segunda-feira, 21 de abril de 2014

PALAVRA É PODER

 

“Faça-se a luz!” E com essas palavras Deus criou o universo. O poder, na gênese do mundo, vinha do verbo. Na Bíblia, e em volumes antigos de retórica, literatura e ciência, os nomes estão cobertos de autoridade. Nos tempos modernos, essa força e magia das palavras ganha nova coloração. Há muitos estudos sobre esse assunto e se sabe que as palavras podem ter um sentido positivo ou negativo. Também há palavras neutras.

Mas, afinal de contas, quem atribui o valor positivo ou negativo às palavras? Elas têm em si esse poder? Isoladamente, as palavras não têm conotação, elas adquirem sentido em seu contexto de uso, ancoradas nos repertórios linguísticos pessoais. Cada palavra representa coisas diferentes para pessoas diferentes. As imagens particulares de mundo dependem, por exemplo, da experiência pessoal, do contexto sociocultural ou da idade: para um ocidental e para um oriental a definição da palavra “amor” ou da palavra “família” pode alcançar significados diversos.

Há algumas correntes da linguística a afirmar que a mente humana só é capaz de conceber aquilo que consegue verbalizar. Ou seja, que a visão de cada um depende em grande parte de seu vocabulário. E talvez seja esse um dos “segredos” para compreender o poder mágico das palavras. Aumentando a lista de expressões, pensamentos e atitudes, o ser humano percebe que há outros caminhos e escolhas possíveis. Quantas coisas não dão certo porque as pessoas pensam nelas com medo? É certo que as palavras têm força, magia e poder. Quando se deseja muito alguma coisa a gente termina por consegui-la. Isso demonstra o poder, a magia e a força das palavras. É bom dizer: “eu consigo, eu quero, eu busco, eu encontro, eu posso”. A partir daí o mundo se torna, sempre, maravilhoso e a vida um encanto. As palavras atuam como um talismã.

A ciência já percebeu, há anos, que o enunciado de sentenças como essa, acima, pode ocasionar mudanças reais no comportamento humano. A formulação das frases tem um poder importante no modo como as pessoas agem. Pesquisas neurológicas mostram que, em certos estados de sugestão, o cérebro assimila palavras e frases como realidade, apontam alguns estudos. As provas são as expressões ditadas em sessões de hipnose e terapia ou as técnicas de mentalização aproveitadas pelos livros de desenvolvimento pessoal.

Enquanto terapeutas e cientistas procuram chegar a um consenso, os livros nas prateleiras dos “mais vendidos” pregam a possibilidade de se enxergar as situações por perspectivas opostas, para que as experiências também sejam ampliadas. E o primeiro passo é colocar isso em frases. “Não seria boa ideia começar a usar em seu proveito as duas palavras mais poderosas, ‘eu sou’? Que tal ‘eu sou a receptora de todas as coisas boas’, ’Eu sou feliz’?. Mais que unidades mágicas, as palavras são construtoras de realidades. E aí é só acreditar nesse poder. Afinal, há quem diga que “no princípio, era o verbo… e tudo foi feito por ele.”

Mas, afinal, o que são as palavras? Elas são tudo na vida. Sustentam os negócios no mundo. Nas trocas, nas vendas, no diálogo para dentro e para fora. São elas que garantem um lugar no mercado ou fora dele, quando equivocadas. As empresas sobre elas saltitam perigosamente, como em caminho de pedras, em meio a escuma dos inquietos meandros de uma economia. Palavras fazem toda a diferença na vida das pessoas. Toda gente é dirigida por palavras, sejam de pais, filhos, amigos ou inimigos. As palavras atingem a todos, indistintamente. Mesmo no silêncio elas inquietam. Sussurradas pela memória de uma experiência gratificante, são renovadoras. Gritadas pela consciência traída, são devastadoras.

Vêm-se, então, que as palavras têm demasiado poder, pois da mesma forma que dizem coisas, têm o poder de destruir um coração ou uma nação, elas atingem a todos,indistintamente, ricos e pobres, crentes e descrentes. Dessa forma, as palavras têm tanta força, tanto poder, que quando expressadas fazem efeito na vida, e essa influência poderá ser boa ou ruim, dependendo das ideias que transportam. Sempre foi assim, como diz a Bíblia (João,1:1),"No início era o verbo". E o verbo ainda hoje cria o universo humano indistintamente.

