terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

HÁ PESSOAS MAIS INTELIGENTES QUE OUTRAS?

 

                  Luísa Galvão Lessa                                                 colunaletras@yahoo.com.br

Há no meio educacional, científico e social a crença de haver pessoas mais inteligentes que outras. Isso se deve ao fato de, por longo tempo, especialmente entre os séculos XIX e XX, existir a convicção de a inteligência ser algo possível de ser medida, determinada e comparada através de testes, como o famoso teste de QI, que dava a inteligência da pessoa em números. No entanto, com o tempo, o teste de QI foi caindo em descrédito. Pouco a pouco, foi se notando que nem sempre as pessoas mais inteligentes e bem sucedidas alcançavam os melhores resultados.

Os psicólogos e pesquisadores começaram a identificar casos de pessoas que obtinham resultados medíocres nos testes de QI, mas que se davam bem na vida, pois eram pessoas determinadas, disciplinadas, persistentes e carismáticas. Mas como pessoas consideradas “burras” pelo teste de QI poderiam ter tanto sucesso? A resposta encontrada é simples: existem vários tipos de inteligência.

Segundo Howard Gardner, psicólogo cognitivo e educacional norte-americano, ligado à Universidade de Harvard, conhecido pela sua teoria das inteligências múltiplas, a inteligência é composta de pelo menos oito competências: lógico-matemática, lingüística, interpessoal, intrapessoal, corporal-cinestésica, musical, espacial e naturalista, as quais podem ser assim definidas:

1. Inteligência Linguística -- As pessoas que possuem este tipo de inteligência tem grande facilidade de se expressar tanto oralmente quanto na forma escrita. Elas, além de terem uma grande expressividade, também têm um alto grau de atenção e uma alta sensibilidade para entender pontos de vista alheios. É uma inteligência fortemente relacionada ao lado esquerdo do cérebro é uma das inteligências mais comuns.

2. Inteligência Lógica -- Pessoas com esse perfil de inteligência tem uma alta capacidade de memória e um grande talento para lidar com matemática e lógica em geral. Elas têm facilidade para encontrar solução de problemas complexos, tendo a capacidade de dividir estes problemas em problemas menores e ir os resolvendo até chegar à resposta final. São pessoas organizadas e disciplinadas. É uma inteligência fortemente relacionada ao lado direito do cérebro.

3. Inteligência Espacial – Está mais presente em navegantes e engenheiros. Pessoas com este perfil de inteligência têm como principais características a criatividade e a sensibilidade, sendo capazes de imaginar, criar e enxergar coisas que quem não tem esse tipo de inteligência desenvolvido, em geral, não consegue.

4. Inteligência Musical – Diz respeito à relação da pessoa com a natureza. É um tipo raro de inteligência. Pessoas com esse perfil têm grande facilidade para escutar músicas ou sons em geral e identificar diferentes padrões e notas musicais. Algumas pessoas têm esta inteligência tão evoluída que são capazes de aprender a tocar instrumentos musicais sozinhas.

5. Inteligência Corporal-Cinestésica – É mais desenvolvida em atletas ou dançarinos. É uma inteligência relacionada ao cerebelo, que é a porção do cérebro que controla os movimentos voluntários do corpo. É um dos tipos de inteligência diretamente relacionado à coordenação e capacidade motora.

6. Inteligência Interpessoal – É representada pela capacidade de compreensão dos sentimentos do outro. Pessoas com este perfil de inteligência são extremamente ativas e causam grande admiração nas outras pessoas. Possuem enorme capacidade para convencer as pessoas a fazer tudo que elas acham conveniente.

7. Inteligência Intrapessoal – Manifesta autoconhecimento, é um tipo raro de inteligência, e quem a desenvolve tem enorme facilidade em entender o que as pessoas pensam, sentem e desejam. Ao contrário dos lideres interpessoais que são ativos, os lideres intrapessoais são mais reservados, exercendo a liderança de um modo mais indireto, através do carisma e influenciando as pessoas através de idéias e não de ações. Entre os tipos de inteligência, este é considerado o mais raro.

8. Inteligência naturalista, ecológica ou biológica - A inteligência naturalista é a capacidade para reconhecer e classificar as espécies e organismos, animais e plantas, do ambiente, como também para cuidar deles, domesticá-los e interagir com eles.

Explica-se, deste modo, o fato de alguns indivíduos com “atraso” em alguns campos poderem atingir bons níveis de atuação em outros. Por exemplo, um bailarino que é excelente em dança pode ser regular nos estudos.

Gardner é considerado um dos “demolidores” do conceito de quociente de inteligência (QI). Suas teorias, entretanto, têm pequena aceitação entre neurobiólogos. Resenha publicada, recentemente, na revista Educational Psychologist, menciona a insuficiência de comprovação empírica. A possibilidade de medir a inteligência pela aplicação de testes simples parece ser um critério para validação das hipóteses.

Finalizando, o breve estudo, diz-se que a relação cérebro-mente pode ser descrita como um conjunto de oito sistemas distintos de elaborações fundamentais. Um deles pode atuar muito bem enquanto outro apresenta rendimento mediano e um terceiro funciona mal. É possível, então, explicar, dessa forma, porque tantas pessoas possuem talento em determinada área e não em outra. Mas é preciso aprofundar os estudos nesse campo ao ponto de o ser humano compreender como desenvolver diversas habilidades, ou seja, como trabalhar o cérebro para obter, dele, mais desempenho e, assim, ter mais sucesso na vida. É um desafio para a ciência.

DICAS DE GRAMÁTICA

COMO ESCREVER A ABREVIATURA DE HORAS E MINUTOS, PROFESSORA?

- Na Língua Portuguesa, a representação de horas não é efetivada com a utilização de dois-pontos nem com vírgula (17,30), e sim com a abreviação da palavra hora, que é h, sem ponto final (nunca hs nem hrs).
A representação de minutos é realizada com a abreviação da palavra minuto, que é min, sem ponto final. Portanto abreviam-se as horas desta maneira: 12h, 12h30min, 14h22min.
A abreviação min é dispensável, pois claro está que aquilo que vem após as horas são os minutos. Poderemos, então, abreviar também assim: 12h30, 14h22.
A frase apresentada deve, então, ser reescrita das seguintes formas:
Às 17h30min, iniciar-se-á a palestra do Presidente da Academia Brasileira de Filologia.
Às 17h30, iniciar-se-á a palestra do Presidente da Academia Brasileira de Filologia.

