do estabelecimento das próprias normas de convivência e seu controle, até o planejamento do currículo no contexto de uma negociação que leve em consideração as exigências da sociedade, os interesses da escola e dos alunos.

e) Educação moral: objetiva promover a reflexão e o julgamento moral em torno de determinadas situações dilemáticas que estão presentes no desenvolvimento de todos os temas. Procura melhorar o conhecimento dos valores-meta e o desenvolvimento de uma ética pessoal para se movimentar em sociedade, valorizando o respeito e a civilidade.

Assim, por meio dos temas transversais, será mobilizada uma série de estratégias-chave para a prevenção da disciplina nos centros comunitários e nas escolas: o trabalho cooperativo, a participação, ações solidárias etc., tudo isso dentro de um clima comunitário, no qual a ação da Coordenação será primordial. Isto pressuporá tomar medidas em diferentes escalas. Se seguirmos uma ordem dedutiva (desde o geral até o particular),devemos começar por entrar em consenso, em nível de comunidade educativa (conselho escolar), sobre os valores–meta relacionados com a pacificação do centro (não-violência, democracia, tolerância, controle, respeito etc.), transformando-os em finalidades educativas e selecionar os temas transversais para que melhor sejam desenvolvidos.

Também, devem ser tomadas decisões organizacionais que promovam um clima propício no centro e nas salas de aula: diálogo, tolerância, igualdade e, principalmente, participação. O Departamento de Orientação é adequado para coordenar, pelo menos, dois destes temas transversais: a educação democrática e a educação emocional. A primeira começará promovendo a compreensão e elaboração de normas de convivência, através das Coordenações, criando comissões de convivência para o controle democrático dos problemas de convivência, dispositivos de participação (por exemplo, assembléias) etc. A educação emocional, que requer uma formação psicológica mínima, deverá ser impulsionada pelo orientador, porém suas estratégias devem ser desenvolvidas por coordenadores e professores de turmas.

Há um ditado chinês que diz: ‘se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um pão. Porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia e, ao se encontrarem, eles trocam as ideias, cada homem vai embora com duas ideais’. Quem sabe é esse mesmo o sentido do nosso fazer: repartir idéias, para todos terem pão. (Cortella, 1998, p. 159).

DICAS DE GRAMÁTICA

QUAL O PLURAL DE DECRETO-LEI?

- Quando a palavra é formada por dois nomes com o mesmo estatuto e idêntica contribuição para o significado da palavra, ambos os elementos vão para o plural. Por isso, dizemos:

O decreto-lei -  Os decretos-leis.

O SER HUMANO É METADE DE SI MESMO, A OUTRA METADE É A SUA EXPRESSÃO

 

A linguagem é uma atividade de interação social, ou seja, é uma manifestação de competência comunicativa, definida como capacidade de manter a interação social mediante a produção e o entendimento de textos que funcionam comunicativamente. Essa linguagem possibilita ao ser humano representar a realidade física e social e, desde o momento em que é aprendida, conserva um vínculo muito estreito com o pensamento. Possibilita não só a representação e regulação do pensamento e da ação, próprios e alheios, mas também comunicar idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas e, desse modo, influenciar o outro e estabelecer relações interpessoais, anteriormente, inexistentes.

A língua, na concepção da sociolingüística, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, mutante, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. É uma atividade social, um trabalho, produzido por todos os seus falantes, cada vez que eles se interagem por meio da fala ou da escrita. Existem tantas variedades lingüísticas quantos grupos sociais que compõem uma comunidade de fala. Essa variação pode acontecer de formas diferentes, até mesmo dentro de um único grupo social.

Porém, ela não é aleatória, fortuita ou caótica, pelo contrário, apresenta-se organizada e condicionada por diferentes fatores. Essa heterogeneidade ordenada tem a ver com a característica própria da língua: o fato de ela ser altamente estruturada e, sobretudo, um sistema que possibilita a expressão de um mesmo conteúdo informacional por meio de regras diversas, todas, igualmente, lógicas e com coerência funcional. É um sistema que proporciona aos falantes todos os elementos necessários para a plena interação sociocultural.

