segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

RELAÇÕES NO MUNDO DO TRABALHO

 

      Relações Humanas é tema atual e de objetiva importância no mundo do trabalho. Em todos os lugares, onde existe um agrupamento de pessoas, o assunto é falado, quer seja nas empresas, clubes, escolas, instituições de ensino superior, igrejas e na sociedade em geral. É temática sempre  recorrente ao sucesso no mundo do trabalho.
    Assim, onde há duas pessoas existe um relacionamento. Onde há mais pessoas a necessidade harmoniosa entre elas se faz mais necessária. Isso porque é visível, em grandes grupos, a rivalidade, a hostilidade, a disputa desigual, a ausência de compreensão e tolerância. Tanta gente carrega extremada vaidade, egoísmo, arrogância. E ao julgar-se um deus na terra, pode, logicamente, menosprezar pessoas. Ainda há os que levam a vida a culpar os outros de seus insucessos. Há aqueles sem tempo para o tempo e sem alegria para olhar no rosto do outro. Esses são alguns pontos a serem minimizados nas relações de trabalho.
    Em tal cenário, não vale ter a melhor tecnologia, a melhor localização, recursos financeiros abundantes, massa trabalhadora bem titulada se não há pessoas motivadas. Os recursos financeiros e tecnológicos serão inoperantes se os HUMANOS que trabalham simplesmente forem considerados como “recursos humanos”. Eles precisam ser tratados como GENTE, como pessoas inteligentes, que têm muito a contribuir.
    Dessa forma, os HUMANOS, em qualquer local de trabalho, devem ser tratados como ativos intangíveis, como valores infinitos e inesgotáveis, e não como ativos tangíveis, com valor absoluto e finito. Pois não se pode perder de vista que as relações humanas, em todos os níveis, são complexas e difíceis. Todavia, se bem trabalhadas e motivadas, os resultados logo se farão sentir. Quem trabalha com prazer, confiança, motivação, elogio, o resultado  irá impactar, positivamente, na vida da instituição/empresa e, conseqüentemente, na vida de cada membro daquele grupo social.
    Assim, aquele que trabalha com satisfação, competência, deve ser valorizado, elogiado, sob pena daquele que não faz nada ficar no nível de quem faz muito. É preciso estabelecer diferenças entre aquele que trabalha e o que nada faz, evitando-se que todos caiam no mesmo saco. Pois um funcionário, um servidor insatisfeito é um inimigo em potencial. Então é melhor fazer amigos, não ‘passando a mão na cabeça’, mas valorizando o potencial de cada pessoa, estimulando-a a ser cada dia melhor.
    Por isso tudo é melhor fazer do servidor um amigo  e não um inimigo. Fazer do colega um amigo. Logicamente que essa amizade deve ser desinteressada, mas quando se é amigo de verdade o benefício da amizade é a conseqüência dela. Nesse sentido, um  administrador, um chefe, um patrão, um funcionário deve observar algumas regras básicas para obter sucesso no mundo do trabalho.
    Regra número 1: colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se alguém estendeu a mão para cumprimentá-lo em 2011 e você ignorou a mão estendida, esse alguém se lembrará disso ainda em 2031.
    Regra número 2: A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros. Logo todo o cuidado é pouco. Faça amigos no trabalho, respeite e valorize o bom trabalhador.
    Regra número 3: Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo, mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se a pessoa está precisando de alguma coisa.
    Portanto, profissionalmente falando, e pensando a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória. Então, é melhor não fazê-los, trabalhar em prol da grandeza de todos, elogiando os grandes e oportunizando o crescimento dos ‘pequenos’. Dizer “bom dia”, ‘obrigado”, ‘com licença”,”como vai”, “tudo bem”, “isso é ótimo”, demonstra EDUCAÇÃO e SABEDORIA.
    Jürgen Habermas (1997) aponta a linguagem, e não o trabalho, como central nas relações humanas. A fala é processo primordial que permite aos seres humanos se relacionarem dando sentido a própria vida. As pessoas, através do trabalho, constroem laços que estão presentes na reprodução da sua própria existência, no ato laborativo de suas vidas. O trabalho é uma forma de existência exclusivamente humana.

DICAS DE GRAMÁTICA


QUANDO ALGUM É NENHUM?
- A posição de uma palavra na frase pode mudar totalmente seu sentido. Vejamos:
a) Quando algum vem antes do substantivo — eu tenho algum dinheiro — é porque eu tenho um pouco de dinheiro.
b) Quando algum vem depois do substantivo -  não tenho dinheiro algum  -- significa o contrário, que  estou sem nenhum dinheiro.

HUMANIZAÇÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO

 

         O convívio harmônico, ético, respeitável, responsável, entre as pessoas, sempre foi um desafio para a humanidade. Mas, durante algum tempo, essa interação passou sem ser muito notada, em função de algumas condutas relacionadas à individualidade, à centralização do poder e à valorização dos produtos em vez das pessoas. Hoje, compreende-se que a natureza verdadeiramente humana das organizações, empresas, setores públicos ou privados, é construir essas relações em função das pessoas e não das técnicas. Discutir a humanização no ambiente de trabalho é impostergável, porque a efetiva vivência num ambiente organizacional trará grandes benefícios para os indivíduos, as empresas e a sociedade em geral.
     O mundo do trabalho não tolera mais pessoas arrogantes, centralizadoras, vaidosas, que não sabem criar um clima harmônico e próspero na intrincada teia de relacionamentos que integra a vida do ser humano, tornando inevitável à necessidade da discussão sobre ética. Isso porque a dimensão ética começa quando entra em cena o outro. E toda lei, moral ou jurídica, regula as relações interpessoais. Fere as letras da lei pessoa que impõe aos outros, a seu bel-prazer, condutas para perseguir, diminuir o próximo, humilhá-lo, amedrontá-lo no seu ambiente de trabalho.
     Em dia recente, assisti cena deprimente, num setor público: um servidor viajou e levou, consigo, na mala, as chaves da sala que ocupa, para que seu substituto tenha dificuldades, não saiba como tocar a vida administrativa da instituição. Uma vergonha! Algo absurdo, criminoso, porque serviço público, como o nome diz, é PÚBLICO! O servidor está ali para prestar um bom serviço, não para fazer favor, tão pouco para beneficiar-se do cargo. Levar chaves no bolso, de repartição pública, ainda mais quando se viaja ao exterior, é  conduta condenável, que deve ser punida nos rigores da Lei. Isso é apenas um caso, há tantos outros que precisam ser corrigidos.
     Mas o fato é que esses “fenômenos” ficam gritantes, quando estão diante de nossos olhos. De outra parte, as pessoas, neste século XXI, estão mais bem instruídas e passam a ser cidadãos exigentes e críticos. Passa-se a valorizar a qualidade de produtos e serviços e, por isso, mais ainda, as pessoas que os produzem. Só se tem serviços bons se se tem pessoas competentes, capazes, sérias, motivadas para o trabalho. As instituições já perceberam que o sucesso de sua filosofia de trabalho está condicionado ao fator humano. Por isso não é mais possível conviver com gestores que não sabem disso e  que não respeitam os servidores. Não é mais possível negar a necessidade de investir no ser humano, respeitá-lo, valorizá-lo, motivá-lo, propiciar ambiente digno de trabalho, onde o servidor possa apresentar os resultados esperados pelo público. Exigir sem oferecer condições é atingir a moralidade, a ética, a boa conduta pública.
     E, aqui, quando se fala em humanizar o ambiente de trabalho significa  respeitar o trabalhador enquanto pessoa. Significa valorizá-lo em razão da dignidade que lhe é intrínseca. Por isso, numa sociedade onde os valores ético-morais são vilipendiados se faz urgente a necessidade de se humanizarem as organizações, de se por ordem nas relações interpessoais. Nenhuma organização deve perder de vista a razão maior de sua existência: a promoção humana, em todos os aspectos. Tudo que existe é para melhorar a vida das pessoas. Não há outro bem maior!
     Sabe-se que o ser humano é o centro da vida econômica. Negligenciá-lo será ofender a dignidade humana e colocar a empresa ao malogro. A análise da humanização, da ética e do relacionamento interpessoal permite perceber, facilmente, os pontos de contato entre esses temas e a necessidade imperiosa de ser respeitada, ininterruptamente, a dignidade de todas as pessoas, incluindo-se os trabalhadores, dos quais sempre é exigido alto grau de produtividade sem que, maior parte das vezes, se dispense a eles um tratamento adequado. É preciso lembrar que uma das maiores exigências sociais, na atualidade, no campo dos negócios públicos e privados, é a vivência irrestrita de valores não hedonistas, voltados para o bem estar da coletividade, que tem o ser humano como a maior e incalculável riqueza de uma sociedade.
     De modo que a prática da humanização deve ser observada sempre, em todos os ambientes. O comportamento ético deve ser o princípio de vida de toda e qualquer organização, uma vez que ser ético é preocupar-se com a felicidade pessoal e coletiva. Pois os valores éticos e morais  ajudam a guiar vidas e atuam no sentido de zelar pelas relações interpessoais. Relações interpessoais são todos os contatos entre pessoas. Nesse âmbito, encontra-se um infindável número de variáveis: sujeitos, circunstâncias, espaços, local, cultura, desenvolvimento tecnológico, educação e época. As relações interpessoais ocorrem em todos os meios, no meio familiar, educacional, social, institucional, profissional, e estão ligadas aos resultados finais de harmonia, avanço, progressos ou nas estagnações, agressão ou alienamento.
     Por fim, diz-se que a convivência diária entre pessoas, no local de trabalho, nem sempre é um jardim de flores. Muitos espinhos aparecem diariamente, alguns, fruto do egocentrismo do ser humano, cujo orgulho só permite olhar os outros de cima para baixo. Então, é prudente às instituições trabalharem as emoções das pessoas, a fim de que possam ofertar o melhor de si e, em contrapartida, propiciar o melhor desempenho e maior qualidade de atendimento ao público. Assim, a valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e emoções, e com a qualidade de vida são fatores que fazem a diferença.
    