ESSA TÃO SONHADA FELICIDADE

 

                               Luísa Galvão Lessa         colunaletras@yahoo.com.br


     Um dos temas mais importantes de toda a história da humanidade é a Felicidade. Ninguém ousou dizer ser o dono da verdade sobre uma definição precisa, pois mesmo os grandes gênios da Filosofia sabiam da dificuldade em definir essa tão procurada felicidade. Por isso é bom caminhar na trilha de alguns sábios para que se possa revelar seus pensamentos e certezas acerca de tal compreensão e definição.
    Desde os primórdios da Filosofia, a natureza foi o referencial para as explicações da humanidade. E, de certa forma, a única verdade para aqueles que viveram esse tempo é a esperança de encontrar nos preceitos filosóficos um caminho para se buscar a felicidade. E, embora esses sábios não dominassem os mistérios da natureza buscavam, nos fenômenos naturais, uma resposta para suas inquietações interiores.
    A Filosofia, enquanto ciência, é a técnica da vida. E técnica é fazer algo que a pessoa já fazia com menos esforço e mais qualidade. A Filosofia existe para que as pessoas possam viver melhor, sofrer menos e lidar mais serenamente com as adversidades. A missão essencial da Filosofia é tornar viável a busca da felicidade.
Dessa forma, todos os grandes pensadores sublinharam esse ponto. A Filosofia que não é útil na vida prática pode ser jogada no lixo. Alguém definiu os filósofos como os amigos eternos da humanidade. Nas noites frias e escuras que enfrentamos, no correr dos longos dias, eles podem iluminar e aquecer. A Filosofia apóia e consola. "O ofício da filosofia é serenar as tempestades da alma", escreveu o sábio francês Montaigne (1533-1592). Numa outra definição magistral, Montaigne definiu a Filosofia como a "ciência de viver bem".
     Segundo leituras empreendidas, para Sócrates o "conhece-te a ti mesmo" é a chave para a conquista da felicidade. Para Platão a noção de felicidade é relativa à situação do ser humano no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Para Aristóteles a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, devem tender todos os seres humanos das cidades, vilas, povoados.
  Avista-se, então, independente do pensamento socrático, platônico ou aristotélico, a felicidade, embora possível e fonte de busca incansável, não pode ser encarada como realização final da existência, ou seja, a última azeitona da empada, pois, se for assim, não encontrá-la significa ficar com fome. E fome é algo muito ruim.
    Para Aristóteles, a felicidade é relatada como sendo um bem supremo tanto para os vulgos quanto para os homens de cultura superior, considerando-a como o bem viver e o bem agir. Outros identificam a felicidade com o bem e com o prazer e, por isso, amam a vida agradável.
    Para a modernidade, felicidade seria um estado afetivo ou emocional de sentir-se bem ou sentir prazer. Para Aristóteles, ter felicidade ou ser feliz é usar a razão como propriedade e fazer de tal modo que isso se torne uma virtude. Segundo o filósofo, a felicidade é o bem mais nobre e mais desejável entre os homens, chegando a identificá-la como "uma atividade da alma em consonância com a virtude."
    De outro lado, para alguns, a felicidade é pautada na existência de outra pessoa em sua vida. Aí, então, a felicidade fica muito complexa e difícil para alcançar. Colocar os sonhos/realizações/desejos nos ombros de outro ser, não só castiga quem recebe essa incumbência, como escraviza quem faz isso. A busca pela felicidade, embora possa ser feita em conjunto, trás uma realização pessoal. Se é para ser feliz, é preciso ser por conta própria. Do contrário, não se é feliz nunca.
Então, compreender realmente o que seja felicidade para um indivíduo é, de certa forma, ver nas atitudes humanas, ora na sua cultura, ora em seus pensamentos, a sua necessidade, ou seja, aquilo que realmente se precisa para ser feliz. Muitas são as respostas de como se chegar à felicidade. Albert Einstein, por exemplo, disse certa vez: "se quer viver uma vida feliz, amarre-se a uma meta, não às pessoas nem as coisas", pois sabia que as paixões destroem a liberdade do ser e o apego as coisas desvirtualiza uma pessoa.    
    Também, já foi dito que a felicidade é algo bastante relativo, pois depende, incondicionalmente, da visão de necessidade de cada indivíduo, ou seja, a felicidade, para um capitalista, é acumular riquezas; já para um socialista-comunista, reparti-la; para um estudante, a felicidade seria construir conhecimento; para um analfabeto, saber ler e escrever; para um colecionador, completar a sua coleção; já para um amador iniciante, ter a primeira peça e assim por diante. Nessa linha de raciocínio, infere-se que o ser humano entendia e entende a Felicidade como a satisfação do "Eu-querer".
    À luz dos dicionários a Felicidade “é qualidade ou estado de feliz; ventura, contentamento. Feliz é o ser ditoso, afortunado, venturoso. Contente, alegre, satisfeito. “Que denota ou em que há alegria, satisfação, contentamento”.
    Existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela Filosofia, pelas religiões ou pela Psicologia. E a resposta mais concreta a essa pergunta “ O quê é a felicidade?”, pode ser assim dada: A felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes. Abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.
    Contudo, toda essa definição do que seja felicidade não está completa.  Isso porque a felicidade plena e absoluta não existe. Também não existe receita, manual que possa dar garantia plena de se viver 100% feliz.  A busca é por mais momentos e sensação de felicidade. Descobrindo suas necessidades, suas metas, como e quando alcançá-las, saber reconhecer limite, respeitando e se fazendo respeitar, sabendo diferenciar você do outro, é um começo. E nessa busca, cabe a cada pessoa criar a sua receita e escrever o seu manual do que é a SUA sensação de felicidade.

DICAS DE GRAMÁTICA


O JOGO ACONTECERÁ NO ARENA DA FLORESTA ou O JOGO ACONTECERÁ NA ARENA DA FLORESTA, PROFESSORA?