Nenhuma língua permanece estática. Ela apresenta variedades geográficas, sociais e individuais, já que o falante procura utilizar o sistema idiomático da melhor forma que convém. Com essas diferenciações não há prejuízo na unidade da língua, o que existe é a comunicação.

Na comunicação existe algo comum para o emissor e o receptor que lhes facilita a compreensão. Esse elemento é a norma lingüística que ambos os interlocutores adquirem da comunidade. A norma é instável, pois está presa à estrutura político-social e pode mudar no curso do tempo se o indivíduo mudar de um grupo social. A fala é a imagem de uma norma e varia de usuário para usuário. Dessa forma, é uma ilusão acreditar que a língua possa um dia parar, pois ela é a imagem e a voz de um povo.

A história da língua portuguesa mostra muitas variedades lingüísticas dentro do grande território brasileiro. Do norte ao sul se fazem presentes o falar amazônico, o nordestino, o baiano, o mineiro, o fluminense, o sulista entre outros que se subdividem, formando uma vasta diversidade ou aquilo que se pode chamar de ‘uma ampla colcha de retalhos’.

No dizer do gramático Mario Perini (2001), há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e que recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (“o português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente.

Na realidade não existe sistema escrito capaz de reproduzir fielmente a riqueza da língua falada. O que acontece é que existem graus de diferença nesta distância entre as duas formas da língua. As diferenças entre essas formas se acentuam dentro de um continuum tipológico (BIBER, 1988) que vai do nível mais informal ao mais formal, passando por graus intermediários. A informalidade consiste em apenas uma das possibilidades de realização, não só da língua falada, como também da língua escrita.

A civilização tem dado uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais básica, uma expressão oral, porque ‘o ser humano apenas metade de si mesmo; a outra metade é a sua expressão’.

DICAS DE GRAMÁTICA

PROFESSORA, FUI ASSISTIR AO JOGO NO ARENA DA FLORESTA ou FUI ASSISTIR AO JOGO NA ARENA DA FLORESTA?

- Ora, preste atenção: sendo Arena da Floresta um Estádio de Futebol, estádio é palavra masculina. Então, diz-se assim: O Estádio Arena da Floresta. Logo a expressão correta é: Fui assistir ao jogo no Arena da Floresta. Pronto, não erre mais!

À MEDIDA QUE ou NA MEDIDA EM QUE, PROFESSORA?

- Preste atenção ao contexto,à situação de uso, assim:

1)Na medida em que vocês concordam, nós também concordamos (a locução exprime relação de causa).
2) À medida que vocês iam chegando, nós ficávamos mais felizes (a locução exprime desenvolvimento gradual).

ONDE ENCONTRAR INFORMAÇÕES E BUSCAR CONHECIMENTOS?

Na atual sociedade a busca pela informação, pelo conhecimento tem sido um processo contínuo, seja pela percepção de que sem eles as pessoas ficariam excluídas socialmente, seja pelo temor de permanecerem na ignorância. Assim, há uma busca incessante pelo saber, marcado, visivelmente, pelo uso intensivo das tecnologias de informação e de comunicação.

O conhecimento pode ser encontrado através da leitura e esta, por sua vez, possibilita formar uma sociedade consciente de seus direitos e de seus deveres. Enseja que as pessoas tenham uma visão melhor de mundo e de si mesmos. A leitura tira as pessoas do mundo da ignorância e coloca-as frente ao mundo do conhecimento.

Mas onde e como encontrar informação e/ou conhecimento? Qual (is) sujeito (s) poderia (m) mediar as fontes de informação? O conhecimento está disponível nas mais diversas fontes de informação, sejam formais – registrado - em livros, artigos, entre outros, sejam informais onde se destaca a conversa direta, face a face, e se tem o acúmulo do conhecimento tácito ou implícito, fruto das experiências vivenciadas ao longo do tempo, da troca de informação, de conhecimento externalizados, mas não registrados na forma escrita. Por isso a conversa com pessoas cultas são muito importantes.

Os profissionais da Área de Educação em geral e também aqueles da Ciência da Informação têm uma responsabilidade para a construção de um mundo mais justo e igualitário na medida em que promoverem ações que visem incentivar a leitura, no sentido de tirar as pessoas do mundo da ignorância, escuridão de vida, ausência de conhecimentos.