DICAS DE GRAMÁTICA
DIGO LIMPO OU LIMPADO, PROFESSORA?
- Observe, sempre, o verbo auxiliar. Pois a regra é clara. Usa-se limpo com os verbos ser e estar: estava limpo, será limpo. Usa-se limpado com os verbos ter e haver: havia limpado o carro, terei limpado o vidro?


SE ACASO VOCÊ CHEGASSE...
- É certo escrever e falar ‘se acaso você chegasse’, que corresponde a ‘se por acaso você chegasse’. Já se caso é uma expressão inadmissível, uma vez que caso e se têm a mesma função. Ambas são conjunções condicionais. Portanto, ou digo e escrevo: se você vier ou caso você venha.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Palavras dirigem e comandam a vida

Sempre é bom refletir sobre o poder, a força e a magia das palavras. Sabemos que elas embalam, direcionam a vida com o poder de cuidar, zelar, acariciar, ferir, magoar, deturpar, criar falsos caminhos, abrir novas e boas trilhas, conquistar um amor, destruir um romance, um negócio, um casamento, um lar...

O fato é que as palavras são forças e quando emitidas têm trajetória certa. Por isso o seu uso requer atenção, prudência, sabedoria, cuidado. Pois as palavras podem impressionar mais que fatos. A palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos. Com a palavra, seduzimos, num texto; com a palavra, liquidamos – negócios, amores. Com as palavras nomeamos as coisas do mundo, com as palavras damos nomes às pessoas. Com a palavra as pessoas nos chamam.

Então, é importante não perder de vista que além do conteúdo das palavras, existe a forma de como elas são ditas. Muitas vezes queremos falar uma coisa, mas a forma ou a nossa expressão acaba nos traindo. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transporta vidas ou armas. “Vá”, “Venha”, “Fique”, “Eu vou”, “Eu não sei”, “Eu quero, mas não posso”, “Eu não sou capaz”, “Sim, eu mereço” - dessa forma, marcamos as nossas escolhas. Viemos ao mundo para dar nomes às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós.

Vêm-se que as palavras não são, apenas, conjunto de sons emitidos pelas cordas vocais. Elas são vibração espiritual, uma espécie de onda do pensamento. As palavras que entram pelos nossos ouvidos e tornam-se sugestões HIPNÓTICAS; depois, governam nossos atos sem participação do nosso consciente. As palavras são sementes, por isso mentalizar boas palavras e dirigi-las ao outro é uma forma de melhorar nosso destino assim como o destino do outro. Quem escuta coisas boas tende a colocá-las em prática.

Estudos apontam que as palavras produzem reações em cadeia. Quando alguém elabora um plano este deve ser grandioso e as palavras mantidas em segredo pelo motivo de a palavra possuir força interna capaz de concretizar seu conteúdo com a máxima potência enquanto as palavras estiverem acumuladas no pensamento. Ao contrário, se a pessoa exterioriza os pensamentos de planos, projetos, através da fala, a "PRESSÃO INTERNA" diminui na exata proporção os pensamentos são falados. Assim, a força das palavras reside, também, na força dos pensamentos.