DICAS DE GRAMÁTICA

FUI EU QUE FIZ, FUI EU QUEM FEZ OU FUI EU QUEM FIZ?
- Quer saber mesmo? Pois todas estão corretas. Vejamos:
Fui eu que fiz - Justificativa - O verbo que tem como sujeito o pronome relativo que concorda em número e pessoa com o antecedente, a palavra que precede esse pronome. Exemplos: "Foi ele que te nomeou", "Sou eu que vou agora", "Fomos nós que escrevemos a carta" e "Serão os pais dele que receberão a herança".
Fui eu quem fez - Justificativa - Se o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo, geralmente, permanece na terceira pessoa do singular. Exemplos: "Foi ele quem te nomeou", "Sou eu quem vai agora", "Fomos nós quem escreveu a carta" e "Serão os pais dele quem receberá a herança".
Fui eu quem fiz - Justificativa - Se o sujeito é o pronome relativo quem, o verbo pode ser influenciado pelo sujeito da oração anterior, com o qual acaba concordando. Exemplos: "Sou eu quem vou agora", "Fomos nós quem escrevemos a carta" e "Serão os pais dele quem receberão a herança".

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A SIMBOLOGIA DA PÁSCOA

 

     Páscoa, do hebraico Pessach, significa passagem, através do grego Πάσχα, um evento religioso cristão. É considerada a maior e a mais importante festa do Cristianismo. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo, depois da sua morte por crucificação, que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 dC.  A Páscoa pode cair em uma data entre 22 de março e 25 de abril. O termo pode referir-se, também, ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses, desde o domingo de Páscoa até ao Pentecostes.
     Na língua portuguesa, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pesah. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua, os franceses de Pâques. Provavelmente em outras línguas não saiu do hebraico, assim, tem-se: latim Pascha, azerbaijano Pasxa, basco Pazko, catalão é Pasqua, crioulo haitiano Pak, dinamarquês Påske, Pasko em esperanto, galês Pasg, Pasen em holandês, indonésio Paskah, Páskar em islandês, Paskah em malaio, em norueguês påske, Pasti em romeno, Pasaka em suaíle, påsk em sueco e Paskalya em turco.
     Na Páscoa, é comum a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas; em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia e portanto, isto é uma alusão a antigos rituais pagãos. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação associados a deusa nórdica Gefjun.
     Os Símbolos da Páscoa são representações que fazem parte dos rituais da Semana Santa: círio pascal, coelho, trigo, uva, peixe, girassol, ramos de palmeira. Vejam-se o significado de cada um:
     O Círio Pascal  - É a vela que representa o Cristo Ressuscitado que deixou o túmulo, radioso e vitorioso. Na vela pascal, ficam gravadas as letras alfa e ômega, significando que Deus é princípio e fim. Os algarismos do ano também ficam gravados no Círio Pascal. Nas casas cristãs é comum o uso da vela no centro da mesa no almoço de Páscoa
     Os sinos - Cantam a alegria da Ressurreição expressa nos cânticos de Aleluia. Tocando, festivamente, anunciam novos tempos, alma nova para as pessoas.
     O coelho - Animal que se reproduz em grandes ninhadas, e por representar o nascimento, a vida, tornou-se símbolo da fertilidade. Está relacionado às festividades da Páscoa por representar a esperança de vida na Ressurreição de Jesus Cristo.
     O ovo - É o símbolo da vida que surge repentinamente, destruindo as paredes externas e irrompendo com vida. Simboliza a Ressurreição.
     Trigo e uva - Simbolizam o pão e o vinho da Santa Missa e, por seu grande significado com a Trindade Santa, traduzem, por excelência, o símbolo Pascal. Para a ornamentação da mesa de Páscoa, nada mais indicado que um centro feito com uvas e trigo, entre cestas de pães e jarras de vinho.
     O peixe - O peixe é um símbolo trazido dos apóstolos que eram pescadores. É um símbolo de vida, usado pelos primeiros cristãos, no acróstico IXTUS - peixe em grego.  As letras são as iniciais de "Iesus Xristos Theos Huios, Sopter", que significa "Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador". Faz parte do ritual da Semana Santa comer peixe na Sexta Feira Santa, para lembrar o ritual dos 40 dias de jejum de carne, seguidos pelos cristãos durante a Quaresma.
     O girassol - O girassol tem um simbolismo especial, pois está sempre voltado para o Sol, astro-rei, assim como as almas das pessoas que devem estar viradas para o Divino – Sol, ou seja, Cristo Ressuscitado.
     Os ramos de palmeira - A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, ocasião em que as pessoas cobriam a estrada com folhas de palmeira, para comemorar sua chegada. Hoje as folhas de palmeiras são usadas na decoração das Igrejas durante as comemorações da Semana Santa.
     A cor roxa - É símbolo da Páscoa. Existe uma flor de nome "Quaresmeira", que é conhecida como a flor que anuncia a Páscoa. Um dos motivos para receberem esse nome se deve a sua época de floração ser próxima ao período religioso denominado "Quaresma", que antecede à Páscoa. Outro motivo é a tonalidade de cor das flores ser muito próxima do roxo que representa a Páscoa.
     Então, a Páscoa não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate, festa, presentes. É renascimento, renovação, festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos seres humanos que há uma força divina, maior, a reger a vida e os destino das pessoas. Que esta data renove em cada um a humildade e a sabedoria para irmanar-se ao outro, ainda mais nestes tempos adversos por que passa o Acre. Feliz  Páscoa!
    
DICAS DE GRAMÁTICA

ESTOU DE FÉRIAS ou ESTOU EM FÉRIAS, PROFESSORA?
- Estou em férias.  Isso por que a preposição deve ser utilizada para a indicação da circunstância de modo de ser ou estado. O substantivo férias, usado junto ao verbo estar, não indica o meio a ser utilizado, mas o estado em que se encontra a pessoa. Por isso o  adequado é dizer: “Estou em férias”.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O SEGREDO DO TEMPO PARA AS PESSOAS

 

 

Pessoas divorciadas, separadas, viúvas, idosas que vivem sozinhas aumenta a cada dia no mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem, no Brasil, 31 milhões de pessoas que moram sozinhas. Dessas, 40% têm mais de 60 anos. É um índice considerável que representa 28% da população do país. Então, é importante descobrir o lado bom dessa fase da vida, o lado de viver só. Isso não significa solidão, há pessoas cercadas por multidões que trazem a alma vazia. Então essa questão é muito pessoal, é o lado interior de cada ser humano.

Segundo estudos realizado pela clínica de Gerontologia, pela Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UnATI/UERJ, cada vez mais as pessoas procuram manter sua identidade, independência e autonomia. Na idade de + de 50 os filhos já estão ficando independentes e muitos estão deixando o 'ninho' para alçarem seus próprios voos. As relações familiares sofrem fortes alterações e não causa surpresa se alguma estatística revelar que as pessoas com + de 50 preferem morar sozinhas a sofrer esmagamento de filhos.

As mulheres, segundo estudos, decidem viver sozinhas por sua própria escolha. Isso se deve ao fato de terem passado por casamentos difíceis. Após a separação ou viuvez quererem desfrutar de uma experiência que possa ser enriquecedora e ajudar no crescimento pessoal. Mas essa mulher necessita ter independência financeira, para não ser ‘alça’ para ninguém. Aí, então, ela colhe os frutos da experiência, da maturidade, sabedoria de viver. Encontrar um novo parceiro não é simples, pois essa mulher tornou-se sábia e não deseja ter alguém por simples companhia.Ela quer conviver com a lealdade, a sabedoria, despida de egoísmo. Ela quer viver o “nós” em plenitude.

O fato de a pessoa viver sozinha, no final da vida é fruto de uma decisão pessoal. Se a escolha foi essa, certamente esse ser irá crescer como pessoa, aprenderá a vencer medos e também a explorar as próprias capacidades. Quando a pessoa supera o desassossego inicial e o medo do desconhecido, a sensação de liberdade, confiança, é embriagadora e apaixonante.Faz aquilo que quer e vive os momentos que tem de um jeito particular.

Mas na verdade, as pessoas que passam pela experiência de viver sozinhas pensam muito antes de iniciar uma convivência e renunciar aos "doces frutos" da solidão. Elas se acostumaram a viver livres e, muitas vezes, não se sentem dispostas a tomar iniciativas que tirem essa encantadora sensação de liberdade. Tornam-se individualistas, curtem a própria companhia, tudo que a liberdade do viver oferece, sem cobranças.

Segundo avaliações psicológicas, viver só é uma experiência enriquecedora, positiva, porque ajuda a esclarecer a mente. Assim, quando ocorrrem situações de estresse, no âmbito familiar ou de trabalho, ficar só, por um momento, ajuda a se distanciar do conflito e a encontrar uma melhor solução. É possível avaliar melhor os aspectos favoráveis e desfavoráveis de um assunto, sem que ninguém influencie na decisão.De outra parte, a pessoa viver sozinha, todos os dias da vida, tem um lado difícil, que necessita ser superado com coragem e realismo.

Viver sozinha permite à pessoa vencer o medo de se olhar por dentro. É nesses momentos que as pessoas percebem que a vida, assim, pode ser agradável, uma oportunidade de refletir, corrigir erros e definir metas. Quando isso acontece, as pessoas nunca sentem solidão, têm sempre a mente ocupada, não há conflitos, existe um espírito relaxado, confiante, confiável, que ama a vida e deseja vivê-la em plenitude. Parece, até, que a vida ganha outra dimensão: aquela da maturidade, da experiência, da liberdade.

A pessoa sozinha passa a ser 100% ela mesma. Quando duas pessoas vivem juntas, acabam entrando em simbiose, mesmo que essa não seja a vontade delas. Com isso, acabam renunciando as características da própria personalidade que produzem bem-estar, porque não podem compartilhá-las com o outro. Por outro lado, quando a pessoa vive só, a pessoa sente que controla a própria vida, dá curso a suas inquietações, tem mais tempo para si e para os outros. Então, a liberdade de ter + de 50 e ser economicamente independente, a vida oferece opções: seguir sozinho; encontrar novo par; ou escravizar-se para os filhos.

Muitas pessoas ficam atadas aos filhos e netos que lhes tiram dinheiro e liberdade, dando em troca visitas rápidas, para alguém que já ofereceu tanto. E, por vezes, esses filhos ainda dificultam que esse ser precioso --- o pai ou a mãe – encontre no afago de outra mão, o calor para animar a vida. Há filhos a beber os pais, gota a gota.

E, hoje, na era da internet, as relações virtuais ganharam espaço. As pessoas dialogam com as outras, de lugares distantes. Fazem amizades virtuais, com numerosos nomes. Mas, nem sempre ter uma imensa quantidade de amigos na rede significa se sentir acolhido, amado e amparado. As redes sociais não possuem ouvidos, não escutam as batidas de um coração que deseja falar dos projetos mais íntimos.A internet conforta o solitário apenas num primeiro momento, por sentir-se a pessoa integrada a um grupo. Fora dali a pessoa fica sozinha consigo mesma, sem ter com quem compartilhar os anseios e desejos. E compartilhar essas duas coisas somente num ouvido amado e querido.

DICAS DE GRAMÁTICA

ALUGAM-SE CASAS ou ALUGA-SE CASAS?

- Alugam-se casas. O verbo concorda, sempre, com o sujeito. Igualmente diz-se: Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados./Publicam-se livros.

COMPROU UM GRAMA DE OURO ou COMPROU UMA GRAMA DE OURO?

- Comprou um grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, a grama = capim etc.

A vida da gente é feita assim: um dia o elogio, no outro a crítica. A arte de analisar o trabalho de alguém é uma tarefa um pouco árdua porque mexe diretamente com o ego do receptor, seja ele leitor crítico ou não crítico. Por isso, espero que os visitantes deste blog LINGUAGEM E CULTURA tenham coerência para discordar ou não das observações que aqui sejam feitas, mas que não deixem de expressar, em hipótese alguma, seus pontos de vista, para que aproveitemos esse espaço, não como um ambiente de “alfinetadas” e “assopradas”, mas de simultâneas, inéditas e inesquecíveis trocas de experiências.