Na sociedade da informação pode-se observar uma mudança positiva no ritmo e na direção do acesso à informação, à educação nas Áreas de Ciência da Informação/Educação, apesar da evidente existência da exclusão social: uma parte dos indivíduos, ainda que não considerada a ideal, começa a ter acesso às Universidades públicas. Essarealidade também se torna visível nas faculdades privadas, através de bolsas concedidas pelo governo (totais ou parciais) para aquelas pessoas que não possuem renda suficiente para pagar as altas mensalidades. A informação vai sendo percebida assim, como afirma Carvalho (2006), [...] o elemento chave para a formação das futuras elites sociais, econômicas, políticas e científicas. O mundo moderno enfatiza o princípio da produção da informação e da ordenação do conhecimento.

Fatos significativos, na sociedade, podem ser observados já no século XVIII e apontam,claramente, um novo olhar sobre as práticas de leitura/Educação nos diversos espaços:

[...] o aparecimento e difusão da leitura silenciosa, redução do controle da Igreja, aparecimento do ensino laico, reconhecimento da importância da alfabetização, invenção da imprensa, tipo móvel, mercado editorial, aumento do interesse pela ficção, aparecimento da Literatura Infanto Juvenil, no século XVIII, bem como a expansão do ensino público, além do aparecimento do novo modelo econômico (MANGUEL (1987) APUD BARRETO, 2006).

Deste modo, pensar, conhecer, saber, intuir e ousar são as mais recentes palavras que devem dominar o vocabulário dos indivíduos que compõem a sociedade. Como obter um senso crítico senão mediante a leitura dos textos que atuam sobre os esquemas cognitivos do leitor. Quando alguém lê algo, aplica determinado esquema alterando-o ou confirmando-o, mas principalmente entendendo mensagens diferentes de seus esquemas cognitivos, ou seja, as capacidades já internalizadas e o conhecimento de mundo de cada um são diferentes.

O leitor usa, simultaneamente, seu conhecimento de mundo e seu conhecimento de texto para construir uma interpretação sobre o que se lê. Contudo, não basta ler, é importante analisar, interpretar, conhecer para agregar valor à atividade ou necessidade que se tem. Na seleção de determinado livro, revista ou jornal, existe uma intenção para justificar a escolha. É fundamental a interação dos elementos textuais com os conhecimentos do eleitor. Quanto maior for a concordância entre eles, maior a probabilidade de êxito na leitura.

De outra parte, considere-se que o exercício da cidadania é feito mediante direitos e deveres e, para tanto, é preciso haver uma maior e mais justa democratização do acesso à informação, ao conhecimento. As pessoas, enquanto cidadãs, desfrutam de uma série de direitos que, certamente, variam de uma sociedade para outra.

Há os direitos fundamentais das pessoas: o direito de ser tratado como um ser humano, com tudo o que isto implica; direitos civis: liberdade de expressão, de reunião e direito à proteção jurídica; direitos políticos: direitos a voto; tem-se, igualmente, direitos sociais, considerados como o direito à uma vida digna. As pessoas são, também, membros de uma comunidade e cidadãos de um Estado-Nação. Todos têm direito ao saber, à educação. E a leitura é fonte que alimenta a alma, o espírito, tira a pessoas do mundo da ignorância.

Para concluir, por ora, diz-se que falar em Educação é preciso falar em leitura como instrumento de ação reflexiva. Logo é preciso falar da importância da leitura na Educação. Importante porque a leitura como instrumento proporciona melhoria da condição social e humana.

DICAS DE GRAMÁTICA

LIMPO OU LIMPADO, PROFESSORA?

- Atenção, a regra é muito simples, clara. Usa-se limpo com os verbos ser e estar: estava limpo, será limpo. Usa-se limpado com os verbos ter e haver: havia limpado, terei limpado.