- Arena da Floresta é o nome de um estádio de futebol. Estádio, sendo palavra masculina, diz-se, então: O jogo acontecerá no Arena da Floresta, ou seja no Estádio Arena da Floresta.

A PRESENÇA ITALIANA NA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Itália

Uma língua viva, falada, recebe, naturalmente, influências de outras culturas. E, em artigos anteriores, falou-se da herança de outros povos na formação da língua portuguesa. Comentaram-se as influências: francesa, inglesa, espanhola, árabe, tupi, africana, grega.

O texto de hoje contribui na compreensão da herança italiana na língua portuguesa. É fato que o léxico de uma língua é formado por palavras vindas de vários lugares, e que isso depende do contato que os povos tiveram entre si. No português, temos palavras germânicas, árabes, francesas, italianas, japonesas, chinesas, só para ilustrar alguns legados, e nós as aprendemos quando precisamos usar. Por isso qualquer pessoa que entra num shopping center assimila o que é 50% off' (desconto de 50%) e isso não impede a comunicação. O Brasil, em final do século XIX, recebeu levas de imigrantes de todos os cantos do planeta, mas nenhum influenciou tanto a cidade de São Paulo quanto os italianos. Eles vieram para a lavoura do café a partir de 1877 e faziam a rota contrária: do interior para a capital de São Paulo.

Tanto foi assim que já no começo do século XX constituíam praticamente a metade da população da cidade. E, assim, da mistura da língua italiana com o português criaram aquilo que se chamou de “língua brasileira”. As influências estão presentes em toda parte, na culinária, na passionalidade, no vestir, na educação, nas expressões, na música, na ciência e nas artes. Das correntes de imigração, os italianos só perderam, no final do século XIX, para os portugueses... os nossos descobridores.

O brasileiro é conhecido por gostar do tradicional arroz e feijão e, também, por apreciar um prato de massa. Assim é que muitas palavras da culinária italiana ingressaram no português de forma definitiva. Dentre elas enumeramos: Lasanha: lazanha/lasanha; Nhoque:enhoque/ nhioque; Espaguete: spaguetti/espaguete/ spaghet; Muçarela: mussarela/musarela/muzzarella; Pizza: piza; Taglierini: talharim/ Ravioli: ravióli; Panetone: panetone. Algumas dessas palavras são grafadas de forma diferente de um canto ao outro do Brasil, ora com /s/ ora com /z/.

Esse comportamento também é notado nos dicionários que registram essas formas aportuguesadas. Lasanha, por exemplo, em italiano se escreve com "s" e "gn", ou seja, "lasagna", e em português com "s" e "nh", "lasanha". Depois, vê-se "nhoque". Em italiano, é "gnocchi", mas, em português, escreve-se com "nh" no começo e "que" no final ("nhoque").

Vê-se também "espaguete", que em italiano se escreve "spaghetti" e vem de "spago", que quer dizer barbante. Há, ainda, a palavra mozarela/muçarela/mozzarella. Segundo Pacheco Júnior, autor de "Gramática Histórica da Língua Portuguesa", cerca de 300 palavras italianas foram incorporadas ao português falado no Brasil. São exemplos: cantina, caricatura, fiasco, bravata, poltrona, alegro, aquarela, bandolin, camarin, concerto, maestro, piano, serenata, alarme, boletim, carnaval, confete, macarrão, mortadela, salsicha, além, é claro, do "ciao", tranformado em "tchau".

No Brasil, a imigração italiana foi tão forte que, segundo os dados oficiais, pode-se afirmar que de 1870, até hoje, a influência italiana no Brasil chegou a ultrapassar a influência portuguesa, tendo sido registrada a entrada de mais pessoas de nacionalidade italiana (34% do total) que de nacionalidade portuguesa (28%), enquanto que todas as outras nacionalidades juntas (espanhóis, japoneses, alemães, sírios/turcos etc) somam os 38% restantes. Foi assim que nas comemorações dos 500 anos do Brasil o IBGE apresentou dados oficiais sobre a imigração no país, segundo os quais cerca de 1,5 milhões de italianos escolheram o Brasil como segunda pátria. A maior parte entrou nos Estados de São Paulo, Rio grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. Esses imigrantes aqui constituíram parte significativa da família brasileira e, por isso mesmo, cada brasileiro carrega consigo, no vocabulário, traços culturais do italiano.

DICAS DE GRAMÁTICA

ESTA E ESTÁ, QUANDO USAR UMA OU OUTRA FORMA, PROFESSORA?

- Professora Toinha, esta caneta que está aqui é sua? Esta - pronome demonstrativo, pois indica o lugar ou a posição dos seres e objetos em relação à pessoa que fala. Está - verbo estar - indica um estado ou qualidade. Ex.: a. Esta conversa já está ficando aborrecida. b. Esta criança já está na escola. c. Está incomodando esta música? d. Está disposto a ganhar esta partida? e. Esta janela está aberta.

HOUVE E OUVE, COMO USÁ-LOS?

 Ouve: verbo ouvir, escutar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

TU PODES SER

Tu podes ser
A navalha da traição
A lâmina penetrante
O punhal cravado no coração

Tu podes ser
O medo angustiante
O sangue a escorrer brilhante
A paixão constante

Tu podes ser
Aquele verso de desejo
Uma cantiga de sedução
Um amor, um carisma de um beijo

Tu podes ser
O amanhã que chega
O sol em declínio no horizonte
Um rio, um riacho, uma fonte

Tu podes ser
O fogo ardente
A chama calente
Uma paixão fulgente

Tu és sabor, luz, vida

És o orvalho que nutre uma rosa
És a rosa que enfeita o jardim
És o jardim que ornamenta a campina
És o campo radioso sem fim
És um raio de luz no espaço sombroso
És a sombra suave e fiel
És o manto da cor de mel
És o abraço ardoroso.

És o sonho ideal da poesia
Que radia na rima do verso
Na candura do dia a dia
No segredo total do universo
És o berço a ninar o universo
És a face alegre da melodia
És degrau da eterna subida
És a vida de noite e de dia
És a vida em poesia.