De tudo que aqui se diz, faz-se uma sugestão de exercício mental: pare o leitor e reflita sobre a qualidade das palavras que disse durante o dia de hoje. Foram palavras de amor, de irritação, palavras ditas só por falar, palavras que apoiaram, ridicularizaram... Faça uma breve análise do que passou por seus lábios. O que prevaleceu? O luxo do amor ao próximo e a si mesmo ou o lixo das palavras sem sentido, da irritação com as coisas miúdas?

As pessoas falam, a maioria das vezes, sem pensar. São movidas pelos acontecimentos. Assim, deixamos que as palavras saiam de nossas bocas sem medir os resultados, sem considerar os efeitos. Mas não fazemos isso por ignorância, fazemos por descuido.

Porque todos nós sabemos, muito bem, o poder das palavras. Pare e pense nas pessoas que já a magoaram através de palavras no último ano. Nos últimos dez anos. Desde sua adolescência. Desde sua infância. Muitos de nós mantém vivas, ainda, dores vindas de palavras ditas há um longo tempo atrás. Embora sem substância material, as palavras têm uma força infinita. Elas não são esquecidas com facilidade…

É bom, também, pensar nas boas palavras que nos foram ditas. Nos momentos em que nossa auto-estima dependeu de uma palavra generosa. Daqueles que fizeram com que nos sentíssemos importantes, amados, queridos através das palavras. As palavras podem ser bênçãos e bálsamos, curar dores causadas por outras palavras.

A prática sugerida a seguir trabalha com a “limpeza” desses episódios que nos deixaram marcas e sofrimentos, usando a palavra escrita como instrumento de liberação. Pois as palavras têm esse belíssimo dom da multiplicidade: elas podem ser tanto a faca que fere como a mão que auxilia como, ainda, o remédio que cicatriza. Nesta prática, usaremos as palavras como forma de cicatrizar o passado. Então, é bom refletir sobre o que se ouviu de bom, se disse de bom e, ainda, sobre o que não foi positivo. É bom refletir sobre os dois aspectos: o bom e o ruim. Somente assim vamos corrigir nossas ações guiadas pelas palavras.

Portanto, devemos medir e comedir às nossas palavras, pois tão rápidas quanto poderosas são. São armas invisíveis, com o poder de livrar da morte, porém, qual punhal, podem dilacerar o coração. Por isso é bom usar as boas e generosas palavras. Elas dignificam quem as emite e quem as recebe. Elas são uma benção eterna em nossas vidas. Pois no início era o “verbo” e ele se fez palavra e a palavra é deus com sua infinita sabedoria e poder.

DICAS DE GRAMÁTICA

DÚVIDAS FREQUENTES: "ver" ou "vir"?

- VER - converte-se em "vir" no futuro do subjuntivo: Se você vir... Quando você vir.... - o mesmo vale para seus derivados: rever, prever, antever, entrever... - nos demais tempos, o procedimento é o mesmo: se eles revissem, previssem; eles previram; ele reviu... VIR - no futuro do subjuntivo, transforma-se em "vier": quando ele vier... - a mesma forma vale para os seus derivados: convier, intervier...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Falar bem o idioma pátrio é um dever cívico

 