A PESSOA É AQUILO QUE FALA

 

A grande dificuldade das pessoas, hoje, reside no escrever de forma correta. No processo da comunicação oral há muita liberdade, mais do que no processo da escrita, que deve ser cuidadoso. Muita gente boa se perde na hora de escrever, porque a escrita é diferente da fala. Não se reproduz, na escrita, a fala tal qual acontece. O texto escrito é mais bem elaborado, melhor trabalhado, bem cuidado. É uma linguagem refletida, pensada, que deverá reproduzir os cânones gramaticais.

Diz o gramático Evanildo Bechara (1991, p. 15) “todas as variedades lingüísticas são eficazes na comunicação verbal e possuem valor nas comunidades em que são faladas”. Por isso, talvez, os sociolinguistas digam não existir um jeito certo ou errado de falar, nem um dialeto superior a outro. Todavia, quando se fala da língua padrão, fala-se da norma culta, eleita entre as várias formas como aquela de bem falar a língua pátria. É esse padrão culto da língua portuguesa que é ensinado nas escolas, cobrado nos concursos públicos, no ENEM, no Vestibular etc. É essa forma linguística que permite à ascensão social das pessoas. Quem fala bem, por certo escreve bem e, com isso, consegue melhor posição na vida do trabalho e na vida social.

E como a língua é considerada reflexo da cultura e determinante de formas de pensamento, o código lingüístico não apenas reflete a estrutura de relações sociais, mas também a regula. O ser humano aprende a ver o mundo pelos discursos que assimila e, na maior parte das vezes, reproduz esses discursos em sua fala. Se a consciência é constituída a partir dos discursos assimilados por cada membro de um grupo social e se a pessoa humana é limitada por relações sociais, não há uma individualidade de espírito nem uma individualidade discursiva absoluta.

A organização que os interlocutores associam a um determinado discurso é um reflexo da forma pela qual o conteúdo é visto como coeso pelo ouvinte, ficando, assim, armazenado em sua mente. Outros fatores que contribuem para a representação mental que os ouvintes têm do discurso são os conhecimentos prévios de como as coisas acontecem no mundo real, juntamente, com as suas expectativas sobre o que o falante pretende dizer. As representações mentais não ficam limitadas apenas à compreensão do discurso, mas são instrumentos mais gerais e fundamentais à cognição humana.

Discurso, aqui, é o modo de “criar representações comparáveis àquelas que derivamos da nossa percepção direta do mundo”(JOHNSON- LAIRD, 1983, p. 397). O enunciador é o suporte dessas relações, vale dizer, de discursos que constituem a matéria prima com que se elabora a fala. O dizer de cada pessoa é a reprodução inconsciente do dizer de seu grupo social. Não é livre para dizer, mas coagido, dessa forma, a dizer o que seu grupo diz. “O discurso é, pois, o lugar das coerções sociais” (FIORIN, 1988, p. 42). O indivíduo não pensa e não fala o que quer, mas o que a realidade impõe que ele fale. Assim a posição do falante no mercado lingüístico só modifica quando o seu discurso lhe conferir autoridade, poder e dominação.

A pessoa não é livre para dizer o que quer, mas é levada, sem que tenha consciência disso, a ocupar seu lugar em determinada formação social e enunciar o que lhe é possível a partir do lugar que ocupa. A sua fala revela mais do que o pensamento, traduz, também, o seu nível cultural, a sua posição social, a sua capacidade de adaptação a certas situações, sua timidez, enfim, a sua forma de ser e ver o mundo. Dessa forma, falar mesmo, dizer o mundo, de nossas vidas, dos desejos e prazeres, dizer coisas para transformar, dizer do nosso sofrimento e lutas para fazer, mudar e vencer, é tarefa, ou melhor, é pré-requisito para uma sociedade mais justa e igualitária.

DICAS DE GRAMÁTICA

SENÃO ou SE NÃO?

SENÃO - empregamos em quatro situações:

= do contrário
Ex.: Resolva agora, senão estamos perdidos.
= porém, mas sim
Ex.: Não era caso de expulsão, senão de repreensão.
= somente, apenas
Ex.: Não se viam senão os pássaros.
= defeito, falha
Ex.: Não houve um senão em sua apresentação.
SE NÃO - se + não (dá idéia de condição, hipótese)
Ex.: Se não chover, haverá jogo. (= caso não chova)

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.