És a ponte que jaz sobre o abismo
És a fonte dos mananciais
És o doce marulho das águas
És o fruto dos ninhos
És a primavera dos florais
És o forte que sustenta a cruz
És o norte a orientar caminhos.

GEOGRAFIA DE PALAVRAS PORTUGUESAS NO MUNDO

 

pangeia

Neste presente texto, trago aos leitores, aspectos da geografia da Língua Portuguesa, em países da lusofonia, em especial Angola, Portugal e Brasil. Essa geografia vem traduzida na variação diatópica da língua, especialmente na diversidade lexical.

Bicha – em Angola designa o homossexual. Em Portugal diz-se <paneleiro> e no Brasil é <bicha, veado, baitola>.

Barona – Em Angola significa <garota bonita>. No Brasil se diz <gata, mina, avião>. Em Portugal <menina bonita, rapariga>. No Brasil, <rapariga> é uma palavra pejorativa.

Chana – em Angola significa <savana>, ou seja, designa uma vegetação. No Brasil, em algumas regiões, é uma gíria para designar a genitália feminina.

Contratado  – eufemismo que substituiu o termo escravo, no trabalho compelido a que os africanos nativos estavam sujeitos nas roças e fazendas, durante a época colonial do Estado Novo (regime Salazarista) português. No Brasil, chegou o “escravo”.
Comboio mala – designação do comboio (trem) que transportava as malas do correio. Permaneceu em Portugal <comboio> e no Brasil <trem>.

Semba - palavra que significa "umbigada". O << semba>>, dança praticada em Luanda, deu origem ao samba brasileiro. Em vários momentos da dança os pares trocavam umbigadas. Trazida para o Brasil, por escravos oriundos de Angola, modificou-se e mudou de nome.
Kizomba ou "Quizomba", palavra que foi usada no tema de carnaval da escola de samba Unidos de Vila Isabel, no Rio de Janeiro em 1988, é um tipo de música e dança angolana. Usa-se, no Brasil, a palavra <Quizumba>, designativa de confusão.
Quilombo – palavra originária do quibundo, dialeto africano, para designar "capital, povoação". No Brasil ganhou a significação de <refúgio para escravos fugidos>.
Tukeia ou tuqueia – Peixe lacustre das anharas (savanas) do leste da Angola.
Sanzala  –  palavra de origem angolana, com variação de <senzala>, que significa cidade, aldeia africana. No Brasil, passou a designar o galpão onde dormiam os escravos.

Pirão ou funji - comida tradicional angolana.  É uma espécie de papa, preparada com  fubá ou farinha e, com este sentido, é palavra também empregada no Brasil. Aqui criou-se o ditado "Farinha pouca, meu pirão primeiro", significando que, em épocas de dificuldades, busca-se primeiro satisfazer a si próprio e depois aos outros.
Moleque – palavra originária do quimbundo "mu'leke" = menino. No Brasil, assumiu, no correr do tempo, inúmeros significados, carinhosos ou pejorativos, conforme o emprego. Pode ser uma forma de tratar qualquer menino, independente da cor da pele ser branca ou negra, não necessariamente pejorativa. Pode, ainda, significar um indivíduo brincalhão, engraçado. Ou, ainda, se esbravejada contra um adulto, em tom de discussão, <Seu moleque!>, estará significando um indivíduo sem palavra, um canalha, um cafajeste.

Os exemplos apenas ilustram a viagem das palavras de uma região para outra, dentro de uma mesma língua. É tema curioso, fascinante, que merece estudo acurado para mostrar que as palavras são fotografias da vida do homem no espaço físico-social.

DICAS PARA O BOM USO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Como usar as palavras pequenez e pequinês?

- Use-as assim: com "Z" quando oriunda de pequeno, para significar qualidade de pequeno, embora utilizemos no sentido, também, de baixeza, mesquinhez, coisa freqüente por essas bandas; com "S" quando proveniente de Pequim, capital da China.

Uma outra dica:

Palavras terminadas em - EZ são derivadas de adjetivos, como em: pálido - palidez; malvado - malvadeza. As terminadas em -ES são derivadas de substantivos: montanha - montanhês; corte - cortês.

Face a ou em face de, professora?

- Em face de, é claro. Agora, as pessoas se engraçaram com esse francesismo de tal modo que usam-no largamente. Todavia, o bom uso da língua recomenda dizer; em face de e, para ser elegante, o falante deve seguir o preceito gramatical.

É mesmo asneira usar um antes de mil?

- Das grossas! Quem usa um ( ou hum, o que é bem pior) antes de mil, não sabe a bobagem que está cometendo: um é singular; mil é plural. Assim, quem usa um mil está misturando as estações; ou seja, está cometendo a mesma bobagem de quem toma um chopes e vai ao shopes. Por isso, nunca use um mil ou hum mil nem mesmo em cheques.

O Brasil foi descoberto em mil e quinhentos ou em hum mil e quinhentos?

- O nosso país foi descoberto em mil e quinhentos. Quem diz hum mil e quinhentos ou um mil e quinhentos já tomou muito chopes e comeu muito pastéis ...

Quer dizer que a forma hum não se usa em hipótese nenhuma?

- Em hipótese nenhuma! Trata-se de ortografia do tempo da Onça. Todavia, muita gente emite notas fiscais com hum: hum milhão e trezentos e quarenta mil reais, hum bilhão e quinhentos mil reais. São pessoas que apreciam o arcaísmo.

Mas também é errado usar um antes de milhão, bilhão, etc?

- Não, porque milhão, bilhão, etc., embora dêem idéia de plural, estão no singular, diferentemente de mil, que dá idéia de plural e pertence ao número plural.

Devo usar e depois de mil seguido de centena: mil e duzentos e cinqüenta reais?

- Não. Nem vírgula se usa nesse caso, como aliás, faz muita gente ao preencher cheques.

Quando a centena termina por dois zeros (1200) ou começa por zero (1205), o uso do e é obrigatório: o Brasil foi descoberto em mil e quinhentos; Gastei mil e cinco reais. As centenas devem sempre ser unidas às dezenas e unidades por e.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A INTERFACE DA INTERNET

 

     A Internet é uma realidade indiscutível na vida de todo o mundo. Hoje é difícil encontrar uma pessoa que não tenha pelo menos um e-mail. Como todas as tecnologias, a rede mundial de computadores vem sempre com pontos positivos e pontos negativos que geram discussões.

    Paralelo a este avanço tecnológico e também em conseqüência dele, as pessoas vêm se afastando umas das outras a cada dia. Assunto bem comum no mundo chamado real é o medo de se relacionar, a dificuldade de se abrir a uma relação, o receio frente ao novo e ao sofrimento. O avanço da Internet somado com esse medo de se relacionar, fez com que até as relações que antes necessitavam de um encontro pessoal e físico pudessem ocorrer em um meio virtual.

    Assunto bem comum no mundo chamado real é o medo de se relacionar, a dificuldade de se abrir a uma relação, o receio frente ao novo e ao sofrimento. O avanço da Internet somado com esse medo de se relacionar, fez com que até as relações que antes eram pessoais, face a face, num contato físico, num olhar nos olhos, num aperto de mão, passem a ocorrer no meio virtual, com uso de palavras mornas, mas distantes do mundo real. Tudo parece uma fantasia. Pois um relacionamento virtual propicia um anonimato, uma forma de proteger a privacidade e também maneiras para que o indivíduo possa, simplesmente, pensar antes de dar uma resposta. Além de poder apertar a tecla Delete e a qualquer momento bloquear ou apagar pessoas de sua vida. No mundo virtual você é o seu apelido ou aquela pessoa que sonha ser. E isso gera um conforto e até mesmo podemos dizer uma forma de se afastar de quem realmente somos.

    Paralelamente a estas situações, outro fenômeno comum nos relacionamentos virtuais é a chamada idealização. É a imagem que criamos da pessoa que está do outro lado do computador que não condiz com o ser real. É como diz uma frase de um autor desconhecido: “as palavras vão vazias e voltam cheias”. Aí, nessa hora, a pessoa começa a entender, interpretar tudo de acordo com o que é seu. A pessoa começa a se enxergar como ela quer, de acordo com a história de vida dela e é dessa forma que o outro passa a vê-la, imaginativamente, conforme seus desejos e vontades. Como fica então uma relação dessas no mundo virtual? É realmente necessário um encontro pessoal? Será que estamos fadados a viver isolados um dos outros? Bem, de qualquer forma, mesmo sendo de forma virtual, o ser humano se movimenta para outro ser humano. Mas sendo no mundo dos computadores podemos chamar esse movimento de real?

     Poderíamos dizer que, de qualquer forma, um relacionamento virtual desembocará em um encontro real se esta for à intenção das pessoas que estiverem ali teclando. Essa é uma palavra importante, intenção. E intenção só pode ser mostrada por cada pessoa e em determinada situação e tempo. Mas é preciso agir, sempre, com lealdade, fato que quase não acontece. As pessoas costumam acreditar que são de um jeito quando são de outro.  Então, a verdade deve prevalecer, sempre, afinal a vida não é uma brincadeira de esconde-esconde.

     De sorte que muitos utilizam a Internet para fazer novos amigos, outros para encontrarem novos amores, outros para trabalho e outros apenas como lazer. Cada um sendo responsável por suas “navegações”. Como diria o grande poeta Fernando Pessoa “navegar é preciso, viver não é preciso”. Na vida não existe precisão. Se captarmos o mundo virtual como um viver, navegar também não será mais preciso. Pois navegar será parte da vida do ser humano. E a segurança encontrada na navegação virtual se torna abalada, maior parte das vezes. É preciso ter cautela e navegar com segurança. O mundo é enganador e as pessoas, muitas vezes, são falsas, perigosas. Não pensam na felicidade, esquecem-se que viver é maravilhoso.

 

DICAS DE GRAMÁTICA

FAZ DEZ ANOS QUE NÃO O VEJO ou FAZEM DEZ ANOS QUE NÃO O VEJO?
- Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz dez anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
HOUVERAM MUITOS ACIDENTES ou HOUVE MUITOS ACIDENTES?
- O verbo haver, assim como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

EXISTE MUITAS ESPERANÇAS ou EXISTEM MUITAS ESPERANÇAS?
- Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem, normalmente, o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

A INFLUÊNCIA GREGA NA CULTURA PORTUGUESA

A Grécia, país que realizou as Olimpíadas 2004 e hoje passa por forte crise econômica, é uma área montanhosa da Europa Oriental, que forma a extremidade meridional da península dos Balcãs. É banhada ao leste pelo mar Egeu, ao sul pelo Mediterrâneo e a oeste pelo mar Jônio. Além da parte continental a Grécia possui uma imensidade de ilhas e ilhotas rochosas. Calcula-se entre duas mil a três mil no total. Destas, umas 200 são habitadas. A maior delas é a famosa Creta, constituindo por si só um estado da federação.

A cultura grega influenciou a cultura românica, em especial na grande era helenística. Assim, da conquista de Alexandre à conquista romana, 333 - 63 A.C., a língua grega, devido a sua clareza e riqueza de expressão, foi usada como grande veículo para propagação do Evangelho. O Novo Testamento foi escrito em grego e o Velho Testamento foi traduzido para o grego, em Alexandria - Egito. As revelações de Apocalipse foram dadas a João na Ilha grega de Patmos. O próprio alfabeto latino é uma adaptação do alfabeto grego, como se vêm nos exemplos:

      Α  alfa   » A          Ε  épsilon  » E
      Β   beta  » B          Μ  mi        » M
      Δ  delta  » D          Τ  tau       » T

Observa-se, segundo dados históricos, que a civilização romana, filha da Grécia, cobre mais de doze séculos de história – da fundação de Roma em 753 a.C. até ao século V da atual era. A língua latina, idioma de um império na Antigüidade, influenciou toda a Europa. Dominando a Grécia pelas armas, os latinos não ficaram imunes à influência da cultura e da língua grega. Veiculada pelos escritores e oradores latinos, a língua grega infiltrou-se no latim como modelo privilegiado. Essa infiltração foi tamanha que, na Antigüidade, o estrangeiro que não falasse o grego era discriminado, daí surgindo o termo bárbaro que indicava uma língua que não podia ser compreendida. Talvez, para não serem tomados por bárbaros, os romanos tenham se valido da língua grega não só como forma de caracterizar o prestígio do idioma, mas também como meio de enriquecer e renovar o vocabulário erudito.

A herança grega chegou às línguas românicas, enriquecendo-as consideravelmente com termos técnicos e científicos, além de muitas outras palavras. Em língua portuguesa, há inúmeras palavras de origem grega usadas no dia-a-dia: autóctones, crônica, demônio, fantasma, órfão, salamandra, bolsa, corda, caixa, ermo, golfo, gruta, tio, anjo, bispo, crisma, diabo, esmola, igreja, mosteiro, farol, guitarra, falange, gesto, sugestão, tigela, cara, calma, governar, alergia, gravador, eletrônica, filosofia, biologia, hipnose, micróbio, telégrafo, telepatia, academia, cara, cola, democracia, étimo, governar, liceu, pedagogo, apóstolo, bíblia, crisma, diocese, paróquia etc.

No campo da antroponímia, a língua portuguesa conta, também, com muitos nomes vindos do grego, tais como: Laís - significa “a que é popular, a amável com todos”; Larisa - nome de uma cidade da Grécia; Leandra(o) - “que é paciente nas suas adversidades e sofrimentos”; Leda - “a que é uma dama”. É uma personagem da Mitologia Grega; Leonor - “forte, mas compassiva e misericordiosa”; Lígia - nome de uma sereia da mitologia grega; Lina/o - “o que tece o linho”; Lisandra - feminino de Lisandro ou Elisandro, significa “libertador de homens”; Ofélia - “a caridosa, a que socorre”; Olímpia - “a que pertence ao Olimpo, a morada dos deuses”; Olimpo - “festa, céu, referente ao monte ou santuário Olimpo”; Orestes - “o que ama a montanha”; Orfeo - “que tem boa voz”.

Observa-se ser rica e complexa a contribuição grega aos idiomas originados do latim. E muitas palavras chegaram às línguas neolatinas por meio do latim. Outras, notadamente as utilizadas pelas ciências, pelas artes e pela tecnologia, foram criadas durante os últimos séculos diretamente do grego. Com isso, em vários aspectos culturais está ocorrendo, hoje, uma supervalorização aos valores da Grécia clássica, que se refletem na política, cultura, historiografia e costumes, deslocando para um segundo plano todo legado humanístico de Roma, que também contribuiu na formação da cultura ocidental tanto quanto a influência grega.

Hoje, com a realização das Olimpíadas, em Atenas, o mundo pode observar que a civilização grega apresenta o mais notável desenvolvimento artístico-cultural da Antigüidade. Seus valores intelectuais da lógica e da filosofia moldaram metade da mentalidade ocidental dos dias atuais.


DICAS DE GRAMÁTICA

Ao escrever, ou mesmo na expressão oral, deve o falante tomar cuidado na elaboração de determinadas sentenças que podem expô-lo à situação vexatória. Por vezes, o encontro da sílaba de uma palavra com outra forma uma nova palavra de sentido ridículo ou até mesmo obsceno. A isso se chama Cacofonia, um vício de linguagem de natureza fonética, que vem do grego cacos = mau, feio, defeituoso + fonos = som, voz. São exemplos que comumente escutamos ou lemos:

Tirei da boca dela. (cadela)

É mulher que se disputa. (se diz puta)

Vou-me já (vou mijar)

Como as concebo (como com sebo)

Essa é uma faca cara. (caca)

demais (fede mais)

Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu! (fudeu)

Eu mandaria um químico meu. (me comeu)

A cerca dela elétrica (cadela elétrica)

Confunde as senhas do banco (dê as senhas)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A JUVENTUDE DE HOJE É MODERNA OU ATRASADA?

Li, recentemente, um texto fantástico da jornalista e escritora Eliana Brum, sob o título: “meu filho, você não merece nada”. É um artigo que todos os pais devem ler. A autora trata de questões relativas à dependência dos jovens aos pais. Hoje se tem uma geração que nasceu na chamada “era moderna”, com todos os aparatos tecnológicos, domina as ferramentas das mídias, porém não sabe pensar e menos, ainda, lutar pela vida, conquistar um espaço ao sol. É uma juventude que acredita ser a FELICIDADE uma responsabilidade e um dever dos pais. São pessoas que desprezam lutar!

E, desse jeito, essa nova geração não tem ideia das dificuldades da vida. Ademais, os pais estão criando seus filhos sem limites, onde todos pensam que o dinheiro surge naquela maquininha do banco, onde é só passar o cartão, ou que a água nasce nas torneiras, estão todos sem noção do que é a vida. São pessoas preparadas do ponto de vista das habilidades, despreparadas porque não sabem lidar com frustrações. Preparadas porque são capazes de usar as ferramentas da tecnologia, despreparadas porque desprezam o esforço. Preparadas porque conhecem o mundo em viagens protegidas, despreparadas porque desconhecem a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofrem porque crescem acreditando que nasceram com o patrimônio da felicidade. A esses jovens não lhes foi ensinado a criar, conquistar, produzir, a partir da dor, da derrota. São jovens que desprezam o esforço, que não sabem andar com as próprias pernas. Estão sempre amparados e protegidos pelos pais.

Ainda, essa geração tão inteligente vai à escola como um favor aos pais. Sai dali e quer um bom emprego, mas não faz por merecer, espera, sempre, o esforço dos pais. É uma juventude que não sabe lutar, enfrentar desafios, superar dificuldades, conquistar a liberdade financeira, construir vida independente. Estão, sempre, a depender dos pais como se estes tivessem a obrigação de supri-los pelo resto da vida. É uma geração inteligente para as ferramentas tecnológicas; burra para seguir as trilhas da vida pelo próprio esforço. Estão, sempre, com a mão esticada para receber tudo pronto dos pais. É uma acomodação, uma preguiça, uma falta de criatividade que chega ao absurdo. Nunca os pais foram tão reféns dos filhos quanto agora. E isso é modernidade ou atraso?

Nesse cenário, há uma pergunta que não quer calar: são os pais responsáveis por esse atraso da nova geração? Ou serão os professores que não estão orientando os jovens de hoje como orientavam as gerações passadas? Mas tanto os pais como os professores lutam pelo mesmo sonho - o de tornar os filhos e alunos felizes, saudáveis e sábios - mas jamais estiveram tão perdidos na árdua tarefa de educar. Ambos sulcam e cultivam os territórios mais difíceis de serem trabalhados: os da inteligência e da emoção.

Por isso tudo o artigo suscita uma reflexão de todos, jovens e velhos. Não se escreve para a história presente fabricar heróis, mas para conduzir pessoas às trilhas da vida, com sabor de luta, de conquista, de dignidade. Educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência. Educar é acreditar na vida, mesmo que se derramem muitas lágrimas. Educar é ter esperança no futuro, mesmo que os jovens venham a decepcionar. Educar é semear com sabedoria e colher com paciência. Educar é ser um garimpeiro que procura os tesouros do coração.

O sonho dos mais velhos era de que no século XXI os jovens fossem solidários, empreendedores e amassem a arte de pensar. Mas muitos vivem alienados, não pensam no futuro, não têm garra e projetos de vida. É um quadro que precisa mudar, com urgência. Uma grande tarefa da escola; imensa responsabilidade dos pais. É urgente mudar o modo de viver da atual geração que construirá o futuro do mundo.

DICAS DE GRAMÁTICA
MAIORIA FOI/ MAIORIA FORAM?
O verbo deve concordar com o sujeito, não há outra alternativa.
Exemplo: A maioria foi embora.
Mas há polêmica quando se determina a maioria.
Exemplo: A maioria dos alunos foi embora.
Há gramáticos que admitem a concordância com o determinante do coletivo:
A maioria dos alunos foi (ou foram) embora.
A multidão de torcedores fanáticos aplaudiu (ou aplaudiram) a jogada.

BIO-MEDICINA ou BIOMEDICINA?
Bio- é um prefixo de formação erudita, como são aqueles usados nas ciências, por exemplo. Pelo Acordo Ortográfico nunca se deve usar hífen com esses prefixos. Então, o certo é biomedicina, sem hífen. Igualmente se usam outros prefixos, tais como: hiper, anti, orto, pan, poli, ante, contra, inter, pre, retro, super, macro, mini, tetra, etc.

A PRECIOSIDADE QUE É O TEMPO

À medida que a gente vive é possível perceber a preciosidade que é o tempo. Esse tempo de vida, esse tempo que faz a vida. Não é fácil falar dele, porém, necessário se faz, pelo menos, pensar nele. Administrar o tempo não é uma questão de ficar contando os minutos dedicados a cada atividade. É uma questão de saber definir prioridades. E, hoje, numa sociedade complexa como esta em que se vive, NUNCA se tem tempo para fazer as coisas que precisam ser feitas. Então, administrar o tempo é ter clareza sobre aquilo que é prioritário, aquilo que é mais prioritário. E como fazer com esse tempo para se ter tempo para tudo que desejamos fazer?

O tempo não espera, a gente é que espera e olha ele passar por nós. Logo, se corremos no tempo, é fundamental priorizar tudo quanto se almeja fazer nele. Como distribuir esse tempo sem perder o tempo do tempo? Cada pessoa tem um mundo particular que precisa combinar com o mundo global, social em que vivem outras pessoas. E o problema maior dessas questões ligadas ao tempo surge, exatamente, quando consideramos importantes, mas não urgentes, as coisas que são urgentes, mas às quais damos pouca importância.

Imagine o leitor, primeiro lugar, que o mais importante da vida é o trabalho. Então, se o trabalho é mais importante, o problema do tempo está resolvido: a pessoa trabalha, mesmo que isso prejudique a convivência familiar. As conseqüências dessa escolha o tempo logo vai mostrar e a pessoa deve estar ciente da opção que fez. Ainda, a pessoa deve ter condições de reflexão. Tempo útil e tempo inútil são tempos diferentes, mas consomem tempo e vida.

Depois, imagine-se que o trabalho não é o mais importante. A importância maior está na família. Aí a pessoa dedica o tempo à família. As conseqüências logo virão: falta dinheiro para prover essa família. Agora, se o trabalho não é o mais importante, com certeza é urgente, pois sem ele não há como sustentar a família. Aqui começa o conflito entre o importante e o urgente. Também, o conflito entre aquilo que se gosta de fazer e aquilo que lhe é imposto. Quando se aceita um emprego, a pessoa está, na realidade, se comprometendo a ceder a outrem parte de seu tempo. Este é um problema real e de solução difícil: não somos donos de boa parte de nosso tempo.

Vê-se, de imediato, que administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a vida. É essa uma batalha constante, que tem que ser ganha todo dia. Se a pessoa deseja ter a autonomia de decidir como empregar seu tempo, deve ter a sabedoria de dividi-lo, reparti-lo de forma a não sofrer conseqüências. Por isso, talvez, o tempo é distribuído, entre as pessoas, de forma bem mais democrática que muitos dos outros recursos de que nós dependemos. Todos os dias cada pessoa recebe exatamente 24 horas, nem mais, nem menos. Rico não recebe mais do que um pobre, professor universitário não recebe mais do que analfabeto, executivo não recebe mais do que operário.

Entretanto, apesar da democracia do tempo, algumas pessoas conseguem realizar uma grande quantidade de coisas num dia - outros, ao final do dia, têm o sentimento de que o dia acabou e não fizeram nada. A diferença é que os primeiros percebem que o tempo, apesar de democraticamente distribuído, é um recurso altamente perecível. Um dia perdido hoje -- perdido no sentido de que não realizei nele o que precisaria ou desejaria realizar -- não é recuperado depois: é perdido para sempre. Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneira de obter mais. Por isso, tempo é vida. Quem administra o tempo ganha vida, mesmo vivendo o mesmo tempo. Prolongar a duração de nossa vida não é algo sobre o qual tenhamos muito controle.

Concluindo, por agora, diz-se haver os que afirmam, hoje, que o recurso mais escasso na nossa sociedade não é dinheiro, não são matérias primas, não é energia, não é nem mesmo inteligência: é tempo. Mas tempo se ganha, ou se faz, deixando de fazer coisas que não são nem importantes nem urgentes e sabendo priorizar aquelas que são importantes e/ou urgentes. Há muitas pessoas que estão o tempo todo ocupadas exatamente porque são improdutivas - não sabem onde concentrar seus esforços e, por isso, ciscam aqui, ciscam ali, mas nunca produzem nada. Ser produtivo é, em primeiro lugar, saber administrar o tempo, ter sentido de direção, saber aonde se vai. Administrar o tempo, em última instância, é planejar estrategicamente a vida.

DICAS DE GRAMÁTICA

AO FIM E AO CABO, QUANDO USÁ-LOS?

- Usá-los segundo o sentido. Ao final quer dizer "afinal, depois de tudo".

Ao cabo, significa término, fim, limite. Assim, usa-se "ao cabo" junto com "ao fim" apenas como um reforço, para enfatizar que é bem no fim mesmo!

CÂMERA OU CÂMARA?

- Tudo pode ser câmara: assembléia, junta, conselho, recinto, compartimento, máquina de filmar e de fotografar, o cinegrafista, etc. No grego e no latim a palavra é escrita com A. Acontece que na área de cinema, fotografia e TV, por influência talvez do inglês, idioma em que diz "camera, cameraman", costuma-se usar também a grafia câmera.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE AS PALAVRAS DARMOS E DAR-MOS?

- DARMOS se escreve junto e se refere ao verbo "dar" na 1ª pessoa do plural do infinitivo (flexionado), com a desinência "mos": Disse para (nós) darmos nossa opinião. Convém falarmos baixo. Para acertarmos as contas, precisamos nos reunir.

- DAR-NOS – com N, se refere ao pronome oblíquo NOS, que quando vem depois do verbo (ênclise) se separa com hífen. Exemplos: Ela já comprou o presente que quer dar-nos no Natal. [dar-nos = nos dar] Ele vem falar-nos sobre deveres e direitos. [ou: vem nos falar] Pelo jogo, nossos adversários devem acertar-nos somente nas pernas.

O SENTIDO DE ESCREVER O PRÓPRIO NOME

 

Fonte: Imagem colhida na Internet

Ser capaz de escrever o próprio nome tem significado, ao longo dos tempos, como uma das maiores conquistas para o ser humano. Pode-se, de certa forma, atribuir, a essa conquista, uma forte conotação simbólica: para o adulto analfabeto, ser capaz de escrever o próprio nome significa dar os primeiros passos para ultrapassar a linha divisória que o exclui do grupo dos que não assinam, dos que usam as digitais do seu polegar para serem reconhecidos como cidadãos.

Enquanto para a criança, essa escrita possibilita uma atividade que lhe permite refletir sobre o sistema da escrita, ingressando na parte específica e tão valorizada da cultura nacional. Modo geral, escrever o próprio nome é uma ação marcada pelo prazer resultante do sentimento de ser capaz de escrever e de se reconhecer naquela escrita como um ser social, que tem um nome e é capaz de interagir com os demais seres.

Por isso a escrita do nome próprio tem papel fundamental no processo de alfabetização das pessoas, pois representa um passo importante de sua entrada no mundo da escrita. O conhecimento do nome próprio tem duas consequências importantes para os estudantes que estão em processo de alfabetização: 1) uma escrita livre do contexto; 2) uma escrita que informa sobre a ordem não-aleatória dentro do conjunto de letras.

Desse modo, tanto para os adultos quanto para as crianças, ainda que a escrita do próprio nome, inicialmente, não se dê dentro da norma padrão, essa descoberta possibilita pensar sobre o sistema da escrita, uma vez que os aprendizes estão lidando com um modelo estável, que se refere a um único objeto, e que -- além de não permitir ambigüidade, na sua interpretação -- tem carga valorativa, pois se relaciona com a identidade da pessoa. Pois o humano começa, exatamente, no escrever seu próprio nome.

Depois, não se pode perder de vista que saber escrever o próprio nomeo é uma das mais importantes conquistas do educando que entra no mundo das letras. Para ele, o conjunto de letras que compõe seu nome o representa, proporciona a percepção de si como um ser social, diz algo sobre sua identidade, sua filiação, sua história. A escrita do nome próprio tem papel fundamental no processo de alfabetização do educando, pois representa um passo importante de sua entrada no mundo da escrita.

O conhecimento do nome próprio tem duas conseqüências importantes para as pessoas: a) uma escrita livre do contexto; b) uma escrita que informa sobre a ordem não-aleatória dentro do conjunto de letras.

A escrita do próprio nome representa, pois, uma oportunidade privilegiada de reflexão sobre o funcionamento do sistema de escrita, pelas seguintes razões: tanto do ponto de vista lingüístico, como do gráfico, o nome próprio é um modelo estável. É um nome que se refere a um único objeto, identificando-o em relação aos demais seres. O nome tem valor de verdade, porque se reporta a uma existência, a um saber compartilhado por ambos, emissor e receptor.

Diz-se, ao final desta reflexão, que a incorporação da escrita, como forma de produção e conservação do conhecimento, trouxe uma dupla diferença aos seres humanos: foi preciso ensinar o conhecimento que se tornava cada vez mais amplo e complexo. Ainda, foi fundamental, ao aprendizado do conhecimento, o aprendizado da escrita. Esse desafio persiste há 3.000 anos e, ainda hoje, a humanidade não conseguiu vencê-lo. Há muita gente que desconhece o mundo mágico da escrita. Há tanta gente que sabe falar aquilo que deseja escrever, mas não consegue escrever o que sabe dizer. Então a escrita tem seu encanto, magia, mistério.

DICAS DE GRAMÁTICA

QUANDO SE EMPREGA A e ?

- A / (em função do espaço de tempo).

- A (preposição): "Ela voltará daqui a meia hora". (tempo futuro)

- (verbo haver): "Ela saiu há dez minutos”. (tempo decorrido)

A PAR ou AO PAR?

A PAR - Significa ciente, bem informado.
Ex.: A Reitora está a par dos últimos acontecimentos.
AO PAR - Significa de acordo com a convenção legal.
Ex.: Os papéis de crédito estão ao par.

PARA MIM FAZER ou PARA EU FAZER?

- Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?

- A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.