       O idioma é um símbolo de identidade de uma nação. Seu uso determina a origem de pessoas que nasceram num país e o escolheram para ali viver. Há países que usam mais de um idioma em seu território, determinando-os como língua oficial, o que pode dificultar a comunicação entre seus habitantes. O Brasil tem como língua oficial o idioma português falado em todo o seu imenso território.
     Todo o cidadão tem o direito e o dever de falar corretamente a sua língua materna. No caso da língua portuguesa -- com muitas regras e exceções que dificultam o seu uso adequadamente -- é indispensável que cada cidadão faça esforço para bem se comunicar, garantindo, assim, a unidade nacional do idioma pátrio. O Governo Brasileiro deve ter uma preocupação com o ensino vernacular, oferecendo-o como ferramenta de ascensão social e sucesso profissional. O bom uso do idioma é imprescindível desde as conversas informais na família e na sociedade, objeto de estudo apurado nas escolas, onde os alunos devem aprender, oficialmente, o idioma como disciplina obrigatória.
     Todavia, observa-se, nos últimos tempos, um falar descuidado entre camadas sociais e os veículos de comunicação. Fica a parecer que ninguém respeita o idioma pátrio. Há muita gente boa dizendo: “boa noite a todos e a todas - ao invés: Boa noite Senhoras e Senhores"; "Assisti o jogo na Arena da Floresta - ao invés: Assisti ao jogo no Arena da Floresta". De modo que o falar negligente tornou-se comum entre as pessoas de qualquer camada social, fato que prejudica o aprendizado de crianças e de jovens que não se preocupam com este valor nacional. O mais preocupante é observar que professores também não primam pelo bom uso da língua portuguesa. Esquecem-se que ensinar uma disciplina passa, necessariamente, pelo uso da língua pátria, pois não se aprende que não seja por meio das palavras. É a linguagem que traduz todas as ciências, todos os saberes.
     Este tema tem primordial importância, por isso deveria ser discutido com maior frequência nas instituições educacionais. Estas deveriam priorizar o ensino do português como dever cívico, como mola propulsora para a compreensão das ciências, da vida, da natureza, dos seres humanos.
     Aliás, se há preocupação do governo em oferecer educação de qualidade, este será um princípio básico para educar o cidadão brasileiro. Para isto, é imprescindível que todos os envolvidos com educação estejam apaixonados pelo seu trabalho, pois da paixão nasce o desejo de realização, buscando caminhos, estratégias, recursos para alcançar os resultados esperados. Somente assim as ações educadoras se difundirão para além dos muros da escola, levando os pais a se tornarem parceiros dos professores e se interessar pela educação dos filhos, mostrando o valor dos conhecimentos da língua portuguesa para a vida futura.
     Comunicar-se é próprio do ser humano, mas falar bem a língua pátria é valorizar a terra, o civismo, a profissão, o país. É, por fim, defender a boa empregabilidade, o sucesso profissional. Escuta-se, com pesar, uma tendência ao falar descuidado, com “erros” de concordância, regência, sintaxe. Ouve-se muito: a terceira pessoa do verbo com a segunda, como ”tu gosta”, “tu faz” e assim por diante. Há também outros vocábulos pronunciados de qualquer forma, como se o falar descuidado fizesse parte do linguajar do povo e as pessoas acreditassem que é assim que o povo entende. Observam-se, lamentavelmente, políticos que usam esse pretexto para praticar demagogia nos discursos empolgados, tentando atrair adeptos, crentes de que eles falam a língua do povo. Um Presidente da República que não preza a Língua Nacional está negando sua importância como idioma pátrio, desvalorizando um dos princípios básicos da cidadania. Já dizia o grande jurista e político Rui Barbosa que “falar bem a sua língua é um dever e um direito do cidadão”.
     A responsabilidade paira entre os mais cultos e, principalmente, entre as aqueles que atuam como liderança no cenário nacional, dando exemplo cidadania, fazendo com que o povo aprenda, corretamente, a falar seu idioma nativo, evitando vocábulos chulos e palavras de baixo calão, assim também os vícios de linguagem como o tal “tipo assim”.
     Se há um órgão que pode mudar este estado de coisas, esta displicência do falar, com certeza, é o Estado, que também precisa se apaixonar pelos resultados que serão obtidos, oferecendo condições dignas ao trabalhador da educação, oportunizando uma formação adequada e salário justo, compatível com a responsabilidade que lhe é determinada.
     Deve-se primar pelo bom uso da língua mãe, de um vocabulário rico, cantado pelo grande poeta brasileiro, Olavo Bilac, em “A última flor do Lácio”, tendo o cuidado de falar corretamente, fazendo dessa prática um gesto que dignifique a pátria onde nascemos.

DICAS DE GRAMÁTICA
PROFESSORA, EXISTE DIFICULDADES  NA CONJUGAÇÃO DOS VERBOS VER E  VIR?
- Sim, muitas dificuldades: Ontem eles vieram e eles viram = pretérito perfeito do indicativo; Se ele vier, se ele vir ("vir", do verbo ver) = futuro do subjuntivo; se ele viesse, se ele visse = pretérito imperfeito do subjuntivo.
A segunda dificuldade, em relação a ver e vir, também é referente à conjugação, mas agora o problema são palavras semelhantes: vir, vimos...
"Vir" tanto pode ser o infinitivo do verbo vir quanto o futuro do subjuntivo do verbo ver: "Se você o vir (verbo ver), diga-lhe para vir (verbo vir) até aqui. O mesmo se sucede com todas as pessoas: "Se vocês os virem, digam-lhes para virem até aqui".

"Vimos" tanto pode ser a primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo vir quanto a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo ver: "Nós vimos aqui vê-la porque ontem nós vimos o que aconteceu contigo”